<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084</id><updated>2012-02-16T02:31:25.270-08:00</updated><category term='foto por João Silva'/><category term='Persona'/><category term='foto da autoria de Raquel Pires'/><category term='do grego MÁSCARA'/><title type='text'>PanÓptica</title><subtitle type='html'>"a marca do autor não é mais que a singularidade da sua ausência" FOUCAULT</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>99</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7334572665030587399</id><published>2011-09-05T07:06:00.001-07:00</published><updated>2011-09-05T07:07:32.615-07:00</updated><title type='text'>Prove me I'm wrong</title><content type='html'>“Sinto que sou uma personagem de um conto em que não me consigo reconhecer”, disseste. O sentimento é grande demais. A partilha é grande demais. A distância é grande demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir é avassalador, não gosto. Gostar é intenso, não gosto. Esforçar…para quê? Amar é ser-se uma ingénua personagem de ficção que perde a noção do ridículo e eu não me presto mais a esse papel. Não foi assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no tempo em que ainda te sabias dentro dos olhos desse personagem, brilhavas ao vislumbrar a minha sombra ao fundo da rua…os teus olhos cintilavam, um sorriso rasgado, os braços abertos, apertar-me para nunca me deixar partir. Estava nos teus pensamentos, nos teus sonhos, nos teus devaneios, nos teus sentimentos; a nossa telepatia enorme, capaz de ultrapassar as barreiras que kms de distância criam. Disseste-o, lembras-te? O amor verdadeiro não se cria, encontra-se, “é incrível como isso está a acontecer”, disseste, lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a distância que nos separa não são países e oceanos que a formam. São fios de comunicação perdidos, são as tuas mãos que já não apertam as minhas, são os postais e fotos que descolaste da parede, são as cartas que já não salpicas de desenhos, são as palavras que já não se formam em emoções dentro de ti. É vazio, é indiferença, é ausência, frieza, e a faca com que me esquartejaste réstias (tão ténues) de alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, sem ti, já nem sei escrever. Faltam-me as palavras que fervilham a força que me move. Falta-me a esperança de que um dia tudo melhore, que um dia eu seja mais que um conjunto de negras dúvidas que insistem em arrastar-se por aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu que eras tão diferente, tão especial, tão igual a mim, partiste como todos os outros, deixaste em mim o mesmo vazio que todos os outros, distorceste o que fomos, como todos os outros, e esqueceste-te de mim, como todos os outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser que te arrependas, como todos os outros. Pode ser que, ao contrário de todos os outros, ainda regresses. Numa manhã de nevoeiro, quando eu for modelo e tiver um metro e noventa, e em França choverem porcos sobre a tua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7334572665030587399?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7334572665030587399/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7334572665030587399&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7334572665030587399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7334572665030587399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2011/09/prove-me-im-wrong.html' title='Prove me I&apos;m wrong'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-2935825560223047847</id><published>2011-04-04T12:11:00.000-07:00</published><updated>2011-04-10T08:41:28.371-07:00</updated><title type='text'>Irene</title><content type='html'>Devolvam-me o livro de Irene. Para que possa sugar-lhe as palavras sílaba a sílaba, como se sorve com a boca o suor de um corpo. Para que em mim brote de novo o encanto alucinado de mentes mais elevadas, como se erguem gementes orgasmos masculinos. &lt;br /&gt;Deixem-me voltar à floresta de Irene. E mergulhar nas sombras das árvores que sei de cor, porque as sou. E expirar-me no ar que o plâncton do pântano de Irene abraça. E reencontrar-me em cada folha caída, em cada clareira, em cada caminho por desbravar.&lt;br /&gt;Encontrem-me o rosto fotográfico de Irene. Perdido entre memórias que ninguém mais sabe contar. Abandonado em cofres bordados de flores, vestígios de tempos de cosedura sob a luz do fogo que se apaga devagar. &lt;br /&gt;Apertem-me o espaço de Irene contra o peito, até ficar marcado, como um ferro no dorso de um cavalo, como unhas que devoram a epiderme desejada, como fogos que ardem mesmo sem se ver. Imolem-me no sangue ardente de Irene, no coração da floresta, com os pés dormentes pela gélida putrefeita água do pântano; dentro dos livros desenhados e riscados e folheados, livros secretos escritos dentro da alma, a duas mãos, no silêncio de dois batimentos cardíacos perfazendo um só.&lt;br /&gt;Tragam-me de volta Irene, para um espaço onde a velhice não me amorteça a voz desdentada, onde a doença não me encolha a carne até ao vácuo, onde um sonho seja ainda possível realidade, e não a certeza do inalcançável. &lt;br /&gt;Permitam-me que ame novamente Irene, todo o meu corpo sobre si deitado, toda a minha alma em si envolta, tudo o que sou e o que não sou, um sonho, uma realidade, uma vida construída repetidamente, renascendo a cada instante ao som da melodia do eterno brilho que me fica no olhar.&lt;br /&gt;Deixem-me ser de novo Irene, tão branca, tão leve, tão sorridente, tão sublime, tão minha.&lt;br /&gt;Deixem-me entrar em casa sem cambalear e encontrar uma Irene que não seja pedra de lápide fria, antes lábios de amor para me beijar. Antes braços que me envolvam sem nunca me largar. Até morrer. Três segundos depois. Feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-2935825560223047847?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/2935825560223047847/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=2935825560223047847&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2935825560223047847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2935825560223047847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2011/04/irene.html' title='Irene'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-533427416050397178</id><published>2011-02-11T18:35:00.000-08:00</published><updated>2011-02-11T18:35:07.541-08:00</updated><title type='text'>overdose</title><content type='html'>Tenho demasiado silêncio dentro de mim. E nenhum silêncio é sossegado. Há uma dor que me cresce entre a pupila e o osso occipital. Há um aperto a sufocar-me, tenazes que me espremem os pulmões, contorcendo-os com as mãos decrépitas de amores moribundos.&lt;br /&gt;Tenho demasiado tempo dentro de mim. E nenhum tempo apaga a dor já instalada e implantada, cravada e soterrada, adormecida como um vulcão, bem dentro do coração.&lt;br /&gt;Tenho demasiado amor dentro de mim. Amor que renasce em cada vida que me cruza, amor que brota em geração espontânea, rasgando-se ao desbarato por tudo o que é bom e por tudo o que é vil.&lt;br /&gt;Tenho tanta raiva e mágoa e solidão e amor e saudade a transbordar dentro de mim…que parece que não consigo parar, quando parece que também não sei mais andar. Sento-me por fim no mesmo banco de jardim. Sento-me num turbilhão de memórias, debaixo do mesmo céu estrelado de outrora, imersa numa mesma floresta tropical imaginária, um mesmo céu arroxeado de madrugada, um mesmo corte de energia inusitado e a cidade de repente só nossa. O tempo parou naquele dia, sabes? E sei que só ali nos fomos realmente, nem antes nem depois, apesar de tudo o que vivemos. Só ali soubemos ler dentro de nós palavras que se tocaram e criaram um nós que esvoaçou na bruma disfarçada da luz eléctrica que retorna. &lt;br /&gt;Tenho demasiadas vozes dentro de mim, e um esquecimento que me pesa sobre os ombros. Tenho o tempo que me resta e que me foi, e uma vida que não sei como gerir. Tenho dentro de mim um mundo de emoções que o mundo não quer ouvir. Tenho-te a ti tão longe… Tão longe que não sei sequer se ainda me ouves… Tão longe que mesmo estando perto não me sabes mais ouvir.&lt;br /&gt;Feliz dia dos namorados. Hoje tenho tempo que chegue para o dizer sem o sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-533427416050397178?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/533427416050397178/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=533427416050397178&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/533427416050397178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/533427416050397178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2011/02/overdose_11.html' title='overdose'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4333302988444154</id><published>2010-12-09T17:57:00.001-08:00</published><updated>2010-12-09T17:57:55.529-08:00</updated><title type='text'>Trovoada</title><content type='html'>Parece que amanhã chove. A D.ª Gertrudes declara-o como visionária, com ares de quem descobriu a solução para todos os problemas do mundo. Inclina-se sobre o balcão e fita o céu, chove de certeza, estas nuvens só enganam os grã-finos da cidade. Amanhã chove, e eu, grã fina da cidade que sou, não vejo mais do que o sol radiante que espreita por entre nuvens cinza claro. Tenho vista curta, não sou como a D.ª Gertrudes. Embora saiba que o cinza claro é na verdade um imenso arco-íris cromático, é só o cinzento que vejo, e não sei ler nas linhas do céu a pluviosidade futura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém se esqueceu de um pequeno caderno preto na mesa à minha frente. No pequeno café da D.ª Gertrudes há sempre alguém que esquece alguma coisa: um caderno, uma carteira, um queque que ficou a meio pela chamada telefónica inesperada, um cigarro por apagar. "Toda a gente corre nesta cidade!", diz a Dª Gertrudes com a mesma incompreensão resignada e desaprovação da avó que vê os netos crescer para uma vida tão diferente da sua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me o que diria a D.ª Gertrudes se soubesse o que vai dentro de mim. Tenho a certeza de que me daria um conselho sensato, que me diria que sou ainda uma criança com medo do escuro, uma grã-fina da cidade que não entende nada da vida. E teria razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém voltou a mencionar o teu nome. Alguém me disse que te viu, atarefado, com ar cansado, com vontade de mudar de vida. Alguém fez por evitar dizer-me o evidente: em nenhuma dessas vidas me incluo. Alguém esboçou um sorriso triste de compaixão. Alguém, não tu, disse-me que nada muda. Alguém...e podias ter sido tu. Ou podia ter sido o corpo que agora se move por cima de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um corpo que o meu corpo chama, uma alma que quero acarinhar, e não consigo, somente finjo que sinto o que é já vazio. Há uma promessa de vida, um alento para a minha solidão, e não parece ser suficiente. Há um corpo que arfa sobre mim, e assim, em gritos de um prazer inusitado, tira de mim a adrenalina da jornada extenuante a que me entrego sem descansar. Prazer efémero, prazer movido por um carinho tímido e umas doses de hormonas. Há um corpo que é somente um corpo, no qual reside uma alma que tento compensar pela minha falta de vontade de ficar. Há um corpo que me enxuga lágrimas, me leva a passear à beira-mar, não se importa de atravessar a chuva para me beijar, ensopado e atirado à enxurrada de um sentimento que insiste em não crescer dentro de mim. Há um corpo a que terei de dizer adeus um destes dias. Há um corpo que não consegue fazer-me esquecer o teu. "Hoje ainda te vou fazer dizer que me amas", grita entre gemidos, "hoje não te vais embora", diz, e eu nada digo, "estás a apaixonar-te por mim", e eu desisto de ser tão sincera, e eu desisto de lhe explicar, amanhã vou embora de vez para nunca mais o magoar. E nunca vou. Acho que não consigo suportar a ideia de chegar a casa cansada depois de um dia de imenso trabalho e não ter com quem partilhar as minhas vitórias e as minhas frustrações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do café da D.ª Gertrudes parece que tudo se vê mais claramente e simultaneamente tudo fica distante, como o filme que passa frente aos nossos olhos sem que o toquemos, sem que o sejamos, quase esquecendo... Hoje alguém esqueceu um caderno e partiu tão cedo que nem soube que amanhã vai chover. Quando voltar para reaver o caderno, voltará encharcado, e a Dª Gertrudes sabiamente dir-lhe-á: "se me tivesse ouvido não estaria assim! Leve lá o seu caderno, e um chapéu-de-chuva, e não se esqueça que amanhã há trovoada! O céu nunca mente, as pessoas da cidade é que não sabem lê-lo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acorda-me amanhã, se ainda me chamar Sofia, se ainda te lembrares do meu nome que eu já quase esqueci, e diz-me se continua a chover. Deixei a minha vida sentada à tua espera no café da D.ª Gertrudes, e hoje, em corpos que me têm e almas que se evaporam, até o meu nome perdi. Se não me encontrares na cama pergunta lá por mim. Dizem que aí me viram ontem pela última vez, sentada numa cadeira, abandonada, no mesmo sítio onde me perderas, à espera que, apesar da chuva, ainda queiras abraçar-me novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4333302988444154?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4333302988444154/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4333302988444154&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4333302988444154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4333302988444154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/12/trovoada.html' title='Trovoada'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7493598798890769487</id><published>2010-11-23T17:02:00.000-08:00</published><updated>2010-11-23T17:02:03.719-08:00</updated><title type='text'>No fim dos sonhos</title><content type='html'>O jantar esfriou. Espreito pela janela e nem um sinal teu. Comprei as tuas flores favoritas para o centro de mesa, fiz bifes com molho de ostras que me tiraram cinco horas de dedicação e algumas mais de paciência para repetir a operação a cada falha. Hoje vesti uma lingerie mais arrojada do que eu gosto, só para que não te queixes que sou demasiado simples. Hoje maquilhei-me e pus um sorriso no rosto para apimentar o ambiente. A chama da paixão vai e volta ciclicamente. Tal como tu.&lt;br /&gt;Hoje decidi fingir que não vejo como te esgueiras por entre as portas, como deixas bilhetinhos nos bolsos dos vestidos das criadas, como ignoras o que sinto, o que penso, o que quero, como nem sequer te importa o que quer que se passe comigo. Hoje decidi fingir que existe algo que nos liga, algo além de dois corpos que se devoram noite dentro, algo mais do que duas vidas que se cruzam ao fim do dia para não ficarem sozinhas, algo mais do que um resto de juventude com medo de envelhecer. Hoje decidi acreditar em tudo o que sei que não existe: companheirismo, interesse, paixão, amor. Hoje decidi fingir que sou feliz para te satisfazer. Decidi fingir que não preciso de mais do que estas palavras que por vezes trocamos no cansaço dos corpos suados. Hoje decidi deixar-te pensar que não sei que me queres só para passar o tempo, para não estar sozinho, para depositar esperma em paredes mais húmidas, para rir de vez em quando, conversar de vez em quando, abraçar de vez em quando, sempre que o que em ti é humano pede carinho e compaixão. Hoje decidi fingir que não me sinto vazia e que "tudo o que te dou me dás a mim" e outras frases bonitas que alguém inventou antes de mim (para não ter de rebuscar réstias de emoções que não existem e assim desenhar palavras que acalentem na escuridão).&lt;br /&gt;Hoje, como todos os dias, fito a esquina onde a sinalização luminosa da tasca do Sr. João pisca em luzes quase fundidas. Ora vermelho, ora laranja, ora rescaldo da incidência da luz e subitamente a noite em breu. Lamento a falta do vermelho constante, mas intimamente espero que todas as luzes se apaguem, que todos se vão embora, que fique sozinha, só eu e a noite, nesse único momento em que me posso ser, sem ligas, sem rimel, sem tagliatelli esfriando e colando ao tacho, sem toalhas bordadas e sapatos de salto. Esse espaço onde ninguém existe além de mim e o meu silêncio. Esse local em que todos me conhecem por dentro, porque ninguém ali habita além de mim. &lt;br /&gt;Rodo a cabeça de encontro ao relógio de sala que marca 22 horas. Um movimento semi-circular traz-me de novo à rua. Suspiro. Será que ainda voltas? Talvez hoje não voltes. Pode ser que hoje não voltes. Por favor, não voltes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7493598798890769487?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7493598798890769487/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7493598798890769487&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7493598798890769487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7493598798890769487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/11/no-fim-dos-sonhos.html' title='No fim dos sonhos'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4077789453606878693</id><published>2010-09-30T04:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-30T04:38:22.652-07:00</updated><title type='text'>Onirismo envelhecido</title><content type='html'>Gosto de olhar o tempo, dizia. Agosto ainda ia a meio e já esperava a chuva. Amanhã chuvisca, dizia, e nem uma nuvem no céu. O certo é que de tanto crer realmente assim acontecia. Era velho, a pele encarquelhada,o olhar fixava pontos que mais ninguém via, a boca entreaberta no alegre espanto inocente da infância. O seu corpo era clausura para uma alma jovem, quase infantil, quase imatura, passando anos em rugas mas nunca em envelhecimento. Porque é só na alma que se envelhece, não no corpo. O corpo é mero vesilhame contendo riachos de corrente brava. &lt;br /&gt;Anos atrás disse-me ter medo de envelhecer. Um temor no seu olhar, como criança que se esconde do escuro a toda a volta. Um terror de ver a vida afunilar em linhas esguias de íngremes subidas. Nesse dia apeteceu-me abraçá-lo, dizer-lhe que a sua alma nunca morre, como nunca morrerá dentro de mim. &lt;br /&gt;Anos atrás, como ontem, um olhar embevecido fitando o céu e tudo o que ele lhe lembra como quem contempla a sétima maravilha do mundo, o santo graal, o elixir da longa vida. Anos atrás, em aventuras desmedidas, saltitando em gargalhadas mais ou menos auto-centradas, sempre vivas, nunca descrentes, nunca adultas. &lt;br /&gt;Hoje, perdido dentro de si, sem consciência do mundo, vivendo o tempo que acredita mudar com as suas mãos. E muda mesmo. Dentro de mim o tempo muda, faz-me sorrir, de cada vez que na sua mente o sol torna a brilhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4077789453606878693?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4077789453606878693/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4077789453606878693&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4077789453606878693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4077789453606878693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/09/onirismo-envelhecido.html' title='Onirismo envelhecido'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6577638746515647820</id><published>2010-09-13T17:27:00.000-07:00</published><updated>2010-09-16T04:24:54.813-07:00</updated><title type='text'>Carta ao eu que fui ou ode à solidão</title><content type='html'>Foi necessário volver trinta anos para que te percebesse. Foram necessários trinta anos para voltar àquela tarde de Verão em que escolhi não te mudar. Foi necessário perder toda uma vida para ganhar coragem para te mandar embora. Hoje, talvez já tarde demais.&lt;br /&gt;Naquela altura tinhas descoberto o amor, era tudo tão maravilhosamente intenso que te assustava. Os dias passavam suaves, sopros de alegria bafejavam-te, e um mundo que não o teu desabrochava perante ti na vontade de te conhecer. Tudo parecia correr bem nessa partilha inesgotável, e o teu mundo permanecia igual mas com um brilho maior. Subitamente, o teu corpo começou a rejeitar o que a ti se dava em carinho como se de um vírus se tratasse, como se um órgão novo tivesse sido transplantado para o teu organismo avesso a mudanças. Parecia-te demasiado, ainda que gostasses. Invadiam-te os pensamentos mais bizarros, uma exigência quase perfeccionista, era bom demais o que recebias e parte de ti não queria dar de volta. Pensaste que era um vício, um demónio dentro de ti que te impelia a afastar tudo o que fosse bom e novo. Pensaste que não sabias lutar e que a fuga a todos beneficiaria. Pensaste que apesar de tudo serias mais feliz sozinho.&lt;br /&gt;Naquela altura, meu caro eu passado, tu eras imaturo. Naquela altura tu tinhas medo de viver. Naquela altura tu eras fraco.&lt;br /&gt;Hoje escrevo-te do fundo da minha enorme sala de estar. Quartos e quartos repetem-se vazios pelo corredor. As paredes estão forradas de estantes atoladas em livros, a música preenche o vazio a toda a volta. Hoje escrevo-te no lusco fusco deste dia que se cansa de viver, após a excruciante adrenalina laboral quotidiana, no centro da cefaleia que nem com uma boa noite de sono passará. Hoje escrevo-te do futuro para te dizer que foste burro. Escolheste o fácil caminho da solidão e egoisticamente tentaste acreditar que seria a decisão mais benévola para todos, como se omnisciente e altruísta fosses. Fingiste para ti mesmo que querias resolver os teus problemas internos, que o problema estava em ti, que precisavas de tempo. Mas de que servem as respostas que com palavras se dão quando a realidade da nossa vida não as reflecte?&lt;br /&gt;Tempo é o que hoje tens em demasia e te devora anos de vida. Construíste um futuro brilhante, concentraste em ti vastíssimo conhecimento bibliográfico, olhaste-te de todos os ângulos, mas de que te serve tanta matéria em bruto se não tens com quem a partilhar e assim aprofundar? Na verdade, tudo se aguenta, até mesmo a solidão, enquanto a nossa vida parece ter algum sentido. Assim, viveste todos estes anos em paz, com pena da pessoa perdida, mas confiante de que tomaras a decisão certa para ti e de que nunca te arrependerias. Assim te construíste um orgulhoso solitário, por vezes até um eremita. E no entanto eis que hoje te cruzas contigo mesmo e te encontras descrente e atormentado, sentado no fundo da tua sala vazia onde ecoam os risos estridentes e os olhares enamorados de outrora... Esse local onde a face dela é o cenário dos teus sonhos escondidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6577638746515647820?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6577638746515647820/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6577638746515647820&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6577638746515647820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6577638746515647820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/09/carta-ao-eu-que-fui-ou-ode-solidao.html' title='Carta ao eu que fui ou ode à solidão'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7850524786100774481</id><published>2010-09-11T08:57:00.000-07:00</published><updated>2010-09-11T09:03:35.379-07:00</updated><title type='text'>O regresso a casa</title><content type='html'>Em tudo tão igual a mim. Muito além dos interesses comuns, muito além do mesmo tipo de humor, muito além das concepções de vida, das ideologias, das crenças, dos medos. Muito além do quotidiano da vontade de dormitar, do quotidiano do local onde se guarda a fruta, do quotidiano de ler antes de dormir. Muito além de tudo o que é vida comezinha, e bem assim vida real, em tudo és igual a mim, nos sonhos, nas vontades, nas alegrias desmesuradas, nas rotinas internas, na forma de pensar, na expressão do que se sente, na problematização do que se diz, nas indagações metafísicas, no espanto de viver. Em tudo iguais e compatíveis, aquele sentimento que traz um friozinho na barriga e faz pensar que é quase perfeito. &lt;br /&gt;Em tudo nos compreendíamos, e assim nos complementávamos no que nos distinguia. O teu comodismo e o meu espírito aventureiro, a minha insegurança e a tua confiança, a tua timidez e a minha sociabilidade, a tua solidão e a minha partilha. A nossa dedicação.&lt;br /&gt;Em tudo nos sentíamos tão próximos que o coração apertava criando um lugar só nosso. Lembro que às vezes aprendia a gostar do silêncio, porque nesse lugar, mesmo que contigo fisicamente ausente, nunca me sentia só. Estavas dentro de mim.&lt;br /&gt;Não precisava de ti para acordar, para adormecer, para trabalhar, para me divertir. Não precisava de ti para pensar, para criar, para sorrir. Não precisava de ti, como tu não precisavas de mim. Não precisávamos um do outro porque nos tínhamos. Amar traz-nos a liberdade de encontrar um refúgio ao fim do dia, viver a azáfama do dia sabendo que um espaço mais íntimo nos espera quando terminar o rodopio quotidiano da vida que construímos para nós. Não precisava de ti, porque te amava, e só se ama plenamente quando se é livre.&lt;br /&gt;Hoje continuo a correr desenfreadamente para completar tarefas, cumprir prazos, melhorar-me. Hoje continuo a sorrir, a pensar, a sentir. Hoje, tudo igual, mas tu não estás mais nesse lugar que criei em mim para te acolher. Hoje não sei o que é feito de ti. Muito além das rotinas que certamente mantens, tão semelhantes às minhas, muito além dos livros que lês, das músicas que ouves, dos dias que te passam pelos dedos todos iguais, como os meus, repetidos até à exaustão da vida que escolhi para mim. Muito além desse mundo externo a que nos entregamos existe um eu que não mais te encontra ao regressar a casa, e longamente se deita entre teus braços como quem sonha o onirismo que vive. Muito além do turbilhão dos dias que correm devagar havia um quarto de felicidade que trazia o teu sorriso ao meu olhar, havia um segundo gelado no tempo, uma brisa mais suave, um reencontro com a alma primeira que me fez ser quem sou. Muito além desta vida existia um nós. Hoje há o vazio que em mim deixaste e que cozo lentamente por dentro. O teu lugar em mim permanece intacto, fechando-se lentamente para não me magoar. O teu mundo que em mim florescia estagna... Nada o preenche ou preencherá, és tu no que me foste. És tu em mim.&lt;br /&gt;Hoje quando voltar para casa vou fechar a porta do quarto atrás de mim. Quero deitar-me dentro de mim e acreditar que amanhã um novo mundo se espreguiçará diante de um novo coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7850524786100774481?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7850524786100774481/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7850524786100774481&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7850524786100774481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7850524786100774481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/09/o-regresso-casa.html' title='O regresso a casa'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4792307891843666920</id><published>2010-09-11T08:34:00.000-07:00</published><updated>2010-09-11T08:34:19.528-07:00</updated><title type='text'>Night wanderings</title><content type='html'>Noite,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ti vivo, em ti sou, em mim ficas e me fazes renascer ao fim de cada excruciante dia. Parar, repensar tudo, as voltas que uma pessoa dá à cabeça para superar a pressão, para se contrariar a si mesma, por vezes só para não pensar. És tu, noite, quem melhor me conhece. Beijo-te o chão da lua que te pinta, e sinto-te presente nesta imensa solidão. Gosto de te ver passar, gosto de pensar que ficas. Noite, que me escondes de tudo o que em mim tenho medo. Noite, em que não consigo dormir. Noite, companheira das revoltas, das tristezas, das ansiedades e das pequenas alegrias. Noite, de assobios inusitados de animais que não existem; noite de sonhos misturados com realidade; noite de silêncios que confortam e fazem esquecer o dia; noite de esperança que amanhã seja melhor. Um dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4792307891843666920?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4792307891843666920/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4792307891843666920&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4792307891843666920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4792307891843666920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/09/night-wanderings.html' title='Night wanderings'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5691419862532413001</id><published>2010-09-11T05:05:00.000-07:00</published><updated>2010-09-11T05:05:32.522-07:00</updated><title type='text'>Sonata</title><content type='html'>Arde, o calor dos passos que não vejo, as palavras ecoando em tudo o que não disse, o rumor de um regresso que não vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arde, e queima, chagas abertas, feridas que não sei sarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arde, como uma espécie de fim adiado, palavra encravada na garganta, lágrima que insiste em não mais cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arde, ao escrever-te cartas de um amor suspenso, cartas de um amor que tenho medo que se esvaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá amor que subsista na ausência de partilha? Haverá amor que não morra em pé, árvore centenária de memórias que ficam, quando se deixa em suspenso, uma história por viver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo. Uma cara que perde as raízes dentro de nós. Tempo. Uma lembrança que faz sorrir. Tempo. Nada mais a dizer a quem nos via por dentro. Tempo. Aprender a deixar que as velas ardam em nós até ao fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5691419862532413001?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5691419862532413001/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5691419862532413001&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5691419862532413001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5691419862532413001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/09/sonata.html' title='Sonata'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-3118220671411621751</id><published>2010-09-05T17:35:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T17:41:18.722-07:00</updated><title type='text'>Avante</title><content type='html'>Por um breve momento todos sorriem, e saltam, abraçam-se mesmo que não se conheçam, dançam em comunhão. Por um momento, a duração de uma melodia, todos se unem e se tornam um só. Uma força. Uma causa. Uma vida. Talvez seja fugaz, e para muitos mera aparência, mas sei que por pouco mais de um minuto todos se gostam, todos se conhecem, todos se são. &lt;br /&gt;A humanidade tem destes encantos, unir-se por segundos por um objectivo comum, matar-se em seguida por mais um qualquer naco de pão. A humanidade, o Homem, que amo e desprezo em simultâneo, que odeio de tanto O amar e de tanto me desiludir, é um bicho estranho de entranhada hipocrisia. Mas que hoje dança, e canta, pela sua salvação comunitária.&lt;br /&gt;Nesse minuto de união (pelo menos nesse) creio que a fraternidade existe, que cremos todos que a igualdade de oportunidades é uma meta a alcançar, que impera exigir justiça, que todos os homens e mulheres nascem iguais perante quem quer que queiramos (ou não) criar para nos guiar. Nesse segundo de epifania sei que todos os corpos em movimento se sentem parte de um todo global, esse todo que é a raça humana, integrada num ecossistema a respeitar e proteger. &lt;br /&gt;E é entre esta algazarra de emoções revolucionárias, no centro destes sonhos fervilhando em ideias de mudança, que me sinto mais viva, que me reencontro comigo mesma e descubro o que me quero tornar: alguém que não esquece este momento, antes o vive quotidianamente, tornando o sonho real.&lt;br /&gt;Avançar, é nisso que acredito. Nunca desistir, eis o meu lema. E portanto aplico esta máxima a todos os quadrantes da minha vida. Lutar, é tudo o que sei fazer, é a força a que aprendi a agarrar-me, o motor do meu devir, a minha reacção instintiva, o meu &lt;i&gt;mojo&lt;/i&gt;. Lutar, por uma causa, por um ideal, por um objectivo, por uma ideia de justiça, por um direito, por um amor.&lt;br /&gt;Avançar, acreditar em mim, acreditar no mundo, acreditar que a mudança será por nós construída. Avançar, seguir com a minha vida, nunca desistir. Avançar, lutar por tudo aquilo em que acredito. Avançar, e dar-me por inteiro ao mundo que me formo. Avançar, acreditando que é possível. Avançar, e nunca mais olhar para trás, que o passado é uma parte do que somos, querida, sempre presente na memória, mas não o nosso caminho. Avançar, e acreditar que ainda é possível construir um novo caminho com partes inacabadas do passado.&lt;br /&gt;Ao meu lado casais trocam palavras de amor... Não brota em mim qualquer resquício de inveja. Mesmo que estejas ausente, mesmo que para junto de mim não retornes, por ti nutro amor de sobra. Amor em mim transpira. Amor em mim respira. Amor, estás dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-3118220671411621751?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/3118220671411621751/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=3118220671411621751&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3118220671411621751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3118220671411621751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/09/avante.html' title='Avante'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8243345242920343366</id><published>2010-09-01T06:04:00.000-07:00</published><updated>2010-09-01T06:04:49.284-07:00</updated><title type='text'>As noites</title><content type='html'>Hoje acordei contigo deitado ao meu lado. Era um corpo mais pequeno e mais moreno, mas sei que eras tu. Ouvia a gargalhada da tua voz, sentia a tua mão acariciando a minha, e sentia que estava tudo bem. Tenho a certeza que eras tu porque as memórias invadiram-me e ficaram como num sonho, e nem os raios de sol esquartejadores de persianas te afastavam de mim. Entre a realidade e o sonho que a moleza traz, vi-te entrando nu pelo quarto e correr para me fazer cocegas proferindo barbaridades humorísticas em tom de puto. Tenho a certeza que vieste, porque aperto os lençóis e o teu cheiro ainda lá está.&lt;br /&gt;Esta noite sei que não quiseste mais desistir, e abandonada não fui por causa de um avassalador medo de lutar que te apoquenta. Esta noite sei que acordei para uma manhã em que a nossa história não cessava, ainda tão boa como sempre foi, não se abdicando de nada, aceitando ser feliz. Esta noite sonhei que voltavas porque já sabias pedir ajuda e entender que não é fugindo do que nos faz bem que encontramos paz interior. Esta noite sonhei que um amanhã para nós existia, e que a completude que em ti encontrei (como em ninguém anteriormente) viveria para sempre dentro de mim, dentro de ti, nesse nós abraçado até ao raiar de um novo dia, esse nós que persiste na vontade de reconstruir os eus internos não afastando um nós quase perfeito.&lt;br /&gt;Esta noite...eu sei, foi só um sonho, daqueles que queremos muito que fiquem, que se tornem reais, daqueles que nos fazem não querer acordar de manhã. Esta noite, bem sei, foi mera lembrança de um ontem ainda tão presente, que vive em mim sem esmorecer. Esta noite, o corpo ao meu lado era só uma amiga que me conforta neste luto que não quero fazer, porque não sei como desistir de algo tão bom. Era um corpo delicado, feminino, sem erotismo, sem argumentações acesas até às tantas da manhã, sem beijos sedentos de desejo, sem carinhos enamorados e conversas intermináveis de quem gosta do mesmo e sabe ler-se por dentro.&lt;br /&gt;Esta noite, um sonho que deixo suspenso. Amanhã o novo dia em que tenho de me reencontrar nesse mundo voraz que não pára de girar. E sei que vou conseguir, e quem sabe um dia encontrar-te de novo, numa renovada noite já real.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8243345242920343366?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8243345242920343366/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8243345242920343366&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8243345242920343366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8243345242920343366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/09/as-noites.html' title='As noites'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4041989217523549324</id><published>2010-08-25T17:04:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T12:37:06.558-07:00</updated><title type='text'>suspenso</title><content type='html'>Resta-me somente a tigela abandonada no lavatório da cozinha, água esbranquiçada lá dentro em que me vejo reflectida, como um fantasma, porque translúcida de tão vazia. Resta-me o cheiro que ficou impregnado nos lençóis, objectos propositadamente esquecidos pela casa, fotografias que não sei apagar. Resta-me o silêncio dos dias que já não me falam, o nada que ouço do que por aí se diz, uma ilusão de realidade, um frio que me invade a espinha, mais um dia qualquer, porque todos o mesmo repetido até à exaustão. Resta-me lembrar-te, e isso dói tanto como a felicidade que emana desses momentos. Resta-me sentir o coração expandir e minguar rompendo veias e artérias, quebrando o miocardio, sugando-me vida. Resta-me o medo de que me esqueças, o medo de que não voltes, o medo de que encontres alguém, e todos os outros temores que crio para me torturar. Resta-me saber que é sempre assim para toda a gente, e no entanto sentir que é tudo tão único e tão mais mortal. Resta-me saber que foi real, que foi imenso, que nos fomos. Resta-me acreditar que nunca adeus para sempre, só até já, e intimamente esperar que esse dia venha com um abraço e um sorriso enamorado... Resta-me continuar o meu caminho e construir-me alguém melhor, ser eu amando-te mas antes de mais eu amando-me. Ser eu, talvez em ti ainda especial. Restas-me tu, no que me foste, no que sempre em mim serás: um grande amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4041989217523549324?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4041989217523549324/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4041989217523549324&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4041989217523549324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4041989217523549324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/08/suspenso.html' title='suspenso'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6070457269271176942</id><published>2010-07-24T06:44:00.001-07:00</published><updated>2010-07-24T06:44:48.721-07:00</updated><title type='text'>O não amor</title><content type='html'>Mais um trago. Juro que me queima a língua. Confesso que gosto dessa acidez pelas amígdalas. Admito, gosto de me queimar por dentro. &lt;br /&gt;Eis mais um texto que nunca vais ler, mais um pedaço de história que ficou por contar. Há quem construa página a página a sua vida conjugal, nós criamos somente o desamor. Estamos juntos porque gostamos de sentir que temos tudo a perder. Não cremos na verosimilhança do poliamor. Acho que nem mesmo no amor acreditamos. Gostamos de ser presos por vontade. Gostamos de chorar a existência. Gostamos de carpir as mágoas que não temos. Gostamos de cortar todos os tecidos que nos cobrem os órgãos envoltos em músculo flácido. &lt;br /&gt;Não gosto de ti. Quero-te para fingir que não sinto tédio. Quero-te porque preciso de sexo. Ou nem isso. Quero-te porque não sei o que fazer com o tempo que me sobra. E fica-me sempre demasiado tempo…&lt;br /&gt;Ontem voltei a beber. Prometi que nunca mais uma só gota, prometi voltar ao grupo de ajuda, prometi não furtar jóias da casa da minha mãe, prometi sorrir mais vezes a quem se cruza comigo. Nem uma dessas resoluções foi bem sucedida. É a sexta vez que reescrevo as máximas de novo ano. Já estamos em Março, creio que perdi todas as desculpas. &lt;br /&gt;Lembro-me que ontem saíste de casa furioso. Lembro-me de hoje acordar com sangue na testa. Lembro-me do olhar de piedade das colegas de trabalho. E não me lembro de mais nada. Voltei a acordar a meio da tarde numa cama de hospital. Recebi mais uma advertência do patrão e acho que deste mês não passa. Não sei como vamos pagar a conta da luz para o mês que vem, mas também não tenho medo do escuro. Se o tivesse, não viveria aqui contigo. Da escuridão brota toda a tua bestialidade, a qual, de tão ébria, já nem sinto. &lt;br /&gt;Mais um texto que não vais ler, mas tenho pena. Porque não sei o que escrevo e talvez tu me explicasses. Sempre gostaste de me explicar o que se passa dentro da minha cabeça, e eu sempre fiquei extasiada com a desconexão entre as tuas doutrinas e a realidade. Nunca to disse. Gosto que penses de mim o que quiseres. Gosto que digas que pensas mal de mim. Na tua visão pérfida sinto-me tão mais poderosa! Sim, o mal traz-nos uma força quase divina. Se soubesses a verdade, se visses o quão frágil sou, já não estarias aqui. E não é que me faças grande falta, creio até que viveria melhor sem ti, mas ajudas-me a ultrapassar o marasmo dos dias. Agora que não tenho mais para onde ir de manhã, agora que não tenho mais a chave da casa dos meus pais, agora que não tenho mais dinheiro ao fim do mês, agora que recebo uma notificação de despejo, agora que te foste embora e às 11 da noite ainda não voltaste, não sei o que fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6070457269271176942?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6070457269271176942/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6070457269271176942&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6070457269271176942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6070457269271176942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/07/o-nao-amor.html' title='O não amor'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5036528864284642311</id><published>2010-03-28T09:25:00.000-07:00</published><updated>2010-03-28T09:39:00.339-07:00</updated><title type='text'>chilrear de um velho sol</title><content type='html'>Há quantos anos quiseste saber pela última vez? Foi há tanto tempo que nem sei mais o que queres que te diga. Encontrar-te no vão da escada um dia qualquer, pareceres-me tu e quem sabe já nem seres. A barba cresceu-te. Acho que te fica bem. Não me parecias tu, mas acho que já só te reconhecia como cópia do retrato na estante. Os anos passam, os retratos morrem devagar, a imagem verdadeira esvai-se na memória, e vai na volta reencontra-mo-la para não mais a ver, porque o momento cristalizado no retrato morreu. Tu não és mais quem foste. Eu, com certeza, não serei mais quem fui. Eu fui em ti, tu em mim, nós um só, e hoje nada, nem juntos nem sozinhos, somos sempre somente nada. Às vezes encontro-te na casa-de-banho de manhã, na cama o corpo ao lado do meu parece-me somente uma ilusão, e de tão frio é como se morto fosse. Hoje faz sol. Gostavas de passear à beira mar. A baía de Cascais sempre te pareceu um local bonito para fugir da multidão. Afinal, estar ali era como estar num mundo só nosso, dado que ninguém à volta nos interessava ou compreendia. Gostávamos de ser diferentes, mas sabes, acho que éramos iguais na nossa arrogante auto-segregação. O sol bate-me no rosto e a maresia está longe. Uma varanda em ferro forjado, uma varanda em Lisboa, o som da minha música de que não gostavas, os óculos que achavas grandes de mais, batom nos lábios, juro, mas nem me apetece sorrir. Acho que me habituei a ser triste antes de te conhecer, depois de partires voltei a ser tudo o que era. Confesso, acho que foi por isso que fugiste. Continuo a ser bonita, continuo a não saber o que quero, continuo a desistir de mim enquanto por vezes luto pelo mundo. Continuo a ser tudo o que quiseste amar e não conseguiste. Continuo sozinha. Quando amanhã te levantares da cama faz menos barulho ao telefone. O teu riso enamorado incomoda-me, e a voz dela é demasiado esganiçada. Se falares baixinho conseguirei dormir mais um bocadinho e, tenho a certeza, ainda vou sonhar contigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5036528864284642311?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5036528864284642311/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5036528864284642311&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5036528864284642311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5036528864284642311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/03/chilrear-de-um-velho-sol.html' title='chilrear de um velho sol'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8231223875056097680</id><published>2010-02-20T22:02:00.000-08:00</published><updated>2010-02-20T22:21:35.125-08:00</updated><title type='text'>agora já sei sonhar, Rui</title><content type='html'>finalmente os olhos começam a pesar. horas contorcendo os lençóis amarrotados, olhando o branco cálido de um espaço sufocante, fitando o nada dos carneiros saltitantes que se contam. horas tentando encontrar uma porta para o outro lado da consciência. peguei num livro. há tanto tempo não lia... foi beckett. foi teatro. foi sentir-me de novo num palco. alegria. parece que mesmo quando escrevo somente corro ficando parada. parece que estando parada estou sempre ainda assim correndo...tal como tu me dizias.&lt;br /&gt;gostava de colar post-it's na parede com tudo o que me lembras...só palavras que te definam, gritem ou sussurrem o que em mim significas. gostava, mas é tão cedo...e gosto de saber que não há pressa. e gosto de saber que ainda dormes ao meu lado amanhã.&lt;br /&gt;chove lá fora. dizem que é a aproximação de um ciclone qualquer. não sei bem porquê, a palavra ciclone sempre me lembrou a palavra centauro; e centauro é em mim a representação de tudo o que é másculo, de todas essas lendas mais ou menos místicas de destemidos heróis e minotauros, de lutas infindavelmente espartanas, de testosterona que sobressai em farta barba. não sei porquê, pensar centauro traz-me à mente a tua imagem. e, sabendo já porquê, sorrio. sorrio enquanto os olhos se contorcem devagar, enquanto os músculos se tornam dormentes, enquanto o livro cai por entre os lençóis vincados de tanto os apertar para lhes espremer o perfume teu que ali ficou. e hoje não tenho medo. sei que ficas em cada raio de luz de cada novo amanhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8231223875056097680?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8231223875056097680/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8231223875056097680&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8231223875056097680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8231223875056097680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/02/agora-ja-sei-sonhar-rui.html' title='agora já sei sonhar, Rui'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4251380393217303424</id><published>2010-02-20T21:50:00.000-08:00</published><updated>2010-02-20T21:59:28.409-08:00</updated><title type='text'>a vez</title><content type='html'>aquela vez em que voltaste cabelos soltos pele mais clara para ficar a observar o rio que não sabias que existia o dia 19 sempre 19 e chovia aquela vez em que ficaste e porquê eu não sabia e acho que hoje ainda não sei que naquela vez que só sorriste te cabe no peito o frio lá fora que entra dentro e fica a observar o rio a que voltaste por não saber que existia aquela vez em que voltaste cabelos soltos pele mais clara só mesmo para observar o rio e nele encontraste cabelos que crescem com a luz do dia naquela vez em que ficaste suando frio o amor de dentro aquela vez como qualquer outra aquela vez em que voltaste e ainda hoje não sei porquê aquela vez em que ficaste e de novo brotou de mim cabelo em cada poro aquela vez e ainda crianças brincando lá fora apesar da chuva e a tua mãe ai cala-te aquela vez em que voltaste para me ver ficar e te encontraste mais claro cabelos soltos olhos escuros aquela vez em que o sol é negro o dia é negro e ser negro faz-me feliz aquela vez em que a tua mãe ai cala-te porque gritaste outra vez naquela vez em que voltaste e havia trovoada lá fora e as crianças ainda assim brincavam como se nada fosse aquela vez a tua mãe ai cala-te e tu à janela a ver as crianças lá fora aquela vez dia 19 tudo tão negro crianças lá fora a tua mãe e tu mais claro aquela vez em que feliz voltaste e ficaste para sempre. aquela vez em que o cabelo do dia te tornou noite e assim junto a mim ficaste. aquela vez, quando morremos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4251380393217303424?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4251380393217303424/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4251380393217303424&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4251380393217303424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4251380393217303424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/02/vez.html' title='a vez'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4851889450494330397</id><published>2010-02-15T07:11:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T07:32:49.238-08:00</updated><title type='text'>sem-abrigo</title><content type='html'>Ter frio. Ter frio de tanta fome que sinto. Julgava que os sentidos não se ligavam assim, a fome levar ao frio, a sede levar à cegueira, a falta levar ao medo. Pensei...será? Pensei "será?" vezes a mais. Pensei de mais. Hoje estou sem estórias para contar. Costumavam sentar-se crianças à minha volta, ávidas de sonhos, não se importando com a chuva, não se importando com o frio, nem mesmo se importando com a fome. Olhava-las bem dentro dos olhos, bem fundo na alma, e lia-lhes as fantasias que assaltam o sono, lia-lhes a vontade de saltar de arco-íris em arco-íris, a textura do algodão doce, a forma frágil de que é feito o onirismo infantil. No tempo dos fantoches, dos carros de marionetas pelas ruas, de palhaços moldando balões, de risos em feiras, de pipocas coloridas. Nos meus tempos de circo. Nos meus tempos de jovem. Nos meus tempos sem frio.&lt;br /&gt;Vasculho qualquer coisa no lixo. Apercebo-me disso porque um pedaço de lata corta-me a ponta do dedo, de outra forma nem me lembraria. É já tão automático ser vagabundo que nem reparo bem no que faço. Encontrei uma manta, meio rota e encardida, insuficiente para afastar o frio polar que se instala em estalagmites de orvalho, mas que terá de servir. Às vezes pergunto-me como seriam os tempos que passava os serões à lareira, em casa da minha avó, nessa época em que os sonhos saltitantes ainda eram meus também. Já não me lembro. E juro que me parece que falo de outra pessoa, um outro gaiato a quem lia os sonhos, a criança que nunca fui.&lt;br /&gt;Encontro um cartão rugoso pelo chão e por momentos quase me sinto feliz. Curiosa a simplicidade da alegria de quem nada tem. Acho que envelheci, acho que foi por isso que aqui vim parar. Acho que as crianças de hoje deixaram de sonhar, saem do ventre materno logo com 15 anos, reguilas e malévolas. Acho que é por isso que secaram as minhas fábulas e contos, que os reis do Oriente por lá ficam e as princesas adormecidas não mais são despertadas. Acho até que é por isso que já sei o que significa sentir os ossos gelar, sentir a pele encarquilhar de frio, sentir o tremor de um medo de fim. Acho que é por isso que não sei mais o que é ter amigos, o que é ter família, o que é uma casa com lareira e risos estridentes de criança. Acho que é por isso que o meu circo partiu para outras bandas. Acho que é por isso que não queriam tantos contadores de estórias. Acho que não queriam velhos, e não tiveram coragem de o dizer. E como censurá-los? Já não há crianças para ouvir os velhos, já não há sonhos que se renovam de geração em geração, ensinamentos que a idade traz e acendem labaredas de curiosidade nas almas naive dos rebentos de uma nova era.&lt;br /&gt;Pego no meu cartão e na minha manta, encontro um canto qualquer de pedras sozinhas onde ninguém saiba o meu nome, deito o corpo cansado de frio e sonho. Sonho como a criança que fui. A última criança num mundo de velhos em corpo jovem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4851889450494330397?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4851889450494330397/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4851889450494330397&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4851889450494330397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4851889450494330397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/02/sem-abrigo.html' title='sem-abrigo'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1842645798464232138</id><published>2010-01-28T15:48:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T15:58:58.823-08:00</updated><title type='text'>hoje eu e não o outro que aqui me invento</title><content type='html'>Passando palavras com os olhos. Os olhos, como o &lt;span style="font-style:italic;"&gt; scroll &lt;/span&gt; do teclado, passando rápida, rapidamente, passando caracteres que não lê, passando-os o mais depressa que consegue, empatar tempo, fugir às lágrimas que insistem em escorrer rosto fora, que insistem em quase se tornar frenéticas. O som do piano. Não está aqui, mas entoa cá dentro, entoa de dentro, entoa só para mim. As lágrimas caem ao som do piano, porque é um piano, porque são os meus dedos, porque não está aqui, não há aqui. Tantos anos deixamos passar...tantos anos que levamos a construir a forma de nos desgastar, de nos perder. Tantos anos escavando o desfecho de que fugimos, sem que o saibamos, sem que o queiramos. Tantos anos que já não sabemos mudar nas suas réplicas futuras. Tantos anos, tantas vidas, tantas lágrimas e pianos e noites em que nem um copo nos encontra para trazer de volta o afago de um abraço. Tantos anos, e no entanto sempre o mesmo sítio. Procurar sair e não saber mais como. Chegar ao momento da mudança, e perceber que o caminho se esgueirou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1842645798464232138?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1842645798464232138/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1842645798464232138&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1842645798464232138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1842645798464232138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/01/hoje-eu-e-nao-o-outro-que-invento.html' title='hoje eu e não o outro que aqui me invento'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1692062010308198655</id><published>2010-01-28T11:38:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T15:48:20.050-08:00</updated><title type='text'>the queerest of the queer</title><content type='html'>Puxar o cabelo para trás, endireitar as costas, mudar de posição num pequeno contorcer das nádegas, maior o aparato do que a real deslocação. Não, não há canetas, hoje teclas. Sinto falta das canetas. De sentir as canetas entre meus dedos flutuando, riscando raiva, amachucando o papel, atirá-lo e nunca cesto no caixote ao fundo. Hoje só teclas. E a falta de sentir algo palpável. Algo que seja além de mim. &lt;br /&gt;Há tanto tempo... outra pessoa que não eu. Agora o espelho gritar eu, mas já não ser eu. Uma face vazia, uma cara qualquer, tão sisuda e enfadonha, tão nula, tão nada. Se o fracasso tivesse rosto, sei-lo, seria assim. Seria eu.&lt;br /&gt;Em tempos ouvi dizer que renasceu vida por entre as rochas. Flores à tua volta e assim um novo alguém. Contigo sempre só alguéns. Não sei sequer se temos nome. Acho que sem o saber, certamente sem o querer, alguém me revelou o que calculo que quisesses esconder. Depois de mim o mundo não parou. Sempre tu e o teu astro imaginário em que envolto te vês. Iluminado, julgas tu. Asseguro-te que a lâmpada está fundida. Não emite calor algum. Há muitos anos que, como eu, é somente um nada. Um calor de nada, um sentir de nada, um viver de nada, um amor de nada. Era de ausência de respeito a que se quer chamar amar.&lt;br /&gt;Acabei por descobrir o que significa definhar sem estar doente. Se encosto os dedos uns aos outros descubro inusitadas camadas de gordura; o meu corpo meros ossos segurando a pele manchada de altinhos brancos; já não vejo madeixas de cabelo cair-me no rosto, camadas de empapada oleosidade juntam todas as fibras capitares; se os pés me gelam lá em baixo não quero saber, e a minha cama é o mundo inteiro. Às vezes rompo com a letargia e encontro o abismo. Pesadas camadas de névoa à minha volta, e um pânico crescente em auto-ódio, perder o medo ao tétano e golpear-me furiosamente. Porque mereço. Porque falhei em tudo. Porque me envergonho. Porque agi mal. Porque te perdi. Porque nunca te tive. Porque por ti perdi todo o resto da minha vida. Porque tenho culpa. Culpa de tudo. Porque talvez esta a única coisa que hoje consigo sentir. A dor que não seja por dentro, mas vinda de fora. Porque assim algo é real. Porque custa muito menos. &lt;br /&gt;Queres crescer? Queres secar dentro de mim? Por favor, aceitas corroer-me, destruir-me por dentro? Vem, por favor, eu deixo. Eu juro. Só quero que em ti me mates. Só quero que em mim tu morras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1692062010308198655?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1692062010308198655/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1692062010308198655&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1692062010308198655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1692062010308198655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/01/queerest-of-queer-and-it-aint-me.html' title='the queerest of the queer'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5098540833200120078</id><published>2010-01-24T19:32:00.000-08:00</published><updated>2010-01-24T20:13:43.896-08:00</updated><title type='text'>"até no que se inventa não vale apenas o que seria"</title><content type='html'>A noite chega-me sempre tão claramente... por entre as portas fechadas, em candeeiros por acender, em trancas a portas e janelas, por tábuas sobre vidros colocadas. A noite chega-me sempre quando não quero, e quando quero também. Não gosto de o dizer muito alto (talvez por medo de me ouvir dizê-lo), mas acho mesmo que ela nunca se vai embora. E é no rescaldo do assombro da sua chegada que procuro uma outra noite, uma outra porta, uma outra casa, um outro ser. Uma imagem que alguém crie, cheia de luz, cheia de vida. Uma imagem que seja distante, que me faça longe, que me seja longínqua, uma qualquer imagem que não seja eu.&lt;br /&gt;Hoje foi Clarisse quem ma trouxe. Leio e releio uma mesma frase. Leio e releio: "até no que se inventa não vale apenas o que seria"...&lt;br /&gt;Quatro da manhã. Significa que já é dia? Sveglia, dizia ela, Sveglia toca e toca e toca, Sveglia: o tempo. Sveglia toda a Humanidade e o que a atormenta. Sveglia, de ceifa na mão, mais ou menos cadavérica, mais ou menos diabólica, Sveglia em elixir, Sveglia em ponteiros que não conseguimos travar, Sveglia de olhos postos em tudo o que fazemos.&lt;br /&gt;Para mim Sveglia tem outro nome. Sveglia que me persegues, que sei seres tu a destapar-me noite fora, a sussurrar &lt;span style="font-style:italic;"&gt; acorda &lt;/span&gt;; Sveglia a invadir-me de ansiedade e de esperança, a projectar-me fantasias que nunca fui, Sveglia em tantos corpos, sob tantas formas, permanente na sua mudança ao longo dos anos, e nunca, absolutamente nunca, lhe posso chamar devir. Sveglia em mim és tu. &lt;br /&gt;Quanto tempo passou desde que um raio de luz sobreviveu aqui dentro? Por mais de dois segundos? Há quanto tempo foi? Já não me lembro... Há quantos anos me chega Sveglia e entra e sai de mim sem que eu te sinta? Há quantos anos de sedas, de cabedais, de dedos escorregando em ligas e corpetes e adereços mais ou menos burlescos, mais ou menos vazios? Há quantos anos tudo o que queiras, levando tudo de mim? Há quantos anos sugares-me a vida devagar, sofregamente, entre meigo e agressivo, entre homem e máquina, entre outras e outros vícios, entre trancas à porta do meu quarto e empurrões entre paredes, esborrachada até esguichar, quantos? Há quantos anos de novo flores, de novo dias, de novo voltares após meses ausente, de novo sorrisos, de novo homem que sinto em cada poro, de novo reflexo de vida? Há quantos anos talvez sim, talvez volte, talvez fique, talvez não mais agrilhoada, talvez nenhuma outra, talvez nenhuma marca, talvez nenhuma garrafa, talvez nenhum serviço? Há quantos anos serviços em que me vendes? E gostas de ver-me ser comprada e recomprada em cada noite mais carnívora. Mas sem as ligas, sem as plumas, sem fantasias nem disfarces, que esses são o que eu sou para ti, o manequim, e neles sou eu despojada de tudo, até de dignidade, neles eu ainda marioneta tua, mas eu em todas as minhas imperfeições. E ademais rentável.&lt;br /&gt;Há quantos anos doentiamente ainda quero que fiques? Há quantos anos esperando o dia, o dia...as minhas próprias fantasias reais...as minhas fantasias...não, meu Sveglia, nem mesmo nelas vale apenas o que seria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5098540833200120078?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5098540833200120078/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5098540833200120078&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5098540833200120078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5098540833200120078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2010/01/ate-no-que-se-inventa-nao-vale-apenas-o.html' title='&quot;até no que se inventa não vale apenas o que seria&quot;'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-895928545041793425</id><published>2009-12-19T07:29:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T07:50:50.781-08:00</updated><title type='text'>Elipse</title><content type='html'>Uma espécie de vertigem. Fechar os olhos e o chão baloiçar. Fechar os olhos e o mundo rodopiando e nós no meio, com uma pressão concentrada em moinha na cabeça. Fechar os olhos à espera que passe. Não sei já porque esperar. Uma adrenalina de tudo o que há para fazer, de todos os problemas latentes e iminentes, de todos os que se vislumbram e os que nunca foram embora. Querer lutar, querer ser melhor, ser mais forte. Uma espécie de zumbido lembrando o caminho a percorrer.&lt;br /&gt;Quantas horas passaram? Parece que foi ontem, parece que há milénios atrás. Quanto tempo desconhecido à minha volta... Caras familiares hoje tão incógnitas. Lutar só mais daqui a um bocadinho, enfrentar só mais daqui a um bocadinho, mover só mais daqui a um bocadinho, ser: só mais daqui a um bocadinho.&lt;br /&gt;Do mundo dos mortos se erguem as maleitas do ciclo que quero fechar. Fast foward e chegar ao fim. Que tudo acabe bem. Que enfim tudo acabe.&lt;br /&gt;Encontro os dedos de novo ensanguentados. Não me lembro de me levantar, não me lembro do xisato na mão, não me lembro de fibras soltando-se e laças ficando prontas a expor a carne. Não lembro, manhãs de nevoeiro que acalmam pela paz estagnada da penumbra.&lt;br /&gt;As horas não deixam, todavia, de passar. E o mundo gira. E a vida prossegue. E gritos e choros distantes por que lutar. E projectos inacabados urgindo uma ânsia de término. E gentes e espaços e rotas e sonhos. O mundo que rodopia numa vertigem. O mundo que se esgota por segundos, no embate do corpo contra o chão, no vermelho dos braços e das pernas, no esvair da ansiedade em flecha. Morrer por momentos e ressuscitar. A vida renovada que permanece imutável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-895928545041793425?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/895928545041793425/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=895928545041793425&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/895928545041793425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/895928545041793425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/12/elipse.html' title='Elipse'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8492172494812987392</id><published>2009-12-19T05:45:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T06:04:36.950-08:00</updated><title type='text'>Vendendo a alma ao Diabo (ou a história de um amor interrompido)</title><content type='html'>Tirei os livros do saco devagar, esses que nunca lias. Peguei neles delicada e cuidadosamente, talvez com medo de encontrar neles tudo o que não gostava em ti.&lt;br /&gt;Peguei nos livros, pousei-os na mesa, olho-os agora longamente. Num olhar pesado, demorado, vazio. Um olhar ausente. Nunca o disseste, não ousarias, mas eu sei que te assustava. Primeiro o assombro da inteligência e da diferença em que me vias, esse que me elevou a um pedestal; depois o susto de uma doença que não entendias; e finalmente a heresia de não ter medo de mostrar a minha fragilidade. Todos a temos em nós, todos, acontece que uns aceitam-na, outros mascaram-na. Eu, que me vejo menos do que sou, aceito-me. Quem diria, não é?&lt;br /&gt;Reparo nos livros: o azul da lombada do meu Orlando acalma-me. Parece que vejo nesses olhos pintados na capa um sorriso teu. E tu correndo na bicicleta trazendo as comprar para casa. E tu rindo do arroz natural do Julian. E tu sorrindo e abrindo os braços para me agarrar... Prendias-me com tanta força que nunca mais de lá saí.&lt;br /&gt;Passaram nove meses. Já não chegas a casa gritando "amor lindoooooooooooo"; já não me mostras no espelho como sou bonita; já não trauteias todas as manhãs ao levantares-te nu da cama; já não me trazes o pequeno almoço, nem me contas o teu dia, nem me beijas com uma lágrima no canto do olho por qualquer coisa que te escrevi.&lt;br /&gt;Devia ter-te mostrado Dorian Gray, em vez do moribundo de Tchekov. Talvez o medo de envelhecer te tocasse mais do que essa "história de um homem que morre". Como me chocou (e exasperou!) essa tua observação simplista! E hoje penso como preferia continuar a ouvir críticas pouco elaboradas de quem ignora a metafísica, mas ter os teus olhos brilhando só para mim, as tuas mãos aquecendo o frio das minhas, viagens em que custam despedidas, o teu corpo abraçando-me na noite.&lt;br /&gt;Olho os livros geometricamente colocados lado a lado. Os livros que leio. Os livros que me fazem sonhar. Os livros que me ensinam. E não, não são mero entretenimento do espírito, são o alimento da alma, são motores de evolução. Apesar disso, hoje rasgá-los, e dobrá-los, e pisá-los, e queimá-los. Vender a alma ao Diabo, acreditar no tarot (e é bom que me diga que voltas!), ir à bruxa, enfeitiçar-te sobre qualquer forma, até doar todos os meus livros, empilhados, povoados de memórias, de imagens, de estórias que o formam e os circundam pela minha própria história. Tudo para voltar a ter-te aqui. Aqui, dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8492172494812987392?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8492172494812987392/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8492172494812987392&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8492172494812987392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8492172494812987392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/12/vendendo-alma-ao-diabo-ou-historia-de.html' title='Vendendo a alma ao Diabo (ou a história de um amor interrompido)'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6628291761883612837</id><published>2009-12-06T14:20:00.000-08:00</published><updated>2009-12-06T14:39:29.833-08:00</updated><title type='text'>o Outro</title><content type='html'>Tudo tão negro à volta. As pessoas que passam e me vêem, me vêem tanto que me sabem mortal, que me sabem infame, tão aquém do que podia ser, de tudo o que devia ser, tão vergonhosamente nada. Todos os que passam parecem gritar-me a minha inferioridade, todos me olham pelo canto do olho. Quero fechar-me em casa, sozinha, sem mundo que me envergonhe por ser diminuta, por ser um qualquer resto do que fui, será que fui? Um vestígio, mastigado e cuspido, de algo irreconhecível. Tudo parece tão claro lá fora, agora que o vejo de dentro; tudo ferozmente brilhante nos olhos que se esgueiram para baixo enquanto rúbea se torna a face. Fechar todas as persianas, já! Fechar tudo, trancar-me aqui dentro, a sete chaves, e engoli-las depois. Passos. Parece que me perseguem esses esquadrões da morte que me mostram o quanto tenho de fraco, o quanto tenho de torpe, o quanto tenho de nada. Passos que sei que vêm de dentro de casa, mas não os vejo, não há corpos, só os passos cavalgando por dentro, cada vez mais alto, cada vez mais alto! Param. Tranquei-me no quarto, já não me apanham. O que se passa comigo? Não há aqui ninguém, não há, mera ilusão, só ilusão! E um medo tão grande deste medo que sinto, este medo que são todas as estórias que ouvi e me encheram a alma até rebentar, todas as outras que vivi e se esvairam por entre meus dedos ou demoraram até me queimar. Aqui ninguém, e no entanto parece que caras indefiníveis se descolam das paredes. Fecho os olhos, tranco-me aqui dentro, dentro de mim. Assim me dupliquei. Um clone meu vive a vida que deixei de ter. Será que também tem medo? Espreito para baixo da cama, com medo de por lá me ver, olhar o abismo e ele responder. Olhar, e o abismo ser eu. Assim sei, tal como o soube Herberto Helder, que "se eu quisesse enlouquecia".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6628291761883612837?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6628291761883612837/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6628291761883612837&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6628291761883612837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6628291761883612837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/12/o-outro.html' title='o Outro'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7401074756089939758</id><published>2009-12-03T16:03:00.000-08:00</published><updated>2009-12-04T11:10:37.212-08:00</updated><title type='text'>Adeus</title><content type='html'>Dizem que há duas formas de viver a velhice: um suspiro de saudade feliz, ou um amargo de boca que se carrega nas costas com o peso do mundo. Olha-se mais para trás do que para a frente, porque se espera que seja curto o resto do caminho, e o tempo que deixa saudade é a alegria de uma vida intensa, ou o remorso de tudo o que não se fez, de tudo o que não se devia ter feito, de tudo o que não se foi, sem perceber que não se é.&lt;br /&gt;Acho que vivo hoje uma reforma antecipada da minha própria ontologia. Um misto das duas fases. Um buraco que deixa sorrisos para trás e em que tudo estagnou, que não se quer voltar atrás mas não se sabe emendar o que condicionou a paragem do tempo... Agora, no epicentro de um buraco negro. E por ser infinito, o centro pode ser o todo, pode ser eterno. É como olhar no espelho e nada ver. Nem disforme, nem outro, não ver. Olhar para trás com saudade, sim, e não saber o que fazer com as cinzas desses tempos que não voltam. E não saber o que fazer com a incapacidade de os deixar ser só passado. E não saber o que fazer para que das trevas se saia em brumas mais iluminadas. E por momentos não saber mais porque lutar, porque viver. A vida um círculo perfeito, um afunilar de dias e emoções apáticas gritando. Esvair de forças, fechar o brilho dentro de uma lâmpada dita mágica atirada ao deserto, pequeno génio que talvez se evada de um buraco soturno que hoje parece negro, logo interminável.&lt;br /&gt;Estar perdido e assim procurar o saudosismo dos últimos tempos felizes, onde tudo claro e solarengo, onde leve e pleno, onde feliz. Quando perdidos no limiar de um não retorno, bloquear memórias felizes é imperativo para que se mantenha a sanidade mental. Sem alegrias mas sem martírios por não mais as ter, apático e mecânico, quase seco, um vazio cheio de vida fossilizada, cheio de ânsia e revolta.&lt;br /&gt;Para onde ir? Porque lutar? Porquê fingir que ainda se acredita? Porque o mundo sempre se renova e traz-nos de volta a nós mesmos? Por ser verdade? Se eu quiser sou somente um buraco negro. Um eterno nada num eterno vício. Olhar o abismo e este olhar-nos de volta... Nada poderia ser mais aterrador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7401074756089939758?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7401074756089939758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7401074756089939758&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7401074756089939758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7401074756089939758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/12/adeus.html' title='Adeus'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4879650074096715571</id><published>2009-11-12T04:49:00.000-08:00</published><updated>2009-11-12T06:25:21.042-08:00</updated><title type='text'>nostalgia beirã</title><content type='html'>Cheirava sempre a um misto de mofo, mimosas e água benta. Um pouco de giestas também. Ás vezes naftalina espirrando das arcas retidas na loja.&lt;br /&gt;A Beira da minha infância tem lojas por baixo de casas onde respira gado guardado e sacas de pevides e pêros e alhos. Em cada janela rendilhada de xisto uma velhota espreita curiosa, olhando por cima de óculos e xailes com os pés flutuando nas brazeiras, ensaiando olhares intimidadores de manhãs na igreja, de sermões de párocos e beijinhos no pézinho do Menino Jesus, tudo abençoado pela Serra brilhando branca no alto, verdejante pelas encostas de vinha. Em toda a Beira sempre metro e meio de terreno por que se perde a vida, sempre casas abandonadas onde os pés gritam saltitando a rapoza que juro que vi e afinal era um gatinho. Nas traseiras de qualquer casa beirã há sempre uma casa de férias de uns primos de França, esporadicamente, quem sabe, da Alemanha, do Luxemburgo, do Canadá, que num português esquisito, com muitos us e errrrrgs, nos mostram as novidades da pop estrangeira e nos enchem de espanto em meninas de biquinis reduzidos pelos pátios de cimento. Na Beira da minha infância nunca faltavam folares, filhós, bolos de soda, broas, nunca faltava um Cristo pendurado na parede cheia de fotografias antigas, nunca faltavam caminhos de pedra até ao rio onde se atiram pedras para saber "quantas bruxas há no Pesinho". A Beira da minha infância é Baixa, feita de gente que luta arreigada para resistir ao frio, à fome, ao feudalismo que nunca dali saiu. A Beira Baixa do Zézere, da Covilhã, das aldeias a caminho da Torre da Serra, é essa a minha Beira, terreno fértil do meu imaginário em sépia.&lt;br /&gt;Mas mais Beira há além do meu mundo de xisto. Campos e campos de granito a perder de vista, montanhas de frondosas árvores e cachoeiras, onde miúdos fazem rappel e antigos sanatórios abandonados se erguem, onde se excitam queimadas de Judas pela Páscoa, e relaxam banhos de malvas em orações populares. Uma outra Beira, mais Alta, de um imponente Caramulo que não alcança a Estrela, dos mesmos primos emigrantes, dos mesmos metros de terreno por que se mata, das mesmas lojas, das mesmas comadres da Igreja, mas sem as minhas pedras ao rio, sem os meus serões olhando fotografias de pessoas que não conheço e dizem ser da minha família, sem madrugadas acordadas pelo sino que me diz as horas, tão improváveis na sua alvorada, que juro que não queria saber. Uma nova Beira onde encontro homem, desconhecido nos tempos beirões de correrias infantis, onde descubro uma nova forma de alegria, nova forma de rir, nova forma de chorar. Uma nova Beira onde descubro o beirão, talvez parecido na minha Baixa Beira, talvez igual por todo Portugal, talvez só ali, de espingarda para a caça na mão, de fotografias de mulheres-objecto, de idas à prostituta com os amigos, e outras anormalidades tão normais ali. E no entanto ao mesmo tempo tão terno, por trás da máscara do Rei da Aldeia, nos intervalos de inchar o peito e em braços de ferro medir o pénis, que em tanta testosterona há sempre um homem e uma criança, um homem corajoso e divertido, um homem terno e atencioso, uma criança traquina e inconsciente, uma criança ingenuamente má. Assim se faz o melhor e o pior de um mundo de granito em que mulheres vestem as calças para ser submissas.&lt;br /&gt;Eu, que guardo a Beira apertada junto ao peito numa memória da infância, não consigo voltar para esse mundo de cinzenta beleza em rígida fisionomia, não consigo ficar nos olhos azuis de homens que cospem para o chão, não sei ser parte da feudal hierarquia social de uma Beira que amo, tanto Baixa como Alta, toda a Beira que é em mim em tantas fases da minha vida. Eu, como Lisboa, por vezes como o Porto, diletante e vagueante, um mundo que me corre pelas veias e escorre em tinta, um mundo de novidades culturais, de experimentalismos, de emoções à flor da pele, de liberdade, de ser tudo o que sou e tudo o que posso ser, sem amarras, sem que me julguem, sem que me queiram prender. Não sou da Beira, por muito que ela respire em mim e me faça sorrir. Não sou da Beira, não, não sou pedaço de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4879650074096715571?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4879650074096715571/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4879650074096715571&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4879650074096715571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4879650074096715571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/11/nostalgia-beira.html' title='nostalgia beirã'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5999417397997209644</id><published>2009-10-23T12:38:00.000-07:00</published><updated>2009-10-24T08:03:30.167-07:00</updated><title type='text'>O melodrama infantil das cartas esquecidas</title><content type='html'>A última carta de amor. Desta vez não há volta. A última. Rasgada diversas vezes para que fosse perfeita. Saída de impulso mas relida, e relida, e relida, e por isso alterada, e rabiscada com mais ou menos raiva, mais ou menos saudade, mais ou menos ternura, mais ou menos amor. Rabiscada e riscada e chorada. Um alívio. Uma pedra de novo atirada, presa, bem no centro da boca que não abre. Queres sair? Quero que saias? Será que ficas? Será que volta?&lt;br /&gt;Escrevi a última carta de amor. A derradeira palavra, o gesto final, um último grito, suspiro, apelo, sussurro, se quiseres sussurro apenas, sopro ao teu ouvido como tanto gostavas, sopro as palavras que não sabes dizer mas que gostas tanto de ouvir. &lt;br /&gt;Carta. Palavras cravadas em mim que o vento te leva, que nunca retens, que nada te fica, passageiro, entra forte e sai depressa, como o amor, que te enche de alegria e esfaqueias na ânsia da juventude desregrada, no mercado de mulheres que achas que tens à porta, que te oferecem de mão beijada, fica com a minha filha, fica, é moça casadoira, fica com a minha filha que, verás, o juízo não te amola e tem orgulho em que vás à caça, fica com a minha filha que vive a vidinha simples dos seus 22 anos, que é bonitinha e sossegadinha e a família de bom nome. Um dia ficas, sabes disso? Um dia vais mesmo ficar, e a cidade toda em festa, e tu levado em braços, grande herói das caçadas, o profissional de sucesso, o homem viril, o mais bonito, o mais charmoso, o mais simpático, o presidente da Junta, o rei da aldeia. Podias ser tão melhor, sabias? Se fosses tudo o que em ti pode ser serias quase perfeito. Se olhasses mais à volta e menos para o centro de ti.&lt;br /&gt;A última carta, juro, e não te torturo a cabeça em voltas indescritíveis, não falo em metáfora, não complico. Tudo simples, como gostas, tudo evidente, tudo racional. Em mim fica o inominável, que a vida é bem mais que a clareza da clássica palavra, mais do que a lógica matemática da conjugação de sinalagmas. A vida é sonho. A vida é um turbilhão cá dentro. A vida mostro-a e aceito-a em mim.&lt;br /&gt;A finalíssima carta, depois não insisto mais. Que é pouco já o que digo... Palavras gastas pelo tempo, pelas horas que quis matar em mim, pelas esperas incansáveis, pelas vãs esperanças, pelo vazio que em ti cresceu, pela campânula em que me escondo agora, alheia a choques de realidade, distante de um mundo de mundanas sensações sentimentais.&lt;br /&gt;Última carta de amor...que só talvez envie. Para que a leias bocejando o aborrecimento de um ego imenso a inflamar. Para que depois, quase indiferente, a deites para o lixo. E então sim, finalmente, como tanto queria, a última carta de amor da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5999417397997209644?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5999417397997209644/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5999417397997209644&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5999417397997209644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5999417397997209644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/10/o-melodrama-infantil-das-cartas.html' title='O melodrama infantil das cartas esquecidas'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5446940160879030520</id><published>2009-10-05T16:47:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T16:58:29.590-07:00</updated><title type='text'>Almas Penadas</title><content type='html'>Quero que teus sejam&lt;br /&gt;os pés da minha tortura,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada dança girando&lt;br /&gt;iluminados,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como num sonho &lt;br /&gt;teus pés&lt;br /&gt;cheios de nada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vazios de tudo&lt;br /&gt;rodopiando na mesma estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que à noite&lt;br /&gt;em mim se calquem só por ti,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de luas novas&lt;br /&gt;em mim se vazem orifícios,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que o sangue escorra imenso&lt;br /&gt;em cada esquina,&lt;br /&gt;e num só grito o céu se abra&lt;br /&gt;e me soterre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus pés ainda&lt;br /&gt;Por entre lama e musgo,&lt;br /&gt;Pelas frestas da calçada,&lt;br /&gt;Entranhados na solidão&lt;br /&gt;da pedra escura,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda choram,&lt;br /&gt;crianças perdidas na escuridão,&lt;br /&gt;Ainda gemem,&lt;br /&gt;orgasmos abafados pelo medo,&lt;br /&gt;Ainda vivem, &lt;br /&gt;eterna presença indesejada,&lt;br /&gt;fantasmas que insistem em não&lt;br /&gt;morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calçada sou à sombra da tua passagem.&lt;br /&gt;Pisada sou à força de vivo te querer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5446940160879030520?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5446940160879030520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5446940160879030520&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5446940160879030520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5446940160879030520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/10/almas-penadas.html' title='Almas Penadas'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-637557703746897441</id><published>2009-09-13T18:20:00.000-07:00</published><updated>2009-09-13T19:15:18.414-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='do grego MÁSCARA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Persona'/><title type='text'>persona</title><content type='html'>Juraria que os mesmos olhos, o mesmo azul esverdeado em que descobri pontos cinzentos no centro, perto da pupila. Os mesmos olhos, quer se acredite quer não, com a mesma tendência para focar o pormenor que passa ao lado aos demais, sempre tão minucioso na sua observação do real. Do fisicamente real.&lt;br /&gt;Olhei os mesmos olhos, tão dentro como outrora, tentado entrar tão fundo, procurando insaciavelmente ver. Lembrei uma lágrima de emoção mal escondida, lembrei uma confissão, lembrei beijar-me a alma com um olhar, lembrei procurares ser-me mais. Olhei os mesmos olhos para deles te puxar, e neles só estáticas sombras, não mais sorridentes brilhos, não mais emoções palpitantes.&lt;br /&gt;Tentei as mãos mas os impulsos suculentos já lá não estavam, oscilam agora entre o tédio e a hiperactividade, um calado "despacha-te! raios partam a gaja!", ou na melhor das hipóteses "que horas são?", contentando-se em remexer um jornal ou pegar em mais um cigarro.&lt;br /&gt;Os lábios - antes tocados, lambidos, beijados, roçados, mordidos - movem-se descoordenadamente, emitem sons que já não reconheço, parecem vazios, quase perdem a vermelhidão, quase já nem os escuto, nada ecoa em mim.&lt;br /&gt;Olho-te agora e é já nada o que sinto, o nada...que é pesado e sombrio, que é abafado e torpe. E em ti vejo já outros rostos antigos, outros antes de ti, outros que foram amores para a vida, paixões arrebatadoras, vidas construídas ou meros encontros casuais. Estranha a minha forma de viver, todos os que me cruzam me marcam e me fazem de alguma forma falta. Em ti também caras de amigos que afinal não quiseram mais sê-lo, faces de quem foi uma vida inteira, antes de qualquer homem vinha ela, porque melhor amiga e isso, sem dúvida, para sempre, porque tantas peripécias de ombros chorados e escudos protectores. No fim para todos o mesmo vazio, a mesma incerteza, a mesma dor. Lembrá-los sempre presentes esquecendo o mal (por vezes tanto...), lembrando o bom mas sem conseguir afastar a mágoa. Olhar-te e não entender não porque partiste, mas porque insistes em fingir que não foi assim tão importante, que não queres saber, que afinal dois estranhos e não te conheço, e não me vês mais pelo que sou, que já não sou, que não marquei, não fui. Será arrogância ou insegurança querer ser eternamente recordada nos corações de quem por minha vida passa? Talvez ambas. Talvez nenhuma. Se eu lembro tudo mesmo o que é já longínquo, porque é que os outros não hão-de lembrar? Lembrar que houve tempos em que se ria em uníssono...E juro que quase voavamos.&lt;br /&gt;Não é o tempo não voltar para trás que me atormenta, é o seu rastro não ficar cravado nas almas alheias das fisionomias que me tocam. Tocam e fogem, sempre. Tocaram-me e foram-me... Será que eu fui? Talvez um dia relembrem, quando ao olhar para um rosto estranhem nada do que o definia lá estar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-637557703746897441?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/637557703746897441/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=637557703746897441&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/637557703746897441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/637557703746897441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/09/persona.html' title='persona'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1518467897925199127</id><published>2009-09-07T15:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-13T05:59:42.226-07:00</updated><title type='text'>Impressões de uma fuga adiada</title><content type='html'>Nevoeiro. Praia de Espinho ao lado. Comboio. O areal salpicado de arbustos e não ervas daninhas onde a fertilidade se esvai. Praia. Nevoeiro e maresia. Posso correr? Ali parece respirar-se melhor. Posso nadar? Ali parece que se sente menos. Posso ficar?&lt;br /&gt;Ainda carris e carris a perder de vista, esta força que me puxa segue frenética e não sei mais de onde vem. E de onde venho? Para onde vou? Lá fora tudo tão inerte, uma espécie de selvática natureza virgem, uma espécie de nova cidade a descobrir, um novo mundo.&lt;br /&gt;Pergunto-me se poderei talvez hoje ficar. Parar. Ás vezes penso como seria parar o tempo... Congelar um início de acção, o papel que cai fica suspenso, a boca escaqueirada da senhora ao lado, o acidente quase a ocorrer, e eu movendo-me entre a alheia imobilidade tão frágil. Nos filmes esta imagem tem sempre uma certa névoa associada que não entendo, mas parece-me bem o dramatismo. Aqui a neblina é natural,nem preciso de artifícios sofisticados para alargar a imaginação. A imaginação respira maresia, emerge dela, é o tempo parado da praia estática.&lt;br /&gt;A rota traçada quase me leva daqui, e cravo os dedos à imagem da praia de onde não quero sair, cravo os dedos ao tempo nulo que quero que fique, cravo os dedos cerrando os olhos, no meu sonho posso estar onde quiser, no meu sonho posso ser o que quiser, no meu sonho não tenho mais por que fugir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1518467897925199127?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1518467897925199127/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1518467897925199127&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1518467897925199127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1518467897925199127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/09/impressoes-de-uma-fuga-adiada.html' title='Impressões de uma fuga adiada'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-3887389186503979223</id><published>2009-08-30T18:11:00.000-07:00</published><updated>2009-08-30T18:36:57.031-07:00</updated><title type='text'>CODA</title><content type='html'>Ainda é dia lá fora? Há janelas aqui mas não consigo ver, o céu parece não ter movimento, nem cromático nem de qualquer outro tipo, as nuvens existem em neblina, nada formam, nada são, vazias de tão cheias. Assim também os rostos que me circundam, entram olhando para baixo, quase autómatos, sem vontade de chegar, sem saber como partir. Acho que chegamos todos à espera que o tempo mude, um raio de sol, uma razão para existir. Nada lá fora se move, e as palavras cá dentro parecem-me sempre iguais, sempre as mesmas por vozes diferentes, em estórias de vida (em si verdadeiras Histórias) sempre tão semelhantes, em gestos envergonhados, em gestos raivosos, em gestos contidos. Como o tempo, contidos, com medo, quase inertes, quase vivos. Acho que vimos todos à procura da nossa multidão, onde nos iludimos que somos um grupo para que afinal fiquemos sózinhos.&lt;br /&gt;Esqueci como chorar, sabias? E tu és afinal já como tantos, como todos, como nenhum. E tu não és. Mais uma vez não és tudo o que poderias ser. Ou eu não sou tudo o que quero. Ou eu tenho medo de voltar ao ser que fui e por isso fujo antes de saber, antes de procurar no céu denso um raio que penetre um manto que sou eu fora do mundo.&lt;br /&gt;Já nem me importa se faço ou não sentido. O mundo não faz qualquer sentido aqui (se em algum lado). Os olhares não se cruzam, as palavras não são mais que estacas que espetamos ou retiramos de nós próprios, o conforto que esperávamos não vem, e no final nem o alívio de saber que há quem sinta o mesmo, que não somos os únicos, nos salva. Em última análise somos todos o mesmo conjunto de decrépitos corpos que se cortam e se desmembram e se morrem em nome de outro alguém, em nome de um despojamento de si próprio, em nome de nadas que inventamos para pintar os tecidos incolores desse firmamento que nunca muda, sufocante permanência de vazio, um precipício que nunca mais vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-3887389186503979223?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/3887389186503979223/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=3887389186503979223&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3887389186503979223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3887389186503979223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/08/coda.html' title='CODA'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8835757220343963320</id><published>2009-08-29T18:14:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T18:42:22.778-07:00</updated><title type='text'>Delirante vento da madrugada e suas reflexões insípidas</title><content type='html'>Era para ter saído. Era para ter trabalhado num projecto antigo que se arrasta. Era para ter lido, talvez, e certamente dormido, era para ter escrito algo de útil e ter programado os dias, nova agenda, afazeres obrigatórios e culturais deleites de espírito, tudo delineado em alemã exaustão. Não quero. Gosto da espontaneidade do vou e pronto, que não posso, e de dizer hoje quero Porto e partir, também não posso. De tanto não poder ardem-me amarras. E para meu próprio espanto já não doem.&lt;br /&gt;Passo a vida a querer fugir, querer mudar, saltitar de nova em nova actividade, aprender mais, conseguir mais, ver mais, e apesar disso no fundo somente fugir... É não estar bem em parte alguma, é nunca nada me chegar. Quis ser tanto e tudo o que não sou que me perco e assim prejudico o que ainda posso. Escolhi estudar Direito pelos mesmos motivos que antes quis ser psicóloga: ajudar os outros, dedicar-me a um bem maior, lutar por algo melhor, lutar por um sonho, ser possível, ser mais suave, a vida existir em todos de facto. Escolhi deixando um pouco para trás...Escolhi o racional desafiante, deixei o impulso criativo, e nunca soube desligar-me, por isso o cinema voltou, por isso se apoderou, por isso a música para trás com lágrimas que fui guardando. Tenho demasiada vida pulsando cá dentro, irrompendo em actos de tudo a que me dediquei ou deixei de dedicar, uma imensidão de ser que nunca aprendi bem a explorar. Amarras com que me prendo por medo ou sede de algo que não tenho, amarras de tempos que desperdiço em homens que julgo poder salvar, vidas disfuncionais e intrigantes, amores impossíveis que quero tornar meus. Assim me perco, assim me dou, assim me escondo. Escrever é tudo o que me resta, esperando um pouco de talento no final, esse em bruto ou potencial que guardo longe, porque até aos 30 anos não se publica, não é Virginia? Até aos 30, símbolo da maturidade intelectual e criativa.&lt;br /&gt;Enquanto espero uma luz, que se o prolongado estado de insónia ficar nunca virá, vou planeando, e fazendo, às vezes fugindo, às vezes ficando, às vezes acreditando que é possível tudo ao mesmo tempo, outras decidindo mudar, e assim me defino e me vou sendo, jovem criança em corpo que se quer adulto, anciã alma em corpo jovem. Um dia por inteiro. Um dia. E até lá ficam as estrelas, fica Maria João cantando pela enésima vez ao vivo no Hot Clube, fica a sua voz forte de terra e divinamente suave eternamente incrustada em meus ouvidos, ficam as estrelas no céu e um cavalo branco ao longe. Hoje não me importa se desce ou não. Não quero mais ser salva. Quero encontrar o eu de que tanto fujo. E calando um antigo céptico suspiro digo: talvez até goste de mim. Só aí outro será, e sei que não intervenção divina, não conto de fadas, não alado salvador, mas ao invés bem real, dançando bem perto, apertando-me, o vento rodeando e depois...o que o vento esconde só a nós pertence, um mundo outro que sejamos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8835757220343963320?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8835757220343963320/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8835757220343963320&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8835757220343963320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8835757220343963320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/08/delirante-vento-da-madrugada-e-suas.html' title='Delirante vento da madrugada e suas reflexões insípidas'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4727477959904424720</id><published>2009-08-27T08:59:00.000-07:00</published><updated>2009-08-27T09:18:36.497-07:00</updated><title type='text'>Invicta</title><content type='html'>Gosto da moleza do Verão, tudo se extende quase a um infinito desconhecimento de horas, manhãs que passam devagar até às nove da noite e sem sabermos lá se foi o dia.&lt;br /&gt;Gosto dos Verões do Porto. Vento e gaivotas, calor e humidade, um dia nublado escuro quente, um dia sol imenso e frio das correntes nortenhas, o desordenar da amplitude térmica. &lt;br /&gt;Gosto de vaguear pelas ruas do Porto com vozes de vogais abertas e cantorias inusitadas, de gordura a toda a volta mas a cidade estranhamente limpa, dos músicos na Ribeira e dos engraxadores de sapatos em São Bento, das meninas alternativas de cabelos pretos (acho que é pré-requisito) e das "femmes fatales" de pastilha mascada entre grunhidos, dos corredores do Parque e dos seus cisnes, dos longos labirintos de Serralves e da Casa da Música, do vinho do Porto (ó tanto!) e da francesinha, de descer os imponentes Aliados e sentir que sou livre, o mundo é meu aqui em tons cinzentos clareados pelo azul claro do dia, e se turquesa fosse diria ser já meu fascinado olhar em si reflectido.&lt;br /&gt;Sem saber porquê o Porto tornou-se uma espécie de refúgio, um escape, encontrar no Douro uma certa liberdade, uma certa auto-estima, uma certa calma. Vir ao Porto e saber que sou de cá e sou de fora ao mesmo tempo, sentir a calorosa recepção e a impiedosa crítica, sentir o rio, sentir as ruas, sentir as gentes, sentir. Embrenhar-me em livros e espectáculos, dança acima de tudo, olhar os movimentos de corpos iluminados e ao som forte da música envolver-me numa espécie de reencontro comigo.&lt;br /&gt;Gosto de pessoas que sabem sorrir, que sabem sentir, que sabem abraçar, que sabem só com os olhos falar, que sabem ser cordiais, e ser educadas, e ser cavalheiros, e ceder o lugar à velhota no autocarro, e olhar-nos a sério, de frente, expressando em palavras o que de verdade a alma sente. Gosto de pessoas que dançam com as mãos, em entrelaçados dedos de emoções não ditas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4727477959904424720?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4727477959904424720/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4727477959904424720&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4727477959904424720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4727477959904424720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/08/invicta.html' title='Invicta'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-3955509364823218878</id><published>2009-07-28T04:54:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T07:50:34.079-07:00</updated><title type='text'>Os pénis atrofiados</title><content type='html'>"Acho bem que a mulher tenha alcançado igualdade em relação ao homem mas não pode fazer o mesmo que critica nele, não pode perder a sua dignidade". Assim dito até parece bonito, quase parece igualitário. Dito assim parece um homem moderno, século XXI, daqueles que percebe que a homossexualidade não é uma doença, daqueles que não discriminam em função de raça, etnia, nacionalidade. Daqueles que estão em paz com a sua consciência.&lt;br /&gt;Assim exposta a questão quase pensamos que Portugal está menos machista, que a nova geração marca a diferença, que há esperança. Podemos todos ir a um bar e ter igual direito a sentir desejo, e levar para casa, sexo faz-se a dois e portanto ambos são iguais. Podemos ter amigos que gostam de one night stands e nós não e sairmos todos juntos e não sermos todos metidos no mesmo saco. Podemos foder alguém só porque nos apetece e lhe apetece e isso não nos rotular, o homem o herói da testosterona e a mulher a porca puta de esquina. Nada disto é hoje Portugal, Europa, Mundo, não é?&lt;br /&gt;Mas dá-se por garantido que está no papo, e comenta-se a maior ou menor intensidade com que se abre as pernas, e relembra-se e acrescentam-se momentos de loucura em praça pública, e "que foda!" e "que grande putéfia" e "fi-la gritar" e são as duas iguais por isso "só não sei onde vou dormir esta noite..." esperando que com ela. E elas sou eu, és tu, todas as mulheres reais e por nascer. Anos de luta e revolta não serviram para uma revolução sexual. Há hoje mulheres grandes profissionais, mulheres em cargos dirigentes, mulheres políticas, mulheres independentes, mas há ainda mulheres despedidas por gravidez, mulheres que são putas se se vestem mais ousadamente, que "querem é chamar a atenção", que "estão a pedi-las", mulheres que são carne de supermercado ou rameiras porque "perdem a dignidade", essa que parece que o homem nunca teve. A mulher se quer ser igual ao homem deve ser melhor que ele e não ter a mesma oportunidade, antes superar numa ética de divindade castrada. De facto, deve ser esse o sonho de qualquer mulher, dessas extremistas que queimavam soutiens. Não há opressão que se vença sem um pouco do que chamam "extremismo". Revolução define-se por ruptura e qualquer cisão é um extremo. Então que me chamem extremista, que me chamem fanática se não sabem a distinção. Não quero é ouvir mais barbaridades de mulheres que "não podem perder a dignidade", que é por pouco mais que há outras partes do globo (essas sim fanáticas) em que a mulher é chicoteada, apedrejada, enforcada porque, imagine-se, tem hormonas e desejo sexual. &lt;br /&gt;E neste país de touros e de vinho e de testes de virilidade, afinal o que um Filipe disse podia ter sido dito por um Diogo, ou um João, ou um Miguel, ou todos os nomes de homem que se imagine. E, cereja no topo do bolo, chega depois uma Patrícia e declara altivamente que "a turca (não tem nome?! ah, é verdade, por esses lados é tudo Mustafa e as mulheres nem se sabe porque não têm voz nesses países atrasados em que se usa burca, não é?) é uma puta". E eis que o machismo também floresce nos pénis atrofiados das mulheres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-3955509364823218878?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/3955509364823218878/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=3955509364823218878&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3955509364823218878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3955509364823218878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/07/acho-bem-que-mulher-tenha-alcancado.html' title='Os pénis atrofiados'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8215712877688008553</id><published>2009-07-26T17:45:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T18:19:39.623-07:00</updated><title type='text'>pensamentos de uma amante chamada Inês</title><content type='html'>Acho que nunca soube muito bem ao que vinha. Acho que não encontro retorno. Acho que me habituei. Acho que não sei ser outra coisa. Acho que isto talvez seja o que sou. E o que somos todos afinal? O que fazemos? O que sentimos? Qualquer das duas me torna nada, ou demasiado suja para ser. Só isso me define? Podemos um dia ser o que queremos? O dia em que ninguém mais nos cala. O dia em que mais ninguém nos atira para a terceira idade dos 23 anos, a dor do peso de se ser velho cedo de mais. O dia em que mais ninguém além de nós para que sintamos que somos.&lt;br /&gt;E se hoje te dissesse tudo isto? E se hoje te dissesse "não voltes" quando entrares, careca que cedo será decrépito. E que gosta de mim porque gosta de me mostrar, pedaço de carne que te rejuvenesce com o lapso das gerações que nos separam. Feiras de vaidades e medos de envelhecer. Prometo não te dizer que se calhar nem tens assim tanta importância, que não foste tu que me ensinaste a vestir, a pôr maquilhagem, a ser inteligente, a ser bonita, a foder. Prometo fingir que cresci por causa de ti. Sabias que sei que sou eu como podia ser outra qualquer, que me chamo Inês mas uma Marta, uma Irene, uma Luísa seriam exactamente o mesmo prolongamento do teu esperma?&lt;br /&gt;Mas quando entras sorrio, e se te peço ajuda e me respondes com uma sugestão de broche eu encho a boca e esvazio a alma. Dão nome a isto quando se recebe dinheiro no fim, sabias? E eu nem dinheiro, nem carinho, nem amor. Amor... Amas-me e deixas que me envolva com outros porque "é a minha natureza". A tua provavelmente é não sentir. E mandar. E achar estranho eu não saber. E ser tão magnânimo ensinador. Um dia trocas-me por uma virgem e acho que me vais chamar de putinha quando me lembrares com os teus amigos numa noite de copos. Será que não o fazes já? Gastei toda a minha juventude com a ilusão de te ser. Hoje acho que saio por essa porta assim que entres e nunca mais volto. Juro que só vou dizer adeus, nada mais. Quando chegares eu talvez não esteja aqui. Quando chegares, eu juro, hoje é a última vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8215712877688008553?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8215712877688008553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8215712877688008553&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8215712877688008553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8215712877688008553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/07/pensamentos-de-uma-amante-chamada-ines.html' title='pensamentos de uma amante chamada Inês'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4986629510330635063</id><published>2009-07-20T06:00:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T06:12:35.559-07:00</updated><title type='text'>múltiplos</title><content type='html'>Não me parece mais que venhas. Portas batidas a mais atrás de mim. Portas que já não se abrem. E não são as fechaduras enferrujadas, não são as chaves perdidas, não são os trincos, são os olhos que não mais vêem que de portas abertas se fala. Escancaradas. Luz ao fundo, talvez, mas tanta sombra à nossa volta. E tu és tanta gente ao mesmo tempo. E tanta gente forma tudo o que não és. Vejo-te quando olho ao espelho mas sei que não te conheço. Às vezes ainda te lembro, mas não sei se te quero lá. Se partir o vidro num murro é a ti que desfaço ou a mim mesma? Pedaços de carne ou de nada saltando dispersos num grito e tanto sangue à volta... Resta alguma coisa de nós? Ainda somos? No espelho não há fusão, há distância. Tu e eu não somos um só. Nunca seremos um só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4986629510330635063?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4986629510330635063/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4986629510330635063&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4986629510330635063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4986629510330635063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/07/multiplos.html' title='múltiplos'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-2127277012919414649</id><published>2009-06-30T09:03:00.000-07:00</published><updated>2009-06-30T09:07:52.438-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='foto da autoria de Raquel Pires'/><title type='text'>Souvenir</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8Fi02hRRkW0/Sko3uGNhEDI/AAAAAAAAABA/DDFhTub9rD0/s1600-h/pola.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 291px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8Fi02hRRkW0/Sko3uGNhEDI/AAAAAAAAABA/DDFhTub9rD0/s320/pola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353152372164071474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Summer will bring you over...Will you stay forever?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-2127277012919414649?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/2127277012919414649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=2127277012919414649&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2127277012919414649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2127277012919414649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/06/summer-will-bring-you-over.html' title='Souvenir'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8Fi02hRRkW0/Sko3uGNhEDI/AAAAAAAAABA/DDFhTub9rD0/s72-c/pola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7917120043405329401</id><published>2009-06-28T16:49:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T17:00:19.912-07:00</updated><title type='text'>não dizer</title><content type='html'>Quanto custa dizer adeus? Uma conversa acaba, porque um silêncio o cria, porque um contratempo o traz, porque uma emoção o precipita, um adeus é dito, um brilho no olhar, um sorriso, um até logo. Quanto custa dizer "até logo", "até breve", "beijinhos"? Quanto custa passar de "beijo" para "beijinhos" para "adeus"? Um beijo longo e depois já só acenar, do outro lado da rua, olá, talvez, quem sabe nem isso. Uma palavra que custa a sair, que saltita insegura garganta acima e depois se enrola de novo para trás na língua. Quanto custa dizer "eu amo-te"? Quanto custa dizer "eu já não te amo"? E quando lê-lo num outro rosto? Por vezes a diferença não é nítida. Por vezes, de tão confuso, não há diferença.&lt;br /&gt;Erra-se vezes sem conta. Explode-se vezes sem conta. Teme-se vezes sem conta. Sofre-se vezes sem conta. No final o que nos fica só a dor de um adeus que não se disse, e a lembrança de um sorriso rasgado de outrora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7917120043405329401?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7917120043405329401/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7917120043405329401&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7917120043405329401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7917120043405329401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/06/nao-dizer.html' title='não dizer'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-3896190135953237880</id><published>2009-06-23T02:28:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T02:38:23.350-07:00</updated><title type='text'>Saudade</title><content type='html'>O passo mecânico, a alma estática, caminhava sem andar por entre as sombras do corredor quase cega. Caminhava, sem saber para onde ia. Não ia, ficava. Ficava no mesmo local de onde nunca saiu. Queria gritar, queria chorar, queria odiar, queria esquecer, mas nada além de um tumultuoso vazio fervilhando e o corpo numa rigidez apática.&lt;br /&gt;Quantos dias passaram? Quantas horas? Quanto tempo mais sem ver além do longo corredor de memórias? Todas as lembranças que a fazem sorrir e chorar por não mais serem presente. As lembranças e as palavras que martelam, martelam, marcham em Exércitos de fim. E as culpas e as inseguranças e as dores que a invadem, irracionais, tão normais para quem não gosta de si mesmo. E se gostasse mais voltavas? E se... E nada que se possa fazer para que o passado renovado hoje seja. E acabou.&lt;br /&gt;O amor é um punhado de corredores em labirinto, que passamos a vida a sonhar que se cruzem no final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-3896190135953237880?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/3896190135953237880/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=3896190135953237880&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3896190135953237880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3896190135953237880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/06/saudade.html' title='Saudade'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4128325915260997791</id><published>2009-06-14T14:18:00.000-07:00</published><updated>2009-06-14T14:25:51.416-07:00</updated><title type='text'>Polaroid</title><content type='html'>Se hoje me apetecer escrever algo feliz ainda saberei fazê-lo? Acho que nos escorre mais nas veias a tinta do que fere, precisa sair, expelir, explodir em mil direcções e jorrar até esvaziar o pus que dentro cresce e putrefica. O que é feliz vive-se, sente-se, inspira-se, é-se. E escrever é fingir, é pegar no que em nós fervilha e torná-lo outra vida, outra estória, outro mundo. &lt;br /&gt;Se hoje me apetecer ser feliz subo ao telhado, rasgo as meias ao trepar, levo vinho comigo, sento-me a fitar o céu e a cidade que à minha volta frenética se move e eu tão calma... Bebo, canto, olho longamente, danço até e rio. Rio contigo que estás em mim, que és aqui, parte de tudo o que sou. Guardo-te num vestígio polaroid do fim de tarde, e revejo o brilho dos olhos nas cores que nascem de uma mancha cinzenta. Posso contar-te um segredo? Gosto muito de ti. Acho que já o sabias. &lt;br /&gt;Se hoje me apetecer ser feliz lembro-me que ainda há um firmamento que nos cobre, telhados que nos unem, uma polaroid que nos perpétua, e amor não erotizado que é a amizade. Único amor que não se desfaz na intensidade de existir. É de sempre. É para sempre. É com um olhar apenas saber já tudo o que não se diz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4128325915260997791?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4128325915260997791/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4128325915260997791&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4128325915260997791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4128325915260997791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/06/polaroid.html' title='Polaroid'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6719844164084628857</id><published>2009-06-09T15:04:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T14:42:41.638-07:00</updated><title type='text'>um vazio em vez de um nome</title><content type='html'>Laura sabia que não tinha importância. Não importava que as flores murchassem, não importava que se deixasse comida no prato, não importava que a cama ficasse um pouco amarrotada, a louça do pequeno almoço para lavar ao almoço, a roupa por passar mais uma noite. Laura sabia que o mundo não acabava se deixasse o último capítulo da matéria para amanhã, que se esquecesse a data do nascimento do filho não primogénito do rei, desde que soubesse o reinado, não veria o seu percurso escolar terminado. Contudo, para Laura a rotina era vital. Acordar às 9 horas, pequeno almoço para si e para a irmã e a amiga da irmã e os namorados de ambas mais o amigo que foi ficando no sofá, tomar um duche, a maquilhagem (não vive sem ela), a blusa "decente", escovar o cabelo, lavar os dentes, comida na tigela dos gatos, lavar a loiça, sair, sete voltas à fechadura, bater duas vezes com o pé no último degrau da escada, primeiro o esquerdo, depois o direito, sempre ambos para que nenhum fique descompensado, comprar o jornal num bom dia ao senhor Gracindo, apanhar o autocarro, o 35, às 13h40, 14 horas em ponto no emprego, pausa às 17 horas e só a essa hora, café, meio pacote de açúcar, duas voltas com a colher, tragar de um golo, 19 horas correr para apanhar o 31, quatro horas de Faculdade, casa, mudar de autocarro duas vezes, sete voltas à fechadura, cinco vezes esfregando os pés no capacho e fazer o jantar, só peixe ou salada, para todos, lavar a cozinha, lavar a casa de banho, um banho, besuntar o corpo em cremes, estudar um capítulo de cada disciplina, rezar ajoelhada junto à cama, dormir.&lt;br /&gt;Tudo mudava às terças e quintas, tudo por causa do ginásio pela manhã: aula de taichi, aula de fitness, aula de pilates, aula de interior cycling. Longo banho de balneário, almoçar na cantina, estudar na biblioteca, às vezes visitar as exposições da Gulbenkian, só para ver como se vestem bem as pessoas que frequentam aquele espaço, não comprava roupa mas seguia os últimos gritos da moda, imitava os modelos que vê pelas ruas e revistas nas suas vestimentas, fá-las ela mesma nas pausas de domingo à tarde quando não vai à terra. Vai cada vez menos.&lt;br /&gt;Se a convidassem para sair à noite não ia, a menos que fosse sábado, e as poucas vezes que tentou foram mal sucedidas. Não se sentia bem onde todos bebiam, onde se falava quase gritando por cima das camadas de música que fura tímpanos, onde todos pareciam saber de tudo um pouco e essencialmente do que se passa nas vidas de todos e de cada um. Laura não tinha nada de interessante para dizer. Passava o dia a pensar na tarefa seguinte, nunca foi dada a devaneios intelectuais, nunca gostou de dançar, nunca se preocupou muito com o que se vai passando no mundo, não viaja, não sabe nada das músicas que passam na rádio, não conhece ninguém que não esteja nos locais por onde passa e normalmente desses só sabe os nomes. Ás vezes esquece-se que há gente à volta, que deve dizer bom dia, que deve perguntar como correu a operação da colega de trabalho, dar os parabéns pelo casamento do colega de turma. Parece-lhe cínico ser cordial num pretenso interesse que é mero quebrar de silêncio. Não suporta o silêncio, mas prefere quebrá-lo trabalhando como que em linha de montagem, sem contacto com outros, sem tempo para reflectir o que se diz ou pensar durante os inevitáveis silêncios entre falas num diálogo.&lt;br /&gt;Um dia Laura tropeçou das escadas ao trocar os pés (acidentalmente esquecera-se de começar a descer as escadas com o pé esquerdo), rolou escada abaixo, não morreu por mera casualidade, um mês de hospital e seis outros na cama em casa, causa? bacia partida. Diziam que a recuperação era lenta. Diziam que podia mesmo deixar de andar. E nada disso lhe importava, só como tratar agora da pilha de roupa para passar, correr para apanhar o autocarro, trabalhar, chegar a casa e só parar para dormir, não ter de pensar, nunca parar.&lt;br /&gt;Laura tentou ler, tentou ver TV, tentou pintar, ver os filmes que a irmã vai comprando, tudo a deixava suficientemente desconcentrada para o pânico. Preferia quando tinha dores, não tinha tempo para pensar. &lt;br /&gt;Além disso não suportava a dependência que agora tinha de quem sempre fora ela a cuidar. Para se sentar, para comer, para se lavar, para ir à casa de banho. Um parasita, assim se sentia, um estorvo com demasiado tempo para lembrar. Ás vezes acordava toda a casa com pesadelos durante a noite, por vezes todo o prédio.&lt;br /&gt;Os dias favoritos eram os da fisioterapia, terças e quintas, curiosamente, pois exigia-se progressos semanais, exigia aperfeiçoamento, concentrava-se, não pensava, era uma meta a alcançar, algo certo, algo que podia controlar de alguma forma, nunca desistia. Nunca ninguém a viu chorar desde que ficara naquele estado. Pedia sempre à irmã para lhe dar a maquilhagem de manhã e escolher uma boa camisola, nunca se sabe quando aparece uma visita. E raramente aparecia. Não tinha muitos amigos. Nunca ninguém a tinha visto derramar uma lágrima em alturas de crise, não quando a casa da infância se incendiou, não quando a mãe morreu, não quando teve de internar o pai numa clínica de reabilitação depois de muitas sovas, não quando mataram o seu cão que era quase um irmão, chorava por dentro, sim, mas enfrentava a vida. Havia ali uma certeza: para orgulho deles e bem-estar de sua irmã era preciso continuar. Havia uma meta e um ser externo a si que dela beneficiaria.&lt;br /&gt;Laura não fora sempre tão rígida. Era metódica, era excessivamente determinada, uma vez disseram-lhe que tinha tendência para ser obsessiva-compulsiva, mas Laura ria, gostava de teatro, gostava de comer algodão doce nas feiras com a irmã, gostava de passear pela serra do Caramulo onde ficava a sua aldeia. Laura gostava de ouvir o chilrear dos pássaros, gostava do calor da lareira no Inverno, gostava das almoçaradas de família com muita alheira e vinho da casa, única bebida alcoólica que consumia, gostava do enterro do Judas na Páscoa.&lt;br /&gt;Laura conhecia a paixão pelo que via na irmã. Toda aquela adrenalina fascinava-a e, secretamente, enquanto equacionava perante os pais talvez entrar para um convento, sonhava apaixonar-se.&lt;br /&gt;Quando esse dia chegou nem se apercebeu. O nervosismo, a ansiedade de ver, o reparar em cada gesto, o admirar cada palavra, o colocar no pedestal de deus grego, o querer sempre estar, lembrar sempre, sentir a falta, tudo isso foi ficando sem que desse conta e de repente já era evidente para todos: Laura amava Rafael.&lt;br /&gt;Diz-se que foram felizes uns tempos, que pensaram um dia viver juntos, que queriam uma vida a dois, que mais tarde gostariam de ter filhos, que iriam estudar juntos na cidade, que o seu amor era especial. Dizem que um dia Rafael saiu da casa onde viviam, no Porto, pegou no carro e nunca mais voltou. Nas férias por vezes cruzam-se na aldeia, mas é raro, quando lá vai Laura nunca sai de casa. Dizem que ele a traia, que os encantos boémios da Invicta despertaram os desejos libertinos da juventude. Dizem que Laura foi internada com um esgotamento nervoso e Rafael não quis saber, é maluquinha, disse. Dizem que pouco depois a deixou por uma briga qualquer sem sentido, um ciúme ou uma roupa que não se sabia onde estava. Dizem que durante um ano Laura andou à deriva, mal comia, mal dormia, chumbou na Faculdade, passava os dias junto ao rio, consta até que se embebedava. Escarrou para uma cruz de Cristo, dizem as más línguas, ninguém sabe se é verdade. Laura chorou como nunca ninguém a tinha visto chorar antes, frágil, desprotegida, como nunca por doença, por morte, por violência, só a falta de Rafael, a incompreensão quanto a Rafael, o sentimento de ter falhado, o que podia mudar? o que ainda podia mudar? posso mudar? voltas? Para no fundo saber que Rafael não vinha mais. &lt;br /&gt;Até que um dia surgiu maquilhada e bem vestida, com um emprego e estudando de novo, uma rotina e uma expressão inalterável, sempre séria, sempre inexpressiva. Assim ficou até se entravar numa cama.&lt;br /&gt;Parece que voltou a chorar. Parece que de noite grita por Rafael. Parece que se irrita com quem quer que a visite, porque nunca é ele, e, sabe-o, nunca será. Pragueja em blasfémias porque Deus a condicionou a matutar de novo, deu-lhe a dádiva do tempo que tão grandemente dispensava. Há quem diga que Laura morreu já há muito tempo, a Laurinha tímida que gostava das revistas de moda, que calçava os sapatos altos da mãe em casa, mas tinha vergonha se alguém chegasse e punha logo a cabeça para baixo em sinal de pudor, a Laura que sorria já não existia naquele corpo... Só, talvez, nas margens do Douro que acompanhavam a sua angústia, nas águas que um dia quiseram abraçá-la. Quando morrer Laura quer ser deitada ao mar onde tal for permitido, disse outro dia. Conta as horas minuto a minuto para a fisioterapia, quer treinar a toda a hora, mas os dias são enormes... O desespero assola-a cada vez mais velozmente. Diz que um dia desiste. Diz que um dia se mata. Diz que um dia não se lembra mais das metas, só da dor que dentro sente, que a do corpo não apaga, e foge para o mar que prolonga o rio de que é feita. O rio que guarda esse amor maior em si que no real.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6719844164084628857?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6719844164084628857/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6719844164084628857&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6719844164084628857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6719844164084628857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/06/um-vazio-em-vez-de-um-nome.html' title='um vazio em vez de um nome'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5911828449863851618</id><published>2009-05-29T14:13:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T14:53:37.908-07:00</updated><title type='text'>dualidade incolor</title><content type='html'>Passava a vida a esquecer-se das coisas. De onde tinha posto as chaves, do que comera ao almoço, do que dissera a quem disse que ela disse, de quem o disse, se o dissera. Ás vezes não sabia distinguir as lembranças que tinha, se eram memórias ou sonhos que julgava realidade. Por vezes pensava que não existia. Estava ali mas não estava, sentia-se longe, sentia-se éterea, sentia-se morta. Muitas vezes tentava explicar, mas não conseguia. É um cruzar de consciente e inconsciente, uma confusão no pensamento, a lógica não coexiste com o real. Mas por vezes isto até lhe dava um certo jeito, ignorar situações embaraçosas, erros, falhas, pensar que talvez fosse onirismo invadindo o real e nada mais.&lt;br /&gt;Marta vivia uma outra vida além da sua. A Marta invejada de tão bem sucedida, a Marta que conhecia sempre mais de metade dos presentes em qualquer espaço, a Marta que de eloquente e brilhantemente inteligente estava sempre em toda a parte, a Marta dos longos cabelos afro loiros, dos lábios desenhados, dos enormes olhos vivos. Marta despertava ódios e fascínios, nunca menos que isso. Sorria ao mundo na alegria de lhe poder ser útil. Sorria ao mundo na liberdade de existir. &lt;br /&gt;A Marta dos outros coexistia com a sua rival dentro de um mesmo aglomerado de tecidos corpóreos, um outro eu Marta que lhe corroía as entranhas em espasmos de surrealidade. Tudo para Marta era a adrenalina do medo, a excitação do terror, a indefinição do detorpado pensamento. Marta sabia que Marta não era real, contudo em si zumbia e zurrava e apertava em sufocos de existência. Marta só desejava ser simples, pensar simples, sentir simples, sonhar simples, não ter em si um outro ser que se confunde, o Diabo que lhe invadira o corpo, abocanhando os orgãos vitais de uma outra alma.&lt;br /&gt;Um dia Marta acordou para um dia diferente. Uma névoa em volta, uma penumbra que parecia não desaparecer. Cinco da tarde e a mesma claridade que ao meio-dia, e às nove da manhã, e depressa descobriria que também às nove da noite. Uma mesma claridade em que o rostos pareciam distorcidos e todos iguais mas indefiníveis, caras saltavam do tecto escorrendo em longos cabelos, e pelos passeios parecia que entre raízes de árvores escorregava numa espécie de lava morna que deslizava. No emprego não viu ninguém, nas ruas toda a gente, gente a mais, claustrofóbico. No emprego não conseguiu ficar, em casa todos os pequenos ruídos demasiado audíveis e tudo com uma mesma cor e tudo parecendo ter vida escondida. Primeiro Marta pensou que ainda estivesse a dormir, que fosse acordar em breve, mas esfregava os olhos e nada mudava, parecia que um novo mundo lhe latejava nas pupilas. Marta gritou por dentro ao fim da tortura da Marta demoniaca. E assustou-se com a ideia de que poderia ter gritado mesmo. Ninguém à volta mas mais que nunca as paredes pareciam que tinham ouvidos.  O gato de tão estático parecia ter-se transformado em loiça, e os espelhos em volta não mostravam a sua imagem, parecia que ela fora apagada, que era agora um fantasma, que era agora em vez de duas vidas em conflito uma nulidade. Marta tentou um banho, tentou dormir, meditar, rezar, até chorar, até cortar as pernas em golpes de xisato, até bater com a cabeça na parede e quem sabe desmaiar, e no entanto tudo permanecia igual. Marta desesperava, o pânico, a ausência de vida, a ausência de gente, a distância do mundo, a distância da realidade, e ela existe afinal? e eu existo afinal? eu ainda existo? De repente tudo branco, um esticão no pescoço, um estalido, estremecer, cabeça tomba, e eis que as cores reais regressam...O azul no azul, o verde no verde, a janela no mesmo lugar, o gato move-se de novo, e mia, a sua imagem já no espelho...sem chão abaixo dos pés, com uma corda ao pescoço, com a boca entreaberta, sem vida nos olhos. Aos poucos tudo negro e nunca mais duas Martas. Agora já nenhuma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5911828449863851618?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5911828449863851618/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5911828449863851618&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5911828449863851618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5911828449863851618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/dualidade-incolor.html' title='dualidade incolor'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-76211036129718800</id><published>2009-05-25T05:35:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T05:54:17.239-07:00</updated><title type='text'>Momentum</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6LMELxGEFHM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/6LMELxGEFHM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, for the sake of momentum&lt;br /&gt;I've allowed my fears to get larger than life&lt;br /&gt;And it's brought me to my current agendum&lt;br /&gt;Whereupon I deny fulfillment has yet to arrive&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And I know life is getting shorter&lt;br /&gt;I can't bring myself to set the scene&lt;br /&gt;Even when it's approaching torture&lt;br /&gt;I've got my routine&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, for the sake of momentum &lt;br /&gt;Even though I agree with that stuff about seizing the day&lt;br /&gt;But I hate to think of effort expended &lt;br /&gt;All those minutes and days and hours&lt;br /&gt;I have frittered away. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And I know life is getting shorter &lt;br /&gt;I can't bring myself to set the scene&lt;br /&gt;Even when it's approaching torture &lt;br /&gt;I've got my routine &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But I can't confront the doubts I have&lt;br /&gt;I can't admit that maybe the past was bad&lt;br /&gt;And so, for the sake of momentum&lt;br /&gt;I'm condemning the future to death &lt;br /&gt;So it can match the past. (2 x)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-76211036129718800?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/76211036129718800/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=76211036129718800&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/76211036129718800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/76211036129718800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/momentum.html' title='Momentum'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-2938399581700982801</id><published>2009-05-22T17:15:00.000-07:00</published><updated>2009-05-30T07:18:42.193-07:00</updated><title type='text'>last wishes</title><content type='html'>there have been sunny days. and cloudy ones. and the crowded streets and the wandering lonely ghosts. there has been spring, summer and a colder winter too. the world has been spinning round in spite of you.&lt;br /&gt;everything seems to vanish since you went away. all days seem so equal though sometimes it doesn't rain... in me it's always dark and cold inside, and grey became the main colour for nature.&lt;br /&gt;sometimes i hear someone whispering in the next room. they say i talk loud when i'm alone. they say i scream your name all night long. they say i leave the door unlocked at dawn and men come and go. i don't remember their faces. i don't even remember they coming. sometimes i find cigarettes on my bedside table and i find it odd, you know i don't smoke since you quit. i figured it could help you. if by chance i wake up still dreaming, i could swear it was you smoking by the window. i yell at you but you ain't there. i never know if i'm relieved you didn't give in to that nasty habit or if i get desperate you ain't coming back.&lt;br /&gt;i stopped looking for explanations for the undefinable. love fades, they say, i never believed them. you did. you did say someday you'd be gone. you did say love doesn't make it all. you did say you loved me though, do you remember? you did say you'd always be there, always. you did say it, remember?&lt;br /&gt;i got ill. were you afraid? i do have rot blood inside me and floating around sometimes in my dreams, too clear to be a fantasy. were you afraid? you that were the one who'd never leave me? i'm afraid sometimes, you know. get scared of dying, get scared of fading, just like your love, and forever. most of the times i smile, though. it wouldn't be that difficult, you know? i would make it easy on you. what was it i didn't have? what was it i had too much? what was it i did wrong? 'cause you're gone without a word. no phonecall. no note. no waving. needless to say no kiss. miss your lips, you know? miss your smile. these blank walls they never smile me back everytime i fake happiness.&lt;br /&gt;hey, can you listen to me? i still kiss you goodbye. i kiss my pillow and i think it's you. is it obsessive? hey, listen to me, i still love you, i forgive you if you come back. please come back. please... will you listen?&lt;br /&gt;they say i'll die soon. one of these days, no-one knows. does it matter to you? will come and visit me? and if it's not asking too much, will you kiss me goodbye? you're the only love i can recall now, maybe because you're the only one i still love. can you love me back a while? or fake it for a while? 'cause i don't wanna die alone in my bed with a sixty year old fellow smashing a cigarette to the window and leaving the door wide open. 'cause i don't wanna forget your face before i die. 'cause i know you can make me live forever. in memory. in one's memory. in the hearts of men.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-2938399581700982801?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/2938399581700982801/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=2938399581700982801&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2938399581700982801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2938399581700982801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/last-wishes.html' title='last wishes'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6415395782413396604</id><published>2009-05-20T03:20:00.000-07:00</published><updated>2009-05-20T03:25:12.973-07:00</updated><title type='text'>Poema do Homem Só</title><content type='html'>Sós,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;irremediavelmente sós,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como um astro perdido que arrefece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos passam por nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ninguém nos conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que passam e os que ficam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se desconhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os astros nada explicam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrefecem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta envolvente solidão compacta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quer se grite ou não se grite,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nenhum dar-se de outro se refracta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nehum ser nós se transmite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sente o meu sentimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou eu só, e mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sofre o meu sofrimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou eu só, e mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estremece este meu estremecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou eu só, e mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dão-se os lábios, dão-se os braços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se os olhos, dão-se os dedos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bocetas de mil segredos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se em pasmados compassos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se as noites, e dão-se os dias,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se aflitivas esmolas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abrem-se e dão-se as corolas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;breves das carnes macias;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dão-se os nervos, dá-se a vida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dá-se o sangue gota a gota,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como uma braçada rota&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dá-se tudo e nada fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este íntimo secreto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que no silêncio concreto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este oferecer-se de dentro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num esgotamento completo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este ser-se sem disfarçe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;virgem de mal e de bem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este dar-se, este entregar-se,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;descobrir-se, e desflorar-se,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é nosso de mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---&gt; Em baús que vasculho descobri o meu poema favorito da adolescência, de António Gedeão. Continua intacto o impacto que tem em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6415395782413396604?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6415395782413396604/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6415395782413396604&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6415395782413396604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6415395782413396604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/poema-do-homem-so.html' title='Poema do Homem Só'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8274699340071307583</id><published>2009-05-19T05:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-30T07:21:56.874-07:00</updated><title type='text'>despertar sonhando ainda</title><content type='html'>Acordou atordoada. Nem risos em volta, nem abraços constantes, nem vozinhas ternurentas de bébé. Espreguiçou-se bocejando um alongamento de fibras, um estalido de articulações, um suspiro de manhã. Lembrou um rosto que julgou ver a seu lado, tão clareado pela penumbra boreal, vulgo aurora. Lembrou um rosto que sentiu beijar, o sorriso que ainda a prende e faz em êxtase gargalhar, o mundo tão mais leve e infantil.&lt;br /&gt;Infantil...Demasiado fraco, demasiado temeroso, demasiado... E ela? Ela demasiado apressada, ultrapassando uma má fase que lhe bloqueou outras partes de si e ele incapaz de o aguentar... Seria um dever seu? Talvez, mas não tão cedo, um dia mais tarde. Não se pode forçar ninguém a ser mais do que num determinado momento é. Não se pode querer que tudo ocorra num mesmo segundo. Perceber que há tempo para que as coisas aconteçam, tempo...&lt;br /&gt;Abre os olhos arrependidos. Abre os olhos que não mais choram mas que hoje entendem. Abre os olhos para um novo mundo que quer que volte ao que fora, risos a toda a volta, uma mão que desliza, um beijo, um olhar apaixonado alma adentro.&lt;br /&gt;Ergue-se a custo, o dia que se espraia à sua volta. Ergue-se com vontade de ficar no limbo de um sonho que talvez de tanto querer volte a ser real. Ergue-se enfim. A custo que seja, que importa?, já não lhe dói. O mundo é mais sólido agora que a má fase (que ele teve medo de apoiar) passou, agora que já se aceita o outro e o eu, agora que olhar para si significa dizer "eu valho a pena", "eu sou boa pessoa", "eu sou bonita". Por quanto tempo? Esperemos que para o resto da vida.&lt;br /&gt;Abre a janela, inspira...Um novo dia. Um mesmo olhar antigo dentro de si, e deixa-o estar. Não vale a pena lutar contra o que nos forma. Amá-lo é ainda parte de si. E já não fere, já não mata, já não espera, já não é. O amor que sente ninguém lho tira. A vida à sua frente, que com força inova todos os dias, também não. &lt;br /&gt;Fecha a janela com a brisa ainda em seus poros gelando o rosto sonolento. Fecha a janela num sorriso. Amanheceu mais uma parte de si.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8274699340071307583?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8274699340071307583/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8274699340071307583&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8274699340071307583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8274699340071307583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/despertar-sonhando-ainda.html' title='despertar sonhando ainda'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-710507558656309811</id><published>2009-05-15T16:53:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T17:07:03.148-07:00</updated><title type='text'>Houden van</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8Fi02hRRkW0/Sg4C3eAJzPI/AAAAAAAAAA4/tcfSbom1d3I/s1600-h/grote+markt+delft"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8Fi02hRRkW0/Sg4C3eAJzPI/AAAAAAAAAA4/tcfSbom1d3I/s320/grote+markt+delft" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336205760450383090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Absurdo e confuso, repleto de vida e cheio de nada, eis amor. Amor que se repete sobre formas tão diferentes. Amor que é sempre novo, sempre novo êxtase, sempre nova tristeza avassaladora. Porque pessoas diferentes. Porque novas fases. Porque novos eu que se dão a outro, por inteiro, esperando um mundo só nosso. Ser romântico é ser de corpo e alma, desprovido de limites, tão submerso em emoções. Ser romântico é olhar apaixonado mesmo aquilo que dói, é estar hoje aqui sabendo todos os teus males e ainda assim lembrar só o que foi bom, e foi, foi... Acabou. Ser romântico é respeitar um fim que não se aceita, lembrar sóis que despontavam sem que alterassem os nossos estados de espírito, são canais de risos em que flutuávamos, são hoje Delft. Delft em mim é um romance inacabado. Sempre será. Mesmo quando amar-te for já coisa do passado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-710507558656309811?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/710507558656309811/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=710507558656309811&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/710507558656309811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/710507558656309811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/houden-van.html' title='Houden van'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8Fi02hRRkW0/Sg4C3eAJzPI/AAAAAAAAAA4/tcfSbom1d3I/s72-c/grote+markt+delft' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7513241491447107815</id><published>2009-05-14T01:32:00.000-07:00</published><updated>2009-05-14T06:30:03.629-07:00</updated><title type='text'>homens para colorir</title><content type='html'>Havia um pedido constante nas minhas cartas ao Pai Natal. Aquele presente que se faz figas para que ele nunca se esqueça, que se apalpa todos os embrulhos a ver se se o encontra. Havia uma prenda que me fazia contar os dias até ao Natal, portar bem durante o ano para o merecer, rezar todas as noites, suspirar a iminência da sua chegada... Livros para colorir.&lt;br /&gt;Toda a minha infância me deliciei a inventar cores mais ou menos fortes para bonecos por outros desenhados, a imaginar uma tonalidade nova para preencher mandalas, cornucópias, minuciosos pormenores de gatos manientos. Procurava a cor ideal, a não antes pensada, a que fizesse juz à beleza do desenho, a que nunca fosse repetida. Horas, dias, anos nisto! Cadernos coloridos que se acumulam na arrecadação da casa dos meus pais. Ás vezes com saudades ainda os espreito, e o bichinho do tingir de novo me assalta.&lt;br /&gt;Acho que a vida é um pouco um prolongamento deste meu deleite infantil. Passamos sete vidas neste incansável acto de coloração, em que nunca queremos que um cinzento seja só cinzento, em que descobrimos que uma nuvem não é branca mas muitas cores misturadas e ao mesmo tempo, em que progredimos lentamente página a página melhor ou pior pintados.&lt;br /&gt;Pessoalmente já devo ter extravasado a minha quota de produção, e acho que escolho sempre livrinhos de loja dos 300, ou 1,5 na moeda actual, que não se coadunam com a minha já treinada arte de preencher o nada. Perco demasiado tempo a tentar colorir homens monocromáticos. E vai daí talvez não o sejam, apenas acabam como qualquer espaço pronto a colorir, não se renovam, não expandem. Eu, pelo contrário, espraio-me constantemente e procuro sempre alargar-me melhor, talvez por isso não os entenda, esses rabiscos inacabados dentro e tão delimitados, quase muralhas, por fora. Mas sempre em qualquer parte de outra colectânea da minha vida ficam, num local especial, como são todos os momentos em mim, empilhados numa estante de maturidade que se deixou. Há já uma nova mais acima a carregar.&lt;br /&gt;Enquanto se deixa a Terra do Nunca, que é mesmo preciso abandonar, cortar o cordão, sofrer se preciso, seguir em frente sem medo, nunca se esquece o que foi. O que foi é porque nos faz. Porque nos torna mais cor e assim nos enche de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7513241491447107815?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7513241491447107815/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7513241491447107815&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7513241491447107815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7513241491447107815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/homens-para-colorir.html' title='homens para colorir'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-3079741564382282463</id><published>2009-05-09T05:08:00.000-07:00</published><updated>2009-05-09T11:28:15.864-07:00</updated><title type='text'>do que se falava</title><content type='html'>Diziam que parava muito. Parava de falar, parava de comer, parava de dançar, andar, sorrir, chorar. Parava simplesmente a olhar para o nada, fitando um algo que ninguém via, de boca entreaberta, de olhar vazio, como quem espera, como quem se espanta com o que vê, e não quer ver.&lt;br /&gt;Diziam que qualquer guardanapo servia para rabiscar uma ideia, que cada segundo livre era preenchido com escrita enfurecida, parar as gargalhadas entre cafés, pegar num guardanapo, mãos trémulas, uma ânsia de fim, um fatalismo que só em si se vê, o tempo que parece escassear, a caneta movendo-se com muita força, uma raiva, uma adrenalina, mais rápido, mais rápido, mais! Parava. Exausta afastava a caneta. Dobrava o guardanapo muito calmamente, uma relíquia para guardar nas profundezas de si. Inspirava. De novo a conversa, os cigarros, os cafés, olá à miúda que passa pela mesa, e de repente, talvez porque desviar o olhar lembra, um movimento lento, autómato, tira a folha frágil de um guardanapo de café burlesco, queima o papel devagar sobre o cinzeiro e observa essa dança de chamas (que juro que gritavam aflitas) como se só isso existisse no mundo, como se ali ninguém estivesse.&lt;br /&gt;Diziam que parava sempre a olhar para a mesma esquina. Um olhar esgazeado, um prenúncio de dilúvio, a mão levava-la ao peito numa reacção à taquicardia, a boca entreaberta, murmurava qualquer coisa imperceptível, perdia forças, invariavelmente desfalecia. &lt;br /&gt;Dizem que um dia já mais ninguém a viu. Nem no emprego, nem em casa, nem nas ruas, nem frente àquela mesma esquina.&lt;br /&gt;Dizem que o último guardanapo que escreveu foi encontrado e dizia:&lt;br /&gt;"Olhar em volta. Tudo tão diferente e familiar, tudo tão certo e tão vão, tudo tão vazio quando cheio de luz. Tudo. Um nada. Espiar atrás da esquina se por lá passas. Espiar. Pensar que demasiado depressa já outra, objectos descartáveis que te passam pelas mãos, vão e vêm, vão. Há sempre mais, não é? E pessoas, seremos? Espiar a esquina, porque não quero ver, não quero mais saber, não quero mais que saibas. Espiar a esquina na esperança de ainda lá encontrar o teu sorriso que já não há. Outros lábios já. Enlouquecer. Um nada tão cheio. Um vazio que arde no peito, no absinto que lhe corre garganta abaixo, porque não mata?&lt;br /&gt;Ciclos que se abrem e fecham. Ciclos. Tudo volta, tudo fica, em mim nada se esvai, entra e fica marcado mesmo que passado seja. E em ti? Lembras?"&lt;br /&gt;Dizem que um dia já não se via. Não se deixava ver. Não queria ver. Não sei, ninguém sabe. Dizem que o silêncio daquele olhar esgazeado lhe tomou a alma. Dizem que perdeu as forças de vez, uma ambulância, sangue à volta, a mesma esquina. Dizem que viu alguém, esperou que passasse, e depois a abafada explosão, um tiro, sangue jorrando da cabeça. Dizem que jazia ainda de olhos abertos, o mesmo olhar ainda esgazeado que nunca largou aquela esquina... Ainda esperar que alguém passasse, alguém que não sussurrasse que horror! com medo que os mortos ouçam e fugisse em seguida a abanar a cabeça, alguém que entendesse aquela não escolha. Alguém que soubesse quem era aquela esquina. Alguém que ainda lembrasse outros dias em que inabalável a esquina gargalhava a força concentrada do centro do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-3079741564382282463?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/3079741564382282463/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=3079741564382282463&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3079741564382282463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3079741564382282463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/do-que-se-falava.html' title='do que se falava'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5710422392382202968</id><published>2009-05-04T04:11:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T06:49:18.197-07:00</updated><title type='text'>Deixando Inês morrer</title><content type='html'>Pensei. Parar de procurar. Parar de cutucar restos de dor. Parar de navegar nas lágrimas de outrora que sempre ficam.&lt;br /&gt;Senti. Que os novos sóis do ocaso seriam mais arosados. Que Estios são sorrisos. Que mares são lembranças de felicidades sensoriais.&lt;br /&gt;Julguei. Não saber mais o que escrevia, porque escrevia, se escrevia, o mundo passar a ter o sentido espontâneo de simplesmente fluir.&lt;br /&gt;Concluí que eras pouco. Que foste. Não voltas. Não te quero mais.&lt;br /&gt;Mas estás sempre aqui, aconchegado num pedaço de mim que dei à tua idealização. Num pedaço cortado de mim que não me importei que sangrasse. Num outro eu.&lt;br /&gt;Inês pode ser tantos nomes, todos os que o mundo tem, tudo o que é mulher em todo o ser. Inês pode ser o que hoje é, somente um sonho. Tudo o que todos os Pedros que somos, em nós mesmos e nos outros procuramos. No outro. No sonho de uma alma gémea. Talvez os astros as saibam ver, mas a realidade não foi feita para elas. Sonhemos então com o que nunca será. Que só assim mais dentro existe. Só assim pode ser real. Se o mundo é de dentro para fora...quem sabe?&lt;br /&gt;Foste Inês em mim já encontrada. Vai-te. Que há novas Vénus para nascer e de Ineses não mais quero saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5710422392382202968?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5710422392382202968/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5710422392382202968&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5710422392382202968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5710422392382202968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/05/deixando-ines-morrer.html' title='Deixando Inês morrer'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8985835783404840718</id><published>2009-04-17T17:52:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T04:28:12.403-07:00</updated><title type='text'>José Reis, Rua do Garrido, dois filhos</title><content type='html'>- A minha casa é já ali - disse ele, enquanto girava sobre si à procura de uma forma de me fugir. Nunca nenhuma servia, nem aquelas onde podia escapar, porque não sabia bem se eu afinal lá não estaria.&lt;br /&gt;- A minha casa é já ali, gosto de andar sozinho.&lt;br /&gt;- Onde exactamente? Olhe que é tarde e já não devia andar sozinho. Com quem mora?&lt;br /&gt;- A minha mulher. A minha mulher deve estar a minha espera. Tenho de ir, filha.&lt;br /&gt;- Eu vou consigo. Mas vem de onde?&lt;br /&gt;- Não é preciso, é já aqui, eu faço este caminho todos os dias. Venho do hospital.&lt;br /&gt;- Mas está doente?&lt;br /&gt;- É a minha mulher.&lt;br /&gt;- A sua mulher está no hospital?&lt;br /&gt;- Sim. Eu tenho de ir para casa. Não estava bem a ver onde era mas já me orientei. Tenho de ir, filha.&lt;br /&gt;E de novo às voltas sobre si, sem saber que passo dar, esquerda ou direita?, para seguir em frente. Tinha um saco de plástico na mão encarquilhada. Cheirava a um Old Spice fabricado em casa, daqueles que já só os velhos sapateiros ou donos de drogarias têm, daqueles que o meu avô usava. Todos os avôs usavam e na memória usarão.&lt;br /&gt;- Eu tenho de ir.&lt;br /&gt;E espere lá, para onde vai, que eu cá acho que não sabe, que eu cá acho que vai para sítio nenhum, que eu cá acho que aqui e ali é a mesma rua, que eu cá acho que daqui a uns minutos já não se lembra, Rua do Garrido, e qual é o número? e vive sozinho?, e não que tenho de ir, tenho dois filhos, dois filhos que estão longe, um emigrado, talvez, dois filhos que será que querem saber do pai? E terá netos? Dois filhos que de certeza com o pai não vivem. E a mulher, se calhar até já falecida, há-de ter estado no hospital, de onde não sei se veio, mas dizem que o Sr passa muitas vezes por aqui. Se dissesse adeus a quem passa eu diria que se sente sozinho. Se esperasse à porta do hospital di-lo-ia traumatizado.&lt;br /&gt;- Tenho de ir para casa. É na Rua do Garrido. Já sei onde é que fica. Despistei-me só um bocadinho.&lt;br /&gt;Que ainda está bom da cabeça, eu sei. Que ainda sabe que estamos em 1989. Ano da queda do muro de Berlim, sabia? Já não me lembro...Quando é que isso foi? O ano passado talvez, não é? Gosto de si, sabia? Se pudesse levá-lo a casa para junto da sua mulher ou dos seus filhos. Se me deixasse. Se não quisesse fugir porque consegue sozinho. Se lhe perguntar o seu nome ainda o sabe? José. José quê? José. Mas tem um apelido certamente! José...Reis. Sr José Reis da Rua do Garrido, com dois filhos, uma esposa espectante em casa e doente no hospital, com uma camisa em xadrez verde e vermelha, como a do meu avô, só que a do meu avô em tons de castanho.&lt;br /&gt;Sr. José Reis, espero que um dia o veja novamente, para lhe dizer que caminho seguir, para que possa falar um bocadinho, para que se lembre de como se chama, para depois perguntar como chegar à Rua do Garrido no dia seguinte, esperando que nunca chegue o dia em que se perca para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8985835783404840718?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8985835783404840718/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8985835783404840718&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8985835783404840718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8985835783404840718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/04/jose-reis-rua-do-garrido-dois-filhos.html' title='José Reis, Rua do Garrido, dois filhos'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1810174028024684219</id><published>2009-04-12T16:17:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T16:21:33.146-07:00</updated><title type='text'>Á quoi ça sert l'amour?</title><content type='html'>Não é da minha autoria, mas podia tão bem ter sido!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aDOiWOlltzI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/aDOiWOlltzI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1810174028024684219?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1810174028024684219/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1810174028024684219&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1810174028024684219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1810174028024684219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/04/quoi-ca-sert-lamour.html' title='Á quoi ça sert l&apos;amour?'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1398356477731199539</id><published>2009-04-12T06:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T07:10:59.194-07:00</updated><title type='text'>Encruzilhada</title><content type='html'>Parar a olhar o nada. Que nada é esse que vejo em tantas cores? Parar. Um turbilhão de obrigações, de respeitos, de pedidos, de afazeres, de vontades de outros que não eu. Parar. Cansada do tempo dos favorzinhos e ajudazinhas e conselhozinhos e sensibilidadezinhas. Parar. Porque se é injusto, porque se é egoísta, porque se é judaica redenção e auto-flagelação por pecados mortais que nem sonhados foram. Culpa. Corroendo as veias. Posso criar uma nova religião.&lt;br /&gt;Parar. O rodopio atordoa-me as entranhas que gritam. Não querer mais ser tão dos outros, tão de todos, tão de ninguém. Não querer mais dar tudo o que se tem e ficar vazio mesmo quando se ganha. Não querer mais que um mundo inteiro tão certo e seguro de repente não mais exista, como se nunca tivesse sido, fechado em copas de uma emoção de que já se duvida.&lt;br /&gt;Parar. Ser eu ou ser o outro é já tão igual. Tirar o sorriso que se veste de manhã para mostrar que se está bem, para não chatear os outros, para seguir o mesmo ritmo frenético de sempre, para fugir, para fingir que não se existe.&lt;br /&gt;Parar. Sentir ser hoje mais possível uma vida mais real. Parar de alimentar o nada que se fita sem se ver. Porque o nada também tem cor. Porque o nada também é vida. Parar. Os esgares que dentro se ouvem também sabem voar. Voar para longe e deixar o mar entrar.&lt;br /&gt;Parar. Porque a vida não acaba aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1398356477731199539?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1398356477731199539/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1398356477731199539&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1398356477731199539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1398356477731199539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/04/encruzilhada.html' title='Encruzilhada'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-2031588523691859200</id><published>2009-04-11T12:40:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T16:01:22.111-07:00</updated><title type='text'>bolha</title><content type='html'>Uma espécie de bolha. Tudo exacerbado, tudo rápido, processos lentos acelerados pela concentração de gentes, de necessidades comuns, de saudades, de vidas que entre si tropeçam, de distâncias de tudo o que é lar. Uma espécie de correria em tanto que se partilha, viver intensamente, cinco segundos como os últimos, sorver a vida em vez de a comer. Sorvê-la alegremente.&lt;br /&gt;O intercâmbio é uma espécie de Big Brother, dirias. No entanto tudo isto é vida, vida que não se repete, que ali foi em novas culturas, e aprendizagens, e gentes, e cheiros, e costumes, e risos tão mais audíveis.&lt;br /&gt;Como uma espécie de amor de Verão aí me incluis, trancada na memória dos loucos meses da juventude adolescente tardia, nos loucos meses da vida intensa, emoções crescendo à flor da pele. Aí me trancas, num qualquer albúm de fotografias que talvez de vez em quando abras. Que talvez de vez em quando ainda ames.&lt;br /&gt;Uma espécie de amor, de olhos humedecidos, de gemidos, de olhos prolongando-se, de risos escancarados, de noites perdidas no tempo ganho, de deslizes de bicicletas, de conversas intermináveis, de surpresas mais enternecedoras e mais ousadas, de viagens, de partilhas, de futuros.&lt;br /&gt;Esperar. De volta ao mundo que deixara em stand-by e em que te quis incluir, de volta ao marasmo do fim de um ciclo, de volta à realidade, longe do amor outrora sentido (há não tanto tempo assim), espero. Espero poder esperar ter-te comigo outra vez. Espero a esperança que insiste em não vir, que não tem base que a sustente, que evaporou pelos canais de outras paragens, de uma espécie de bolha em que vivi.&lt;br /&gt;Espero. E não é esperar que custa, é não saber o que fazer com o tempo que já nada tem para esperar.&lt;br /&gt;Que um dia voltes. Que um dia me revejas. Que um dia tenhas menos medo. Que um dia me ames de novo, no sussurro das noites em que dois corpos de almas tão díspares se uniam formando um só...Um todo aqui e agora permanecendo além das barreiras do tempo e da lógica, além de qualquer múrmurio de fim.&lt;br /&gt;A tua imagem dentro de mim e já lá não estás... Quando voltares a apertar-me a mão tão trémula avisa. Que tenho medo que já não o sinta. Que tenho medo de já não saber onde começar tudo o que perdi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-2031588523691859200?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/2031588523691859200/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=2031588523691859200&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2031588523691859200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2031588523691859200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/04/bolha.html' title='bolha'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-196794908683580707</id><published>2009-04-11T07:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T08:05:49.851-07:00</updated><title type='text'>Exercício de escrita criativa 2</title><content type='html'>Esperar. Nada mais me é dado hoje. Esperar que chegues. Esperar que queiras. Esperar que sintas. Esperar que talvez chores. Sim, quero que chores, que sintas em ti a nota estridente desse gemido de dor que só dá quem sente.&lt;br /&gt;Espero no degrau que encontrei perdido na rua. Dizem que há uma porta azul por trás de mim. Talvez dissesses que combina com o meu vestido agora verde pálido, uma espécie de montanha de pistachos que subirias. Vã esperança, talvez. Contemplo o gelado de morango entre meus dedos. O creme desce lentamente entrelaçando-se nos poros pegajosos, esponja sugando a doçura do dia. Olho em frente. Espero que chova. Aqui, sobre mim, lavando este nojo que de mim sinto.&lt;br /&gt;Espero-te. Fito o céu na esperança de que um balão de ar quente te traga, como nos filmes que imaginei na infância. Espero-te, já sem esperança. Seis da tarde e o casamento às onze horas. Ás onze horas de um de Novembro. Novembro de 1986.&lt;br /&gt;E eu aqui fico, esperando-te, entre esta "docegente" que passa com pena não sabe de quê, com palavras caladas na prisão do silêncio que me deste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-196794908683580707?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/196794908683580707/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=196794908683580707&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/196794908683580707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/196794908683580707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/04/exercicio-de-escrita-criativa-2.html' title='Exercício de escrita criativa 2'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6528494567459334529</id><published>2009-04-11T07:52:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T17:14:45.947-07:00</updated><title type='text'>Exercício de escrita criativa 1</title><content type='html'>Em criança acreditava que as árvores me respondiam. Passava noites acordada a olhá-las por entre janelas embaciadas. O frio lá fora, o bafo quente da braseira, as vozes lá dentro que sempre pensei que um dia os vidros partissem.&lt;br /&gt;Na Beira há velhotas que se escondem por entre janelas rendadas, há animais que dormem aos nossos pés, nas "lojas", há pedras escuras em que descalços corremos, há sinos que tocam estridentes. Haviam também rixas de gentes que não sabem que a terra se dá, de gentes que servem subservientes, retratos a sépia de uma sociedade feudal.&lt;br /&gt;Se os humanos já não sabiam ouvir-nos, talvez as árvores sorrissem melhor. E por trás da janela, em silêncio, eu falava com a minha amiga de cabelos verdes esvoaçantes. Contava-lhe o meu dia e ouvia o seu. E sabia que ao olhá-la também dentro de mim aquela árvore respirava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6528494567459334529?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6528494567459334529/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6528494567459334529&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6528494567459334529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6528494567459334529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/04/exercicio-de-escrita-criativa-1.html' title='Exercício de escrita criativa 1'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5653010136776215055</id><published>2009-04-11T07:49:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T07:52:53.565-07:00</updated><title type='text'>Regresso a casa</title><content type='html'>Parece-me sempre que devo virar a página e não olhar para trás, quebrar o ciclo, cortar o mal pela raiz. Mas não há mal, é só passado, mais ou menos feliz, mais ou menos repetido. De volta à vida com o fim do sonho vivido. De volta à casa de que confesso não ter tido saudades...Talvez porque nunca deixou de fazer parte de mim. O passado é sempre em nós. E como já Andy Warhol dizia: "life is a series of images that change as they repeat themselves".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5653010136776215055?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5653010136776215055/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5653010136776215055&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5653010136776215055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5653010136776215055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2009/04/regresso-casa.html' title='Regresso a casa'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7269082273274983810</id><published>2008-06-20T09:40:00.000-07:00</published><updated>2008-06-23T17:12:32.850-07:00</updated><title type='text'>O adeus à terra</title><content type='html'>"Que estranha forma de vida"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carrinha verde à minha frente geme o som que estremece a Avenida. Grandes lojas, armazéns, chorudas bolsas de turistas, pedintes e homens-estátua chamando a sua atenção, o cão,"desculpe lá menina", que ladra na ânsia de abocanhar a minha perna.  O som que me invade, cristalina voz baça dessas palavras que me choram, a mim como a todos, povo saudoso, inventor dessa dor que nos define, sebastianistas de tanto esperarmos procristinadoramente. E é desta estranha forma de vida que sentirei saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa. Cidade de contrastes, da plana geometria pombalina ao tortuoso medieval das colinas, bandeiras que se pregam em honra ao futebol, que a Nação já se esqueceu, mas nos corações arde em forma de Cristiano Ronaldo. O sol... Ó estrela nossa que se abraça, em faluas que já cá não estão mas ainda se sentem, em pão fresquinho todas as manhãs, com muita farinha, em chouricinhos assados, em queijinhos e vinhinhos na Casa do Alentejo, e sempre tudo diminuído porque carinhoso, nesses inhos que caracterizam o lisboeta. Lê-se o jornal, cada vez menos, diz-se bom dia, cada vez menos, tem-se medo, cada vez mais, ajuda-se quem está perdido, como sempre. O latoso poliglota do espanholês, do franciú, do enviozado c'mon. O português do palitinho, o português da taberna, do restaurante ou da dégustation. O português da Madragoa, de Alfama, do Bairro Alto. O português dos transportes públicos, cansado do Cais do Sodré. O português das cartadas no jardim, das velhotas de aromas florais, sempre um pouco exagerados, dos tremoços e caracóis, do fadinho de improviso. O português que vem de Beja, vem de Fare, vem de lá de xima, que vem das África. O português que é avec, que tem a mania, que é p'ró desenrasca, que não gosta do Sócrates, que se esquece da crise dos combustíveis para festejar o golo do Moutinho (se não foi ele foi outro que tal), o povo que chora a Madeleine McCain, o povo que se mobiliza para salvar Timor e a família pobre de Carrazeda de Anciães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É do povo, e da cultura, e do afago, do sorriso melancólico, do solarengo das praças, do canto da Rua Augusta em que se vislumbra o Tejo e assim bem fica-se... É das tertúlias, das lutas por despertar a amorfa massa que vê disparar a desigualdade, da vontade de tudo tornar algo, das guitarradas, dos arraiais, das varandas de estendedais, das papoilas e das mimosas, dos queijos da Serra e dos corajosos pombos lisboetas, dos revoltados visionários e até dos velhos do Restelo que mais saudades vou ter...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que de Lisboa, de Portugal me despeço, para uma flamenga odisseia, encerrando este blogue com esse beijo saudoso de quem parte, querendo sempre voltar ao local de onde verdadeiramente nunca sairá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranha esta forma de sentir que é ser português.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7269082273274983810?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7269082273274983810/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7269082273274983810&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7269082273274983810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7269082273274983810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/06/o-adeus-terra.html' title='O adeus à terra'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8126198348001640630</id><published>2008-05-31T11:14:00.000-07:00</published><updated>2008-05-31T11:23:04.785-07:00</updated><title type='text'>Exaustão</title><content type='html'>Primaveras chegam em chuvada, num clima que não se sabe mais temperado. Notícias voam em mentes quase indiferentes. As massas que se deslocam quase amorfas, um mesmo corpo, uma massa uniforme, cinzenta, indistinta, uma negra nuvem de quem se mistura na apatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal, Europa, Mundo, por todo o lado tudo igual, sociedade global etnocêntrica. Ser tolerante é hoje um relativismo gnoseologico, ser civilizado é hoje um nada dizer, calar, ser justo é hoje ser defensivo, é pegar nos direitos humanos e transformá-los em armas, desconstruí-los. Educar sem instruir, e de novo Salazar habita a sociedade que hoje democrática se diz, porque o ensino é mera corrida para vencer os problemas de estatistica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virar a cara? Nunca. Por mais farta que esteja. A revolução faz-se na mente, na persistente luta por informação que traz igualdade de oportunidades. Talvez utopia de minha mente jovem, talvez, mas é sempre essa a desculpa de quem se adapta, aculturação a um mundo cada vez mais redutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda ergo a voz, com mais ou menos valia. O Maio de 68 que nunca verdadeiramente existiu talvez volte para um dia ser real.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8126198348001640630?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8126198348001640630/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8126198348001640630&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8126198348001640630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8126198348001640630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/05/exausto.html' title='Exaustão'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5607564878290087093</id><published>2008-05-09T04:57:00.000-07:00</published><updated>2008-05-09T05:01:20.144-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='foto por João Silva'/><title type='text'>Fantasmas</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_8Fi02hRRkW0/SCQ8a8p6T7I/AAAAAAAAAAU/7MveAGvyB-E/s1600-h/Tema+Livre-Runaway+ghosts.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198346303548575666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_8Fi02hRRkW0/SCQ8a8p6T7I/AAAAAAAAAAU/7MveAGvyB-E/s320/Tema+Livre-Runaway+ghosts.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;   Um dia vou pintar em tons de memória as paredes das casas que me deixaram.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;                                                       (por agora prefiro deixá-las voar...)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5607564878290087093?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5607564878290087093/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5607564878290087093&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5607564878290087093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5607564878290087093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/05/fantasmas.html' title='Fantasmas'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_8Fi02hRRkW0/SCQ8a8p6T7I/AAAAAAAAAAU/7MveAGvyB-E/s72-c/Tema+Livre-Runaway+ghosts.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6632905593464675172</id><published>2008-05-04T04:40:00.000-07:00</published><updated>2008-05-04T04:43:31.463-07:00</updated><title type='text'>Noctívago</title><content type='html'>Dorme a cidade lá fora, na sua paz adornada de vida. Em cada recanto uma luz amarelando a sombra, em cada recanto um pedaço de história, uma qualquer vida, tantas que se beijam, e se batem, e se riem, e se são. Lisboa tem pequenos cantos de luz por entre a sombra, sempre novos encantos tão antigos. Anciã sempre renovada, num espírito leve que voa, na bruma da sua melancólica expectante contemplação de um milagre sempre iminente. D.Sebastião projectando um povo que geme numa alegre dor carpida, um misto de mar, de sol, de chuva, de sal. Um povo de fados vividos e especialmente sonhados. Um povo por vezes parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dorme Lisboa lá fora, na sua aventureira ânsia de nunca verdadeiramente adormecer, embalando cá dentro as almas que em todos nós flutuam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6632905593464675172?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6632905593464675172/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6632905593464675172&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6632905593464675172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6632905593464675172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/05/noctvago.html' title='Noctívago'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-3460357794422050217</id><published>2008-04-23T01:42:00.000-07:00</published><updated>2008-04-30T19:01:05.716-07:00</updated><title type='text'>Narciso</title><content type='html'>Narciso acordara um dia já feito homem, desnudo em pleno jardim, porte altivo de quem se espanta de se ver. Narciso nascera brotado de si, de um cruzamento de sol e clorofila, entre o orvalho gelado dos campos. Narciso surgira assim, meio do nada, meio de tudo, como uma espécie de Messias, com a ilusão de com seu toque magnânimo mudar o mundo. Narciso gerou-se a si próprio num corpo de homem, mas na ilusão infantil do mundo lhe pertencer. Narciso era também conhecido na gíria como Peter Pan, porque de facto interiormente nunca quis crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narciso correu os campos confiante, mostrando toda a pujança do seu ser. Distribuia sorrisos e vislumbres de encantamento, rasgos sapientes de uma barata filosofia que como eureka lhe surge. O mundo para Narciso era ele, e ele de tal forma entranhado que nem se lhe poderia chamar egoísta. Narciso tentava mudar o mundo, Narciso sorria ao mundo, Narciso procurava conhecer o mundo, mas porque o mundo era seu, e tudo o que consigo se cruzasse se adaptaria a si, e todo o pensamento que formulasse partiria, giraria e acabaria no melhor para si. Narciso era assim um egocêntrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, ao caminhar para o lago onde sempre banhava seu corpo e sua alma (aquele irresistível momento orgásmico em que beija seu próprio corpo), descobriu algo novo entre o campo de flores que de cor conhecia (eram todas suas, todas, as florais memórias que ali jaziam inalteráveis). Era uma rosa, nova rosa vermelha que durante a noite brotara. Ela brilhava tão intensamente, cintilava tão ardentemente, tão diferente lhe parecia daquela paisagem que já conhecia!... A rosa era uma espécie de mistério. Havia sonhado com ela, mas nunca a pedira. Era rúbea, linda, mas tinha espinhos, ao contrário de todas as outras não desfalecia à sua passagem, era forte, indiferente, vivia independente a sua espinhosa força inebriada. Narciso logo se vidrara naquela nova flor. Desconhecida, aparentemente distante, bela, tinha que tê-la! A rosa seria sua, tinha que ser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ao voltar do seu ritual de auto-adulação, Narciso parou junto à rosa. Regou-a, sentou-se junto a ela, observou o sol irradiando em si mil tonalidades de escarlate, sorriu-lhe. Aos poucos foi-se aproximando, acariciou-lhe as pétalas, e de repente já os espinhos desapareciam ao vê-lo, e toda a vulnerabilidade da rosa lhe era visível. A rosa, como qualquer guerreira, é coragem que se mascára de defesas mas que é igualmente frágil por dentro. Narciso não o esperava. Para si o mundo era um prolongamento de adoração, uma batalha travada para afirmar o eu. Narciso viu, beijou, tomou em si a flor, e partiu saciado. A rosa era agora já só mais uma, talvez um pouco mais bonita, no meio de tantas outras. A rosa que nascera sem que ele pedisse era já sua, podia voltar ao rio para se banhar, inchando o peito em mais uma conquista. A rosa, por sua vez, aprendera que somos responsáveis por tudo aquilo que cativamos, e precisava de cativar e cativar-se. A rosa, que é forte, que é por si própria, que sabe partilhar com o mundo o melhor de si, que não vê o mundo à sua imagem mas como algo a que pertence, criara espinhos pois se habituara já à crueldade do mundo e o seu medo tornara-se enorme. Mas a rosa nunca resistia a um carinho inesperado... E a Narciso deu parte de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narciso partira, julgando que nada mais teria para conhecer, permanecendo na Terra do Nunca onde não sabe o que significa cativar, onde não sabe o que significa olhar o mundo, onde não sabe amar mais que a sua própria imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narciso caiu no rio. A rosa, apesar de tudo, ainda chorou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-3460357794422050217?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/3460357794422050217/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=3460357794422050217&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3460357794422050217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3460357794422050217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/04/narciso.html' title='Narciso'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1402882573349772426</id><published>2008-04-21T02:11:00.000-07:00</published><updated>2008-04-30T20:02:05.847-07:00</updated><title type='text'>Uma qualquer espécie de fim</title><content type='html'>Acordei. Parece que sim. Os olhos conscientes esfregaram-se entre meus dedos, e é suposto isso significar que acordei. Ainda uma pedra entalada na garganta, pedregulho espalhando-se pelo peito inteiro, e dissolvida no ar à minha volta, pois só assim encontro motivos para que a atmosfera me pareça acinzentada. Isso ou a poluição, mas dado que só hoje dei por isso deve ser mesmo a pedra que em mim cresceu a dar ares de importante. Que não é. Não pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei. Não sei que horas são. Não me parece que queira saber. Seja que horas forem vou continuar deitada. De novo a manta ao meu lado que abraço. Nunca é bom sinal quando ela lá está. Colorida como é para preencher um qualquer vazio em mim... Esse onde hoje parasita uma pedra, angular e espinhosa, cravando-se nos orgãos que a rodeiam, rindo-se de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei, mas parece que ainda estou a dormir. Ou a alucinar. É a mesma coisa. O ponteiro avança, o sol da janela que deixo sempre aberta já consegue tocar os meus olhos, quase o vejo em pontas de pés, gargalhando feliz como a criança que se orgulha da pequena maldade. E conseguiu. Não queria vê-lo hoje, não queria constatar que não sinto o seu calor, não queria lembrar outros dias de sol...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone toca, não atendo. Parece distante esse som, uma outra realidade qualquer. A ânsia de ver se um milagre me fará ler o nome que grito por dentro naquele visor... Vã esperança, bem sei, pelo que não me levanto para não chorar. A letargia parece resultar, concentrar o pensamento na água que ontem corria na fonte. Não sei se hoje corre, mas aposto que sim. O mundo não pára por causa de ti. Ontem contudo sei que era quem melhor me compreendia, essa água escorrendo pela pedra que afinal se alojou cá dentro. Sei que é a mesma pedra...nessa água mergulhei para me afundar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O despertador já tocou umas quinze vezes. Ainda não me apeteceu desligá-lo. A manta enroscada em mim e a lembrança do teu corpo continuando o meu... Guardei tudo num baú, numa pasta de ficheiros no PC, mas há sempre um qualquer cheiro que me invade, há sempre uma luz mais suave a bater contra o cortinado, há sempre um sorriso nuns lábios quaisquer que me parecem os teus, há sempre um riso que ecoa em minha mente, há sempre um vislumbre teu no sofá vermelho, há sempre a tua voz sussurrada... Parece que não sai de mim esse ente entranhado que te é, parece que me habitas e juntas novas pedrinhas ao meu peito já inchado em lágrimas que não quer verter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma música que ouço repetidamente e é tua, e tem-te em cada nota, e te faz voar ao meu redor... Imaginar-te indiferente, só para me magoar, imaginar-te malévolo, só para me desculpar, enraivecer-me como se o ódio me salvasse, como se sequer ele pudesse existir, procurar respostas para o que a razão não sabe explicar, acreditando nelas encontrar uma falha minha que tudo explique, que eu possa resolver e te traga de volta... E não trará, nada traz. De novo a mesma dor já tão conhecida, que é rígido massisso rochoso correndo em mim por vez de sangue, que é memórias que tento recalcar mas me polvilham, que é felicidade que nunca por muito tempo me é permitida sentir... Julgar-te ainda a única pessoa que comigo se coaduna e saber que não pode ser assim, tentar acreditar que acabou...Tal como previ já não há sorrisos enamorados, olhares encantados com tudo o que me sou... Agora só a benévola ausência de mágoa e o esperar "um dia virmos a ser grandes amigos"... Que arde cá dentro, ferida que não sei sarar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei? Dizem que sim. Acordei do sonho de ser especial para ti, de viver um mundo que livre voava em amor nas asas de uma ave migrante, vagueando na certeza de ser diferente, única, independente asa de almas que se tocam na inexplicável profundidade que as une e as permite em caminhos separados se cruzar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei, sim, tenho a certeza. Já não há chaminés de que sem justificação se gosta, já não há patos que contra nossos pés bicam, já não há um imenso sol inundando-nos numa magia que os olhos do mundo não viam, só os nossos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei. Uma qualquer espécie de pesar germina em mim, e não é mágoa, não é raiva, não é rancor. É amor que já sozinho livre voa na asa de uma ave primaveril, pelos ares de um mundo verde que meus olhos não mais conseguem ver...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1402882573349772426?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1402882573349772426/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1402882573349772426&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1402882573349772426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1402882573349772426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/04/uma-qualquer-espcie-de-fim.html' title='Uma qualquer espécie de fim'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4922240398139307167</id><published>2008-04-12T16:29:00.000-07:00</published><updated>2008-04-12T16:42:16.933-07:00</updated><title type='text'>A Dama da Noite</title><content type='html'>Á noite, talvez por estar escuro, talvez porque inesperado, abrem-se as corolas de um fruto de odores. A branca leveza de suas pétalas emana o perfume das Primaveras inumanas, e nas almas terrenas espraia-se o fascínio do cântico olfativo que nossos corpos excita. Talvez por ser mistério assim nos prenda, essa aromática rainha floral que a noite aos olhos veda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim nasce, ao cair da noite, o néctar do seu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na varanda se debruça para sentir a sua chegada. As mãos enrugadas sobre o ferro forjado do palacete art déco, as mesmas de há vinte anos, encarquilhando-se todas as noites um pouco mais. O seu olhar espectante, sempre estático, indicia a aproximação de algo. Eis que o toca a ansiada brisa. Sorri. Fecha os olhos, crava os dedos no ferro, chega-se um pouco à frente, inspira demoradamente... Sorri nesse inalar quase sufocante, todos os dias um pouco mais longo. Um pequeno saltinho para trás, expira, a cabeça gira, em seus olhos ainda cerrados risos de menina dançando e cantando, rodopiando com as flores que ao mundo atira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reabre lentamente os olhos, como quem recusa ver, como quem não aceita que nada é eterno, como quem chora o fim esperado. Sempre o mesmo desesperante vazio lhe fica... E no entanto não considera sequer em sonhos evitar essa dor. Mais vale ser-se pleno por segundos e sofrer todas as restantes horas, a não saborear esta elevação, este unir de alma e corpo num uníssono êxtase de felicidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechar de novo os olhos, agora já na sala, junto ao frio dos quadros, da poltrona e da lareira, na solidão que a ausência desse extracto de Paraíso lhe traz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senta-se pesadamente, exausto. Olha as molduras em volta. O que é um cheiro senão pequenas particulas de memórias?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4922240398139307167?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4922240398139307167/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4922240398139307167&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4922240398139307167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4922240398139307167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/04/dama-da-noite.html' title='A Dama da Noite'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5663039074740851795</id><published>2008-03-29T18:36:00.000-07:00</published><updated>2008-03-30T01:22:10.632-07:00</updated><title type='text'>O salto</title><content type='html'>Como descrever o que se sente quando o vento nos bate no rosto? Uma espécie de liberdade, uma espécie de leveza. Cerrar os olhos e acreditar por segundos que o tempo parou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda a orla crepúscular quando torna a espreitar ofuscada o que este mundo tem para lhe dar. Um desfiladeiro esverdeado, um mar imenso ao longe, nuvens de todas as cores que formam o branco, o flutuar de tudo o que o vento move. Inspira. Paz. É isso que o vento lhe traz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, contudo, essa paz não liberta, antes prende. Presa numa apatia cavernosa. Presa a uma dor que de tão habitual já não sabe explicar. Afinal novamente se enganara. Nunca nada muda, sempre só os personagens diferem numa estória sempre igual. Afinal não houve o que de bom no final retirar. As memórias não são todas más mesmo nas situações mais extremas, dizem-lhe. Talvez, pensa. Mas o vazio que sente é a falta de esperança, e a paz deste nada parece-lhe melhor do que uma nova luta. Sempre infrutífera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergue os braços em cruz, fecha os olhos. A ilusão do voo fá-la sorrir. Doem-lhe os músculos desabituados a esse gesto de alegria. Uma lágrima parece até querer escorrer-lhe timidamente cara abaixo. Um choro convulsivo era o que queria, mas esse nunca vem. Cerra os punhos quase violentamente. Agarra com força o vento, ansiando já plainar. Sorri, quase feliz. Amanhã já não estará ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5663039074740851795?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5663039074740851795/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5663039074740851795&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5663039074740851795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5663039074740851795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/03/o-salto.html' title='O salto'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5757044122816444564</id><published>2008-03-27T17:42:00.000-07:00</published><updated>2008-03-27T18:05:20.675-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='foto por João Silva'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_8Fi02hRRkW0/R-w_sZQK0YI/AAAAAAAAAAM/CT2e4iMAwRY/s1600-h/VolÃºpias-my+Sandman.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182587303122096514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_8Fi02hRRkW0/R-w_sZQK0YI/AAAAAAAAAAM/CT2e4iMAwRY/s320/Vol%C3%BApias-my+Sandman.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;   Se em sombra e luz me banhar e perante ti me expuser, se das trevas surgir vinda dos recantos da memória que esqueceste, se vinda do nada, porque de tudo, sempre de todo o lado, aparecer à tua frente...vais deixar-me entrar?&lt;br /&gt;   Ninguém morre em mim. Todas as pessoas que me foram ficam, são parte de mim. A vida muda, as circunstâncias mudam, o amor não. Amamos eternamente quem conosco se cruza. Há em mim um lugar só teu... Embora baixe barreiras para que outras pessoas ocupem o seu espaço.&lt;br /&gt;   Há em mim a vontade imensa que esse pedaço de mim tão teu não se esvazie, porque há o passado, e há a amizade que dele ficou. Há um vazio em mim que é a tua falta. Há um olhar perdido no jardim que te iluminava os dias, na janela em que em sépia me prendeste, nas volúpias que dizias existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5757044122816444564?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5757044122816444564/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5757044122816444564&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5757044122816444564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5757044122816444564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/03/se-em-sombra-e-luz-me-banhar-e-perante.html' title=''/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_8Fi02hRRkW0/R-w_sZQK0YI/AAAAAAAAAAM/CT2e4iMAwRY/s72-c/Vol%C3%BApias-my+Sandman.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6096543941058956581</id><published>2008-03-27T13:52:00.000-07:00</published><updated>2008-04-01T04:34:53.050-07:00</updated><title type='text'>Manipulações</title><content type='html'>O quarto era demasiado pequeno. Pelo menos assim lhe parecia. Parecia estar tão perto, tão excessivamente próximo que quase lhe sentia o suor. Era inevitável a vontade de lhe tocar, a ponta da língua em seu pescoço, descendo cada vez mais espessa até envolver em centrifugação o mamilo… A braguilha das suas calças começou a remexer-se sozinha, um burburinho de movimentos ascendentes. Era melhor virar a cara, fingir que nada acontecera ali em baixo, bem no centro de si mesmo. Tinha esperança que ela não notasse… Em vão, bem sabia, aquele sorriso mudo triunfante já lhe inundava o rosto. Fitava-o tão seguramente, tão intensamente, tão ardentemente… Mais uma vez ela vencera. O corpo não sabia respeitar o que a consciência lhe ordenava. Aquela ausência tão presente, aquela força de vulcão, aquele olhar que o queimava em fantasias, mais uma vez destroçaram toda a sua retórica, sempre vã.&lt;br /&gt;Tentou, entre a raiva e o desejo, perceber porque voltara, o que ainda o prendia aquela história sem princípio ou fim, aquele exíguo espaço doentio em que não havia um único vestígio de humanidade: nem sentimento, nem lágrima, nem cama desfeita, nem excremento, nada. O tempo perdia na sua mente a ordem sequencial… Quando ali entrara pela primeira vez, como lá fora parar, o que aconteceu primeiro, que discussão veio depois, quando adormecera, quando voltara a entrar para agora lá estar…não sabia responder. Voltava sempre. O sufoco desse eterno retorno atordoava-o, mas não sabia o que houvera antes e desesperava-o pensar que haveria um depois, mantê-lo era a solução.&lt;br /&gt;Face à incompreensão de si mesmo convenceu-se de que voltou por ser &lt;em&gt;boa pessoa&lt;/em&gt;, por não lhe desejar mal, por querer resolver tudo a bem, por não querer fazê-la sofrer (que a sua existência era claramente o mais fulcral na vida dela!). Este discurso de pacificação interior parecia-lhe lógico e acabou por resultar. Com o rosto complacente de calmo conhecedor de todos os meandros das almas, especialmente da dela (que obviamente o amou como nunca antes tinha amado e que por isso a sua ausência era uma dor lancinante que a desesperava), confiando que a sua decisão, iluminada e sapiente, seria a mais sensata. Perguntou-lhe finalmente&lt;em&gt; como estás?&lt;/em&gt; E ela respondeu que bem, entre ironias e pernas lentamente cruzadas, para depois gritar que era cruel o que lhe fazia e culminar num choro compulsivo e num estalo a cada benevolente aproximação de consolo. Tudo terminou com um &lt;em&gt;não te quero ver mais na vida, nunca ninguém me magoou tanto como tu, quem eu mais amei&lt;/em&gt;! Aterrado por este breve encontro que lhe pareceu durar toda a eternidade, ficou prostrado entre a vontade de a seguir, &lt;em&gt;merda merda merda, perdoa-me!&lt;/em&gt;, e a indefinição de pensamentos, &lt;em&gt;o que é que eu fiz desta vez?&lt;/em&gt; Não fosse o diabo tecê-las resolveu segui-la (que se ela se fosse embora de vez era uma chatice), desculpar-se, dizer que nunca ninguém o marcara como ela, e de repente já os lábios se entrelaçam, e as mãos deslizam, e as roupas voam caindo abruptamente no chão, e contra a parede os corpos se encostam e rodopiam em gemidos e gritos de nomes, e as unhas dela cravam-lhe as costas até o sangue escorrer num brado lancinante, misto de dor e prazer. No fim o cigarro na boca dele. Nela o olhar de felina, o fim do sorriso e a súbita declaração destrutiva: &lt;em&gt;aproveitaste-te de mim&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Uma espécie de vertigem, o sangue desce gélidos pés e sobe em flecha contra a face rúbea, &lt;em&gt;fi-lo?&lt;/em&gt; A dúvida. Forçara-a? Aproveitara-se da sua fraqueza? Magoara-a? Ela não o queria? Nunca mais a voltaria a ver? &lt;em&gt;Não, não, não, desculpa, eu amo-te, perdoa-me!&lt;/em&gt; E (quão inesperado!) ela vira as costas, num suspiro de vazia dor, e caminha a passos firmes pelo corredor, o corpo balançando, os saltos estilhaçando o chão, o olhar dele fixo naquele corpo, naquele cabelo esvoaçante, naquele pedaço de céu e de inferno que lhe ficara entranhado na pele. O que fazer agora? Como a recuperar? O que fora verdade? Onde errara? Será que ela volta?&lt;br /&gt;De volta ao quarto sem mobília, sem janelas, sem emoções, encosta-se a uma parede, tenta chorar, quase consegue, o cigarro queima-lhe o braço, enegrece-lhe os pulmões, incendeia-lhe a epiderme de novo. Mais vale ficar no quarto, que pode ser que ela volte, que pelo menos aqui ela vive em toda a parte, ri, respira, arfa em todo o lado, C02 é-la aqui, no quarto vazio da sua não-relação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6096543941058956581?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6096543941058956581/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6096543941058956581&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6096543941058956581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6096543941058956581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/03/manipulaes.html' title='Manipulações'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6104253849258723458</id><published>2008-03-25T16:45:00.000-07:00</published><updated>2008-03-25T16:55:04.702-07:00</updated><title type='text'>Destino</title><content type='html'>Cintila distante o sorriso que me abraça. A ausência é o estado de quem não tem. Nada em mim é ausente, apenas saudoso.&lt;br /&gt;Na árvore que em mim respira, o tempo inteiro engolido na seiva que me alimenta e me consome. Há por esses campos os gritos dos rostos enegrecidos. Há nesses campos quem não tenha como gritar.&lt;br /&gt;De olhos postos na orla desse mar caminho, rumo à missão que me define. Em mim fica esse tempo inalterável que é a certeza do amor. Que um Homem é não só o que se faz mas também o que se sente, o que em si sente.&lt;br /&gt;Estás em mim, à beira desse mar tumultuoso com que navego meus dias. Estás em mim, nos olhos que cerro, no que dentro me vive, esse espaço só meu em que cabe um mundo inteiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6104253849258723458?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6104253849258723458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6104253849258723458&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6104253849258723458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6104253849258723458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/03/destino.html' title='Destino'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8486037183058536495</id><published>2008-03-19T05:24:00.000-07:00</published><updated>2008-03-19T05:34:44.164-07:00</updated><title type='text'>perda</title><content type='html'>escuro. de um lado a cara talvez errada que nem lá está. do outro não sei, não vejo. esfrego os olhos mas sei que ainda estou a dormir. tacteio o lençol, o que procuro? já nem sei, já nem sei... uma lembrança, uma alucinação, houve alguma coisa afinal? uma escuridão imensa que é grito calado em mim pelo sono. um vazio que se mistura com este frio que me invade. uma saudade de tudo o que não é um hábito. uma saudade do que deixei fugir por julgar certo, por não valorizar o suficiente, por não me esforçar por entender. o seu sorriso na escuridão, só para mim, a sua mão na minha, entrelaçando-se, a sua perna sob a minha, aninhar-me em seu peito. ela. só ela que vejo como miragem na escuridão, só ela que choro por dentro, porque não está mais aqui, porque não posso recuperar, porque não soube ter, uma saudade que é já também raiva de mim mesmo. ela. que eu perdi. ela. que eu procuro todas as noites a meu lado, nesse misto de desespero e fantasia, nessa ausência que me pesa mais que os dias que arrasto... ela. já distante, sempre etérea. ela. que não sei por onde voa. mas vive em mim. no beijo que lhe guardo selado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8486037183058536495?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8486037183058536495/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8486037183058536495&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8486037183058536495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8486037183058536495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/03/perda.html' title='perda'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6779637086951683511</id><published>2008-03-18T10:58:00.000-07:00</published><updated>2008-03-18T11:16:50.775-07:00</updated><title type='text'>Caleidoscópio</title><content type='html'>O frio gela a minha face num súbito quente aconchego. Há gatos que saltitam sobre meu colo, há luzes lá fora de onde parecem vir todos esses cânticos de aves que desconheço e buzinadelas de cilíndricas viaturas que me parecem balões de ar quente na sua leveza... Esse planar que os guia por pontes de madeira entre canais de tulipas floridos, voando... Novas aves que flutuam nesse gaseificado mar de tonalidades sempre diversas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu lado a vela quase gasta da noite inteira acesa, que não se extingue em mim, só aumenta com as horas, com as carícias pós-coitais, com os beijos que se perdem bem dentro pela madrugada fora, com os pretos lençóis desalinhados, feitos à nossa medida... O tempo parou. O que foi ontem? O que houve antes? O que fui? O que me trouxe até aqui? Nada mais importa. O passado está guardado sem me importunar. Há espaço somente para amar, dentro de mim só tempo de amar, amar-te. Amar-te nesse teu olhar que me prende. Amar-te nesse sorriso teu que em mim cintila. Amar-te nas palavras tuas, nas conversas intermináveis, nos risos, nas músicas que entoas, nos dias que passam sem que dê por isso, nas tuas mãos levemente delineando o meu corpo, nessa ternura que é paixão ardente e amor que me escorre em emoção pelo rosto... Há o tempo de te ser, de em ti me ser, de viver o teu dia que é assim meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um mundo de que não quero sair, que tenho medo que assim somente em mim exista, que temo perder a cada instante... Há um mundo que é esse tu que em mim crio e que ouso julgar real. Há um mundo inteiro à espera de nos ver voar por aí, nesse indefinido destino de nos sermos. Todos os caminhos são possíveis, todos novamente possíveis e rotativamente dispostos à nossa frente... Vou saltar. Talvez me espere o precipício. Por ti até ele vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6779637086951683511?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6779637086951683511/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6779637086951683511&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6779637086951683511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6779637086951683511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/03/caleidoscpio.html' title='Caleidoscópio'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4258161528408341167</id><published>2008-02-20T05:13:00.000-08:00</published><updated>2008-02-20T05:16:16.396-08:00</updated><title type='text'>Tempos</title><content type='html'>Fitar o firmamento. O que se procura afinal nessas estrelas que parecem coladas num qualquer manto de céu e inferno? Recuso-me a colocar maiúsculas para o descrever. Não há deus que o divinize no sonho que imagino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar os astros que bem longe ardem, tão dentro que em nós ficam em tudo o que os transformamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mim estrelas são olhos…Olhares de quem tão longinquamente está perto, soslaios de quem tão perto me é já distante… Não acredito no espaço e tempo humanos. Acredito nas dimensões que de nossos humanos sentimentos extravasam barreiras. Acredito nos olhos verdes que estrelas douradas hoje me trazem, num céu que parece não querer clarear, que pareço assim querer manter, para contigo poder ficar, mesmo que as fronteiras linguísticas afirmem que separados estamos. Sinto-te junto a mim, na nocturna divagação da minha alma, neste tempo inerte a que chamo casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4258161528408341167?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4258161528408341167/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4258161528408341167&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4258161528408341167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4258161528408341167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/02/tempos.html' title='Tempos'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5651969325208532771</id><published>2008-01-12T17:10:00.000-08:00</published><updated>2008-04-01T04:41:21.596-07:00</updated><title type='text'>O Mundo de Sofia revisited</title><content type='html'>Sofia dizia que sim. Claro que o vaso ficava bem ali, e acolá também.&lt;em&gt; E aqui, querida, o que achas?&lt;/em&gt; Olhando de soslaio, respondia que estava bem, desinteressadamente. &lt;em&gt;Não pareces gostar muito...&lt;/em&gt; gosto pois! e um sorriso forçado.&lt;br /&gt;A vida de Sofia resumia-se a sim's ocasionais. Sim aos cereais ao pequeno-almoço, sim ao mendigo na rua, sim à ajudinha do arrumador de carros, sim ao eurozinho que lhe pede, sim ao favorzinho que a colega suplica, &lt;em&gt;que estes miúdos só apanham viroses nas escolas!&lt;/em&gt; Pela hora do almoço já o barómetro escaldante dos sim quase rebenta, e ao jantar explode com as horas extra no consultório, com a gorjeta dada ao rapaz do café ao lanche, com os cêntimos à vendedora do Borda d'Água, com o &lt;em&gt;com certeza&lt;/em&gt; ao porteiro do prédio, com o &lt;em&gt;com todo o gosto&lt;/em&gt; à vizinha doente que lhe pede &lt;em&gt;mais uma receitazinha&lt;/em&gt;, com o &lt;em&gt;está bem&lt;/em&gt; ao filho que vai chegar mais tarde, com o &lt;em&gt;o que queiras&lt;/em&gt; ao prato favorito do marido. Ao jantar Sofia fica calada. A boca do marido gesticula incessantemente, todo o tempo. Abre e fecha. Abre e fecha. Não se cansa? - pergunta-se. Nunca se cansa de falar, de ver o futebol, de criticar o Marcelo, de barafustar com os &lt;em&gt;fascistas que criaram esta lei discriminatória do fumador,&lt;/em&gt; de palitar os dentes na casa de banho, de se deitar à meia noite, depois de um dia de trabalho, ainda com vontade de uma quecazinha. Há anos que não fazem amor. Esse evaporou-se com os gritos, o crescimento dos filhos, as ausências, os pedidos a mais, os carinhos a menos, as traições mal escondidas, a indiferença.&lt;br /&gt;Fingir um orgasmo, o marido nem perceber. Dizer que se ama só porque sim, porque não se quer discutir, porque amar ou odiar agora é quase a mesma coisa, é sentimento a mais para o vazio que se sente. Sofia queria gritar-lhe que não lhe dá prazer em coisa alguma, mas não pode. Há dias em que se torna frígida. Ele exaspera-se, não entende porquê, procura uma puta fina qualquer, uma &lt;em&gt;amiga, &lt;/em&gt;demora mais tempo a chegar a casa por causa de &lt;em&gt;uma reunião urgente no escritório. &lt;/em&gt;Sofia finge que acredita. Faz parte do acordo de qualquer matrimónio. "Amar e respeitar até que a morte os separe", máscara para a realidade de um aguentar e aturar até que o tempo de se afastarem chegue. Ás vezes não chega. Os filhos vão embora, mas a velhice vem, e ninguém quer morrer sozinho... Por isso se atura até a bebedeira e o assédio do amigo, até a saia curta da empregada e as cuecas rendilhadas encontradas no bolso do casaco (que cenário tão deprimentemente &lt;em&gt;kitsch&lt;/em&gt;), até os burriés vasculhados com o indicador no nariz, até o atraso no pagamento das contas e o vício do cigarro que empesta a casa.&lt;br /&gt;O marido ainda sobre si&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Parece que nunca mais acaba. Sofia diz que sim que está a gostar, oh sim! sim!, Sofia ama-o, ó quanto! Sofia diz que sim, que quer. Mas Sofia diz também que sim ao director de serviço, quando o desespero já é muito. A graçola fácil depois do acto, &lt;em&gt;você devia ser boa a anatomia&lt;/em&gt;! Sofia sorri enquanto abotoa a camisa, pensando em que ano da primária o cérebro daquele idiota estagnara. Os olhares das enfermeiras comendo-a viva e o desprezo das colegas beatas e púdicas quando regressa ao corredor. Subitamente tudo lhe parece mais escuro e sufocante. Um pouco de ar fresco, só um pouco de ar fresco, e poder, e conseguir, finalmente chorar.&lt;br /&gt;Sofia abana a cabeça, não quer mais pensar. Dormir, agora que ele já teve a sua ejaculação, finalmente dormir, virar-se na cama, boa noite, e poder ficar sozinha. Talvez hoje as insónias sejam menores, talvez durma...Na certeza de que amanhã é outro dia. Mas hoje, só por hoje, pode ficar novamente sozinha, consigo mesma, sem vozes estridentes ecoando, sem camisas para passar a ferro, sem loiça para lavar. Amanhã é outro dia, e talvez o sol brilhe mais tarde, deixando-a ser feliz, só mais um bocadinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5651969325208532771?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5651969325208532771/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5651969325208532771&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5651969325208532771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5651969325208532771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2008/01/o-mundo-de-sofia-revisited.html' title='O Mundo de Sofia revisited'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6753949944997875957</id><published>2007-12-02T17:47:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T02:43:51.629-08:00</updated><title type='text'>Isolation</title><content type='html'>2 a.m. I am writing just because I've nothing to say. My head aches. I don't ponder upon anything, there's no insight, no contribution, no beauty, no talent. I write now just cause I feel I have too, just cause I want to. I wonder how many times have I done this in my whole life, just do what I feel like doing, no worries... Not many. Maybe none. It's two o'clock and there are no lullabies echoing in my head yet, and for the first time I don't daydream about some other place that would be me for a while, I don't runaway, no imaginary time lulls me to sleep. I feel empty, though so filled up with screams and regrets and ressentment. Strange feelings. All melt, mixed up, confusing. This heavy void, this sudden faint, this shadow in the mirror, these paper cups floating all around, firmly carved on the ground. How many speeling mistakes have I made so far? No idea. 2 a.m. I remmember I read something about a girl in a prison today, it annoyed me. I put myself into her position and felt hate growing inside me, expanding me in dark purple bubbles that explode, that destroy. I remmember I made some plans today, I don't know if I achieved any of those goals. I remmember now some day I was holding a child near the sea with my eyes closed... I remmember the taste of that sunset... I cry. Beauty makes us forget and dream again. It makes us believe we can build something, change something, do something about everything! And we can. But we never do. I'll go to sleep now. What will I be doing tomorrow? Will I watch the news? Will I be on the news? Will I make any difference? Will I care? My future is my past now, coming bursting throught the walls again, invading me, stripping me so agressively! The person I am comes to me, comes to the mirror to look throught me, I am so afraid of her, I am so ashamed of her. Will time make any difference? Will these eyes smile again? Isolation seems to be the way. Isolation seems worthy. Never fell in love with myself.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6753949944997875957?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6753949944997875957/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6753949944997875957&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6753949944997875957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6753949944997875957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/12/isolation.html' title='Isolation'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1422188252682594893</id><published>2007-11-02T20:04:00.000-07:00</published><updated>2007-11-07T16:30:56.836-08:00</updated><title type='text'>Num fato preto</title><content type='html'>Perco-me sempre nos pensamentos dos outros quando naufrago pelos transportes públicos. Gentes que entram e saem e sorriem ou nada dizem. Há em mim uma curiosidade imensa pelas suas vidas. Como se chamarão? Porque estarão aqui? Para onde irão? O que os espera nesse local para onde se dirigem, cabisbaixos ou sorridentes? Como será ser em si? Gostarão de pão quente pela manhã? Gostarão mais do campo ou da praia? Como será que gostam dos ovos, escalfados, mexidos? Serão felizes?&lt;br /&gt;Penso sempre como seria bom segui-los, descobrir onde trabalham, com quem saem à noite, porque choram, como acordam… Ao despertar somos sempre mais sinceros, revelando a amiba do que somos.&lt;br /&gt;A confusão instala-se quando as portas do metro se abrem chiando. Pés que nos pisam e ombros que sacodem, o cheiro das gentes e o vento na gare, as escadas cada vez mais exíguas, cada vez maiores, o afunilar dos corpos, passar pela cancela, inspirar o vento frio que nos chega subitamente, o interminável corredor onde as luzes piscam em tons esverdeados. Á minha frente um fato preto escorrega num corpo magro. Quase calvo, baixo, magro, esgueira-se com uma pasta também preta pela mão. A pele parece pálida, diria chinês, aspecto de ilícito, fascinante! Para onde irá? A vontade de discretamente o seguir, descobrir quem cumprimenta pela rua, como caminha, que trilho segue, como o vento faz o seu escasso cabelo esvoaçar, como é o seu rosto, envelhecido?, cinquenta anos? cinquenta e três? Como sempre esta vontade de reter quem se cruza comigo no sorriso que sempre lhes esboço, a curiosidade de ver o que há além daquele fato preto listado, além daquele andar inseguro, além daquela mão que aperta o segredo que guarda aquela pasta…&lt;br /&gt;Hoje vou subir as escadas de encontro à noite fria, sim, mas vou até onde este estranho me levar.&lt;br /&gt;Imagino já tudo… Lá fora o céu é breu, as estrelas cintilam mas nem as vemos, parece distante o firmamento que nos envolve, tão perto de se afigurar uma campânula… Penso sempre o quão triste é esta distância de quem está tão perto… Poderia eu mudar alguma coisa na vida daquele homem? Imaginemos que eu o sigo rua acima, o assador de castanhas arruma o estamine, ainda se sente o cheiro da brasa, as montras já vazias de vida, cheias de pó e luz, um velho na esquina com uma boina e digo boa noite em troca de um sorriso espantado, os sapatos do homem que sigo são pretos e não param, sempre ao mesmo ritmo, a Portugália ao longe em filas imensas de homens barrigudos e famílias tradicionais está cada vez mais perto, tão perto que os pés sapateiam para fazer a curva. Ao entrar na Pascoal de Melo os plátanos gemem com o vento, olho a folha que me cai sobre o rosto e se afasta, um rapaz passa exibindo o mp3, uma criança pela mão da mãe, a marroquina esconde a cara, a loja dos anos 50 junto à Casa Kids junto ao restaurante Amor de Mãe junto ao jardim Constantino com o mendigo dormindo junto aos pés que passam e livros empilhados que abraça…Quem diria? Quase paro. Intriga-me a história marginal daquele homem que mal vejo. Hoje não, tenho que seguir o chinês da pasta preta. E se entretanto, passando a rotunda da Estefânia, já junto ao hospital, com o odor das damas da noite e os parques infantis, a mala lhe caísse? E se eu fosse apanhá-la mesmo quando um carro quase a atropelava? E se ele ficasse eternamente agradecido e se curvasse em sinal de gratidão e respeito? Como seria a sua cara? Como seria a sua reacção? Sorriria? Convidar-me-ia para jantar com a sua família? O que estaria naquela mala? Salvá-lo-ia da tragédia do fim dos rendimentos, da fome da família que é sete filhos, duas irmãs, três cunhadas e respectivos maridos, a sogra viúva, a avó e a mulher?&lt;br /&gt;O corredor é contudo interminável, as luzes piscam a todo o momento, e parece que tudo se transforma…Já não é um fato que se quebra à minha frente, é um corpo nu, um corpo jovem, um corpo moreno, em segundos de entrecortados holofotes sei que é um corpo de homem jovem, um corpo que quase posso tocar, e não posso, e quero, não posso querer…A pele suada, pingos de qualquer coisa que não sei se é suor, álcool, fluído corporal, mas cintila em azul, em verde, em roxo, brilha em todo o lado e em mim na vontade de lamber, a ponta da minha língua em cada poro, toda uma epiderme por mim engolida, trincá-la, saciar a sede de êxtase, “bring it back down, bring it back down”.&lt;br /&gt;Parece que conheço aquele corpo, este corpo que sinto abraçar e que acordo para lá não estar. Parece que é em mim e já me foi, parece que o toco e o sinto, que me sorri e me fala. Parece que é alguém que vive em mim…Parece que esse corpo me diz vem, me repete vem a cada instante em que a luz falha no homem de fato que à minha frente caminha. Parece que o corpo me fala e és tu… Perguntavas-me sempre se te entendia sem, contudo, esperares resposta. Era óbvio que eu concordaria porque o que querias era só acalmar a consciência. Se não aprovasse eu que me lixasse, mas logo refilavas: merda merda merda, desculpa existir!, e assim resolvias todos os problemas.&lt;br /&gt;Olho para o lado, o ladrilho, o latir de um cão lá fora, uma mulher que me dá um encontrão e pede desculpa quase lamentando a sua própria existência. Sigo em frente. Onde está o homem do fato? As escadas já estão à vista e não o vejo, já não o vislumbro no corredor, nem lá atrás porque não passou por mim, tenho a certeza, e à frente… Seguiu sempre em frente, andou, avançou com a sua vida guardada numa pasta preta que eu perdi de vista, absorta em mim e nos meus pequenos problemas. Lá fora já só me espera o meu caminho para casa… E a incerteza de alguém me seguir, alguém questionar o que é afinal a minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1422188252682594893?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1422188252682594893/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1422188252682594893&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1422188252682594893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1422188252682594893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/11/num-fato-preto.html' title='Num fato preto'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-5203701164358507421</id><published>2007-11-02T06:16:00.000-07:00</published><updated>2007-11-07T16:24:59.851-08:00</updated><title type='text'>Em vão</title><content type='html'>Parei. Pensei que se parasse em frente à mesma casa, com as mesmas portadas verdes, o mesmo plátano de folhas esvoaçantes, o mesmo vento puxando-me para o lado o cabelo revolto, ainda me olhasses pela janela. Parei, em frente à casa de onde em tempos me espreitavas ao passar pela rua fingindo não te ver, onde depois ambos entrámos de mãos dadas, onde vimos o luar da mesma janela, a mais pequena, só nossa. Hoje ainda estás à janela, olhando qualquer coisa que eu já não sei ver. Fui eu que saí pela porta ou foste tu que ficaste preso à janela? Já não sei o que foi, o que fui, para ainda menos ter noção do que sou... Sei somente que espero por ti à porta, desconhecendo o dia que é, as horas que passaram. Espero, parada à tua frente, como um fantasma que não consegues ver, invisível, alheio ao teu olhar transfixo. Será que ainda te lembras de mim? Será que alguma vez de facto entrei por essa porta e de brisas sorridentes te preenchi? Será que do alto do teu pedestal novamente me vais esboçar um sorriso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-5203701164358507421?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/5203701164358507421/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=5203701164358507421&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5203701164358507421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/5203701164358507421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/11/em-vo.html' title='Em vão'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4114730219608675958</id><published>2007-10-15T15:54:00.000-07:00</published><updated>2007-10-15T16:00:12.290-07:00</updated><title type='text'>Despertar</title><content type='html'>Sacudam&lt;br /&gt;ventos o sol&lt;br /&gt;que já não brilha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo o lado,&lt;br /&gt;bradados,&lt;br /&gt;cânticos de feras&lt;br /&gt;nos agitem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de teu&lt;br /&gt;meu corpo seja&lt;br /&gt;feito treva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por ti&lt;br /&gt;em mim se cale&lt;br /&gt;já meu grito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no sangue&lt;br /&gt;que me enche&lt;br /&gt;e não esvazia,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brotai&lt;br /&gt;fogo primeiro,&lt;br /&gt;de nossos&lt;br /&gt;outros dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4114730219608675958?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4114730219608675958/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4114730219608675958&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4114730219608675958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4114730219608675958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/10/despertar.html' title='Despertar'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-3150013803709075417</id><published>2007-10-13T16:48:00.000-07:00</published><updated>2007-10-13T17:05:23.156-07:00</updated><title type='text'>Desenlace</title><content type='html'>E de novo o sol desponta sobre o rio. E levanta-se tão lentamente que parece inerte o tempo à nossa volta. Parece que nunca mais nasce, que fica sempre expectante, pairando ao redor. Ainda dás por isso? O nascer do dia, as andorinhas em rodopio, o cintilar das águas, o frio contra os corpos em chama. Ainda te lembras?&lt;br /&gt;Dizem que depois já não havia nada, nem sol, nem luz, nem olhos brilhando, nem evocações da praia (mas de Inverno). Dizem que depois já não te lembravas e que nem querias saber, dizem que passei como uma pequena farpa pela tua vida e voei. Dizem que faltou tempo, faltou intensidade, faltou espaço, faltou verdade, que tudo faltou para que deveras algo fosse. Dizem que passaste por mim e não me viste, que não me foste. Dizem que ao longe as vidraças nunca brilharam, e que só na minha mente (e no meu coração) algum amor existe… Dizem que ainda ris, que ainda olhas com sorrisos a vida que corre lá fora e te cresce bem dentro. Dizem que ainda não sabes ser feliz. Dizem que continuas o mesmo: o mesmo cabelo desalinhado, o mesmo riso de miúdo, a mesma sagacidade, o mesmo humor refinado. Dizem que ainda te levantas, ainda que tarde, e que parece que estás mais revolucionário. Dizem que vais ficar bem. E eu fico feliz.&lt;br /&gt;Dizem que vives, e que de mim já nada dizes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-3150013803709075417?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/3150013803709075417/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=3150013803709075417&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3150013803709075417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/3150013803709075417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/10/desenlace.html' title='Desenlace'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-2083734528239117537</id><published>2007-09-16T17:54:00.000-07:00</published><updated>2007-09-16T17:55:38.459-07:00</updated><title type='text'>Desamor</title><content type='html'>Um raio desponta a nascente, dentro de mim uma luz incandescente grita, um foco de calor, de tumulto, de pânico. A malícia desses gemidos que me acordam, estilhaçando epidermes ressequidas, esvazia-me a raiva que sobe em flecha contra meu corpo…até nada restar.&lt;br /&gt;Desperto. O vento dança à minha volta. O espaço que me rodeia parece-me desconexo. Tenho que pestanejar, talvez assim acorde num lugar familiar. Tudo na mesma. Continuo a descobrir-me sozinha numa praia deserta quando abro os olhos. Um mar revolto em frente, bradando-me os meus medos e desejos mais promíscuos.&lt;br /&gt;Não sei como cá vim parar. Não sei sequer para onde irei. Não sei que respostas dar às perguntas que formulo e para mim não basta questionar. O controlo de tudo é o que me move. Talvez por isso invente respostas complexas para o que é simples. Quando uma criança me pergunta porque gostamos mais da caligrafia dos outros do que da nossa, eu respondo: talvez por acharmos que podemos sempre fazer melhor, ou porque apreciamos melhor o trabalho dos outros. Ao que ela me responde, troçando: Não, é porque estamos habituados à nossa e fartamo-nos dela. E assim ela resume tudo o que me extravasa. O maior tormento interior do Homem: o marasmo.&lt;br /&gt;Fico melhor sozinha na praia. Tudo em mim cai em tédio porque faço sempre as piores escolhas. O desafio move-me e esgota-me.&lt;br /&gt;Aqui, à beira-mar, a vida volta a ser mais possível. Recomeçar, partir do zero. Amar será um dia novamente possível. Por hoje fico-me pelo prazer de inspirar a orla deste imenso oceano que de mim mesma me leva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-2083734528239117537?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/2083734528239117537/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=2083734528239117537&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2083734528239117537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2083734528239117537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/09/desamor.html' title='Desamor'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1843822795090828178</id><published>2007-08-22T18:35:00.000-07:00</published><updated>2007-09-11T05:00:46.406-07:00</updated><title type='text'>IN LOKO para Miguel</title><content type='html'>Intenso, profundo, sedento, apressado: o nosso último beijo. Na rodoviária. Sol poente. Lágrimas. Mãos dadas. Sorriso no olhar. Sorriso triste. Entraste na camioneta. Segui em frente. Fiquei contigo no mesmo lugar. Sorriso. Mãos dadas. Lágrima que te enxugo com o dedo trémulo. Beijo sincero e carpido. Olhar-te.&lt;br /&gt;Na memória é tudo já tão disperso, diluído. Cada momento mais vívido, mais lembrado, mas também mais onírico, porque ideal. O tempo flúi em mim na música que me invade…&lt;br /&gt;A parede tingida, como que um quadro, a chaminé tão dourada sobre o branco da cal e a lua despontando no cimo, os holofotes são púrpura, talvez magenta, e o teu sorriso por entre o pêlo do gato que afagas. Os espasmos epilépticos do guitarrista, língua no canto da boca, calças de cortinado, botão que puxa para baixo o som que me vem de cima, e a palheta ainda na boca do Sebastian, o cá e o lá da percussão, bafo a licor ao lado, o entoar do ressonar a cada abrandamento do ritmo, riso, criança dorme a meus pés iluminada pelo breve raio de luz, sombras chinesas dos dedos do Sasseti na parede branca, o cabelinho “à foda-se” do Sasseti, o tic, o toc, pés batendo o chão ao som do jazz que flutua, tic tic tac, cigarro no dedo, sopro, dá-me lume, olhar cruzado, toc, a criança dorme, Vera para menina…e se for menino?, o contorcer ritmado do guitarrista, o ressonar a cada pausa, os pequenos pormenores estúpidos que não interessam porque é tudo tão magnânimo, as faces dos espectadores, maravilhadas ou entediadas, nunca mais, nunca menos. Palmas. Toque na perna, envolver o joelho com as duas mãos, vontade de delinear a perna e subir subir até me tocar, lembrança da tua língua lambendo teu próprio lábio e do teu olhar nesse momento, orgásmico, como a música, penso orgasmo, Miguel, singular não, múltiplos, Miguel, hesitação, promiscuidade em pensamentos, que importa!, Miguel, o xarope é Moscatel, Miguel, o dedilhar do contrabaixo, Miguel, a teleobjectiva foca a banda, Miguel, ninguém me vê posso fazê-lo, Miguel, aperto as jardineiras de pano em retalhos, Miguel, sinto a minha perna, Miguel, lembrança de Babe, you turn me on, Miguel, fazer amor contigo, Miguel, dançar contigo, Miguel, ver os peixes na Gulbenkian, Miguel, tomar o pequeno-almoço contigo, na cama, Miguel, acordar em teus braços, Miguel, noites em tua casa, charros, o cigarro aceso da miúda ao lado, Miguel, Deleuze e Anti-fa Hooligans, Miguel, o tic, o tac, o toc, o teu toque…Miguel.&lt;br /&gt;O céu estrelado sobre mim, tenho que afastar meus profanos pensamentos, tenho que afastar a tua imagem que me enternece mas atormenta, Miguel…&lt;br /&gt;Intenso…Jazz no Catacumbas; jazz dos In Loko em Tavira… Paragem de autocarro no Rato; rodoviária de Tavira… Aurora no Adamastor, abraçados, junto ao Tejo; poente em Tavira, abraçados, junto ao Gilão… O fim e o início cruzados, intensos, profundos, eternos, fugazes…como se nós tivéssemos sido 24 horas…Olhar-te é, será sempre, como escutar as teclas de Sasseti, o ruído do mar contra as rochas, um tango…intenso, especial, enchendo-me a alma de paz e felicidade…. “Everything is collapsing, dear…And babe you turn me on”…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1843822795090828178?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1843822795090828178/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1843822795090828178&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1843822795090828178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1843822795090828178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/08/in-loko-por-miguel.html' title='IN LOKO para Miguel'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7771231851347130709</id><published>2007-08-22T18:31:00.000-07:00</published><updated>2007-08-22T18:34:51.954-07:00</updated><title type='text'>Nocturno</title><content type='html'>Há noites que nos são mais plenamente…Quando as estrelas se entrelaçam e despontam sobre nós vindas da escuridão; quando o mar se ouve ao longe e perto o gato adormece de encontro ao nosso peito…&lt;br /&gt;Há noites que de tão escuras são mais claras: no muito que a lua as brilha, no tudo que se vê enfeitiçado.&lt;br /&gt;Assim, em noites como essas, parece mais possível fugir…e quieto se fica distante, acreditando que o tempo parou.&lt;br /&gt;Nestas alturas penso sempre nas pequenas coisas mascaradas de grandes: os medos, os ódios, as cobiças. Lembro mais alto o sol e em si as memórias que me fazem sorrir, frescas como a brisa que me cerra os olhos quando inspiro a luz desse poente que me invade de calor, isto é, de vida.&lt;br /&gt;As noites em que me deito mais vazia, deixando que os cânticos noctívagos se apoderem de mim, enchem-me de um tudo que me é. É então que me deparo comigo mesma, como quem se olha ao espelho e através do inverso de seus olhos se vê…&lt;br /&gt;Vejo-me por entre um rosto quase estranho, submersa na penumbra de um intenso luar. Parece que os meus olhos choram, mas não há lágrimas. Mortiços e apagados, como se eu me misturasse com as sombras que dançam em meu redor, nos mesmos tons de preto e branco, cores neutras, preto e branco, as não-cores: o preto e o branco.&lt;br /&gt;Há uma voz vinda de dentro que grita um nome que não sei se é o meu… Por permitir que me redefinam todos os dias, esqueci que nome me é…porque sou todos sou também nenhum… Despojada da minha própria identidade, também não reconheço a imagem reflectida no espelho, no lago, na lua…&lt;br /&gt;Escondo-me novamente nas trevas que, rindo de mim, me envolvem, ansiando que desta vez, só desta vez, o sol não me ilumine tão cedo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7771231851347130709?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7771231851347130709/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7771231851347130709&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7771231851347130709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7771231851347130709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/08/nocturno.html' title='Nocturno'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-8302136132721299561</id><published>2007-08-07T22:31:00.000-07:00</published><updated>2007-08-09T13:41:25.115-07:00</updated><title type='text'>Depressão</title><content type='html'>O dia nasce novamente.&lt;br /&gt;O sol ergue o dia. O sol esmorece no horizonte. Cai a noite. A lua. O azulado desponta aclarando-se. O dia renasce.&lt;br /&gt;Todos os dias, dia e noite, dia e noite, a mesma rotina, o mesmo tempo sem paredes que o distingam, só o sol raiando ou desfalecendo, e mais ou menos luz, e mais ou menos gente, e mais ou menos sons, e mais ou menos vidas. Todos os dias tudo igual porque desisti de dormir. E de comer. E de falar. E de sorrir. E de sonhar.&lt;br /&gt;Há um mundo que se esconde nas vidraças destes olhos que ninguém sabe ler. São baços. Perderam o brilho num tempo que não sei mais contar. A memória afasta-se com o peso que o passado nos deixa quando não sabemos resolvê-lo e temos demasiado para solucionar no presente. Os problemas, os dilemas, os traumas, as culpas, as vergonhas, as indefinições...&lt;br /&gt;Uma incapacidade de alegria, de vibração, de êxtase, de harmonia, de paz... Faz-me falta sentir, sentir o mundo pulsar dentro de mim. Em ti parece que nada mais de mim existe, talvez porque nunca soubeste gerir as pessoas da tua vida. Deixas o passado querido num saco roto por atar junto ao peito, e abres chagas que não sabes sarar. Os extremos sempre foram o pilar da tua sociabilidade...Tudo o que fica a meio caminho hiberna em ti.&lt;br /&gt;Dentro da pele que sinto alheia, mas é tão minha, há uma imensidão de certezas e sorrisos passados, uma noção de futuro, uma esperança, uma percepção real de tempo, mas, apática e catastrófica, não vejo presente.&lt;br /&gt;O abismo sob meus pés incita ao flutuar do meu corpo... O sol ainda espreita por entre os prédios...Imagens de um abraço no jardim, lágrimas por olhares que beijam em miradouros...As mesmas horas, emoções tão outras...Esse outro tu que é presente, bem mais real, bem mais vivo em mim... Sorriso que me prende à vida que não sinto, à possibilidade de um mundo novo, mais feliz, dentro de mim... Não é para que me salves que te quero. É por querer-te que me salvo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-8302136132721299561?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/8302136132721299561/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=8302136132721299561&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8302136132721299561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/8302136132721299561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/08/depresso.html' title='Depressão'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-190442102205120033</id><published>2007-07-22T09:03:00.000-07:00</published><updated>2007-07-22T09:04:27.873-07:00</updated><title type='text'>Mito</title><content type='html'>À força de te ver correr por aí, recuei. O mesmo medo que me assolava assalta-me de novo com a intermitência da tua presença. Essa antítese temporal que há em ti, de estar e não estar ao mesmo tempo, sempre me deixou insegura, como se a tua alma pairasse e só por vezes se deixasse vislumbrar, de mansinho, num sorriso, assim de repente.O tempo também deixou marcas aqui, no local de onde nunca partiste, no espaço onde nunca estás...Os meus cabelos mais claros, a minha tez mais enrogada, as minhas mãos mais ásperas, o meu olhar mais vazio...Por vezes, quando entras ainda pela porta (já mais perra, com a tinta a descolar a vivacidade da madeira morta), fixo o meu olhar sempre estático sobre ti. O mesmo casaco já tão curto nas mangas, o mesmo cabelo desalinhado, o mesmo sorriso maroto de criança, o mesmo olhar enamorado pela vida. Em ti parece que nada muda, ainda que hajam prenuncios de calvice e barrigas mais pronunciadas, ainda que as mangas da camisa estejam curtas e hajam manchas sob teus globos oculares, ainda que o sorriso venha da boca de um velho que pareço não conhecer, que parece não existir, porque o olhar que vejo ainda existe sob a forma do garoto rebelde e vivaço, de bicicleta no pé e jornal na mão, gritando vivas ao comunismo que chora e rindo das aventuras do puto que queria ter sido, um Tom Sawyer da Ibéria, de palito na boca e colete no tronco, um jovem destemido de porte clássico que as meninas cobiçam e os rapazolas invejam. E ele ri, ri da mediocridade das gentes e do quotidiano em que nunca se pôde integrar, voando ao sabor do vento, entre o cá e o lá da imaginação, eterno espectador do ser humano que analisa com admiração de coleccionador.A tua existência flutuante fascina-me e enraivece-me, contraditória no que me faz sentir, à semelhança da sua forma irreverente e aluada, um ser mais pensante, mais vivo, um imortal, personificação do elixir da longa vida, o santo graal da contemporaneadade. Não sei se te invejo ou te odeio mais, por de tão sublime seres ausente, de tão etéreo seres distante, inalcançável, tumultuoso sonho de ser livre e ser real.Voas por entre as curvas do tempo, vindo de onde ninguém veio, conhecedor de tudo o que nem se sabe que existe, vives superficialmente a vida por a conheceres de dentro, do tutano de que és feito, mais pensante, mais oscilante, mais harmonioso.Voas também em mim, pedaço de mim que nunca me foi, mas que sou, eternamente, encarcerada em teu olhar vibrante de sorrisos, uma vez por ano, talvez, mas abarcando toda a glória da beleza ideal...À força de te sentir livre, à força de te querer perto quando ocasionalmente desces à Terra, à força de te conhecer como mais ninguém, de te acolher em meus braços mesmo que lá não estejas, continuo aqui, tentando recuar à tua fuga, ficando sempre no mesmo lugar, esperando o dia em que novamente entrarás pela porta, sorriso nos lábios, jornal por baixo do sovaco, cabelo esvoaçante de aterragem, olhar cintilante de alienação carinhosa, que intimamente, ousadamente, ingenuamente, ainda creio ser saudade...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-190442102205120033?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/190442102205120033/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=190442102205120033&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/190442102205120033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/190442102205120033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/07/mito.html' title='Mito'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4468535813264197860</id><published>2007-07-14T15:46:00.000-07:00</published><updated>2007-07-14T18:17:33.286-07:00</updated><title type='text'>Devaneio pós-depressivo</title><content type='html'>Fascina-me o olhar vazio dos transeuntes. O passo sempre ritmado, quase uma fuga, em direcção ao metro que ainda não abriu (parece até que o homem calvo de óculos escuros pode perder o emprego se voltar a chegar atrasado). Há quem olhe de esguelha para logo desviar o globo ocular (que problemas todos temos e isto ou é tricas de namoricos ou anda metida nas drogas), há os que nem notam (tenho que ir buscar o miúdo às cinco, e tenho que ir ao supermercado, e tenho que dar banho ao puto, e tenho que fazer o jantar, e o que é que tinha para entregar no departamento de relações públicas?), e há sempre pouco tempo para ver, por muito que se olhe. Prefiro olhar as pedras da calçada que agora cintilam, e prostrada fico na praça, sem perguntas, sem interpelações. O céu límpido, a rua com cara lavada, o movimento ainda distante, as pessoas que não se importam. A memória tão cheia, sobretudo sufocante, deste espaço agora despojado de tudo...de gente, de frenesi, de máscaras, de caos... Uma praça fantasma, a sua vida suspensa na claridade ainda amena, a naturalidade e a veracidade de um local a descobrir...porque sem vidas atropeladas por horários, tráfegos e impaciência esta cidade surge-nos mais viva, inerentemente bela, vazia mas repleta de outras adrenalinas: caminhos possiveis, sonhos, renascimento de seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na calçada o sol que fito, ao meu redor o chilrear dos pássaros, os pombos esvoaçando sobre mim, a mansidão da espera que me faz pensar e por momentos acreditar: num mundo melhor, num futuro melhor, num dia mais provável, em sonhos já possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me ergo e vejo a minha sombra tenho medo, mas o acinzentado claro do dia anestesia-me. As cores pairam esperando que as saturem, tal como eu espero que me acordem da minha letargia. O metro quase indigente com ruídos permanentes e aparência de submundo, onde as luzes psicadélicas, ferozes de tão brancas, sem variações, sem respeito, sem humanidade, invadem meus olhos de rajada, dilatando as pálpebras já inchadas do choro ( a esta hora permitido, sem perguntas, sem disfarces, sem convenções sociais). É bom sentir que ninguém vê, ninguém questiona, que posso ser mais livre num espaço que me aconchega pelo tempo parecer em si inerte, permanentemente vivo em acalmia, tolerante e iniciático.&lt;br /&gt;No metro em que me durmo os olhos cerram-se sobre o metal. Como sempre concentro-me na pega (não sei que nome lhe dar e este parece-me servir) que se assemelha a uma corda de forca e recrio a imagem dos enforcados suspensos, balançando ao ritmo da carruagem de circular interminável. Sinto que os muitos que o sol trará já assim estão há muitos anos...e hoje vejo-me a observar o meu próprio corpo dependurado. Há um alívio na imagem dessa morte inexistente que quero perpetuar. E a esta hora até isso me parece possível.&lt;br /&gt;De volta à rua, o firmamento...e no campo que é pequeno sinto-me amedrontada, engolida pelas feras das causas que abomino por me estrangularem ideais. Uma felicidade violenta apodera-se de mim ao arrancar o cartaz do PNR, e nesse momento agradeço por ser tão pacifista.&lt;br /&gt;Sigo sempre em frente, sem destino, sem parar. Se quebrar o ritmo do andamento vou cair...e só com o sol alto me saberei levantar. Num corpo mascarado de sorrisos.&lt;br /&gt;Passado o vermelho tão verde dos semáforos há a nitidez do espelhar das janelas do hotel. Páro à sua frente e olho o outro que sou eu, convicta, como nunca fiz e sem temer que me apanhem. De olhos borrados, de cabelo selvagem, de lábios cerrados, de aparência desarrumada, acho-me bonita. Dentro de mim um sorriso: vejo-me e penso-me, sozinha na aurora intermitente...quase me poderia declarar feliz. Reparo que o sol desponta sobre as casas e lembro a utopia das vidraças luzentes na colina que entra rio adentro...ainda as sei possíveis porque luzem desde então dentro de mim.&lt;br /&gt;Regresso-me quase cansada, esquecendo as palavras que perfeitamente se alinhavam na minha mente e não consegui reter. Os meus melhores versos ficaram sempre nos versos impulsivos que o insight me trouxe e a memória proibiu à caneta. Que importa? A vida é novamente possível aqui onde se espera que amanheça a cidade adormecida, onde morrer não parece algo terrível, onde podemos ser sem amarras nós próprios ou o outro que nos sonhámos.&lt;br /&gt;Em mim fica a mansidão da vida que me adormece e me preenche, enquanto o mundo se espreguiça à minha volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4468535813264197860?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4468535813264197860/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4468535813264197860&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4468535813264197860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4468535813264197860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/07/devaneio-ps-depressivo.html' title='Devaneio pós-depressivo'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-4435824949936207465</id><published>2007-06-17T18:36:00.000-07:00</published><updated>2007-06-17T19:07:23.507-07:00</updated><title type='text'>Olissipo</title><content type='html'>Uma cidade fantásma. Lisboa, domingo, sete da manhã. Viv'alma, como na minha terra, Santarém, capital de província, a qualquer hora da noite.&lt;br /&gt;Assim despida uma cidade parece tão possível. Parece que tudo é novamente provável, mais edifícios restaurados, mais casas habitadas, porque menos gente na rua.&lt;br /&gt;Assim vazia, Lisboa em particular tem o encanto de tudo o que é demasiado cheio para que tenha algo de seu. Quando abandonada, Lisboa enche-se de vida, a vida das árvores que cantam, dos pássaros que já se ouvem, do rio e das gaivotas ao longe...Assim, nesta hora de recomeço ou despedida, Lisboa parece novamente criança, novamente feliz, como se as coisas se renovassem após a grande chuvada, esse dilúvio que arrasta todos os males do mundo. A miséria, a fome, a injustiça...Lisboa, cidade de contraste, multicultural, multipopulacional, multiolfática, multiplicada em doses de vidas e poluição e tráfego, torna-se um pouco mais quente na distância da agitação do dia-a-dia...Nesse momento em que sonho com a nova Lisboa, parte de Portugal, mais afável no acolher de quem a é. Para que não parta todo o fim-de-semana, com horror a ser Lisboa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-4435824949936207465?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/4435824949936207465/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=4435824949936207465&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4435824949936207465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/4435824949936207465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/06/olissipo.html' title='Olissipo'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7469436548927326101</id><published>2007-05-25T08:34:00.000-07:00</published><updated>2007-05-25T09:02:54.313-07:00</updated><title type='text'>Brindar ao novo dia</title><content type='html'>Espera-se sempre que a hora mais esperada seja assim, simples, rápida, suave, pouca dor, pouca consciência, pouca amargura. Espera-se sempre que venha tarde, quanto mais tarde melhor, que passe depressa, e que subitamente já não se sinta nada. Tudo findou. Adeus ao sofrimento, à fome, à responsabilidades, adeus pecados que se guardam em segredos (ai se me descobrem, ai se me descobrem!).&lt;br /&gt;Esperavas por isso morrer velha, deitada na tua cama, os lençóis brancos continuariam imaculados, uma alcova construída por ti ao longo de toda a vida para o efeito, tudo perfeito, tudo tão calmo. Os cabelos grisalhos, os olhos cerrados, o sorriso calmo e a respiração aliviada. Subitamente viria aquela inspiração asmática, o peito incharia, um breve gemido, todo o ar sugado do teu corpo enrugado, tez clara, mãos cruzadas sobre a barriga, rosário entre os dedos, a cama de madeira nem estremeceria, um suspiro e deixaras de existir.&lt;br /&gt;Sempre confiaste que nada aconteceria, nem doença, nem acidente, nem crime, só tu e a tua paz de idosa bem vivida, só tu e o silêncio do teu quarto despedindo-se da doce e amena vida. Sempre esperaste esse fim sereno que é o descanso louvável das almas mais temerosas. Sempre esperaste que tudo terminasse bem, como nos filmes, e que depois de morreres não houvesse mais nada, para que assim pudesses ter o teu devido repouso dos justos. Talvez por isso sempre tenhas querido viver tudo no mesmo segundo, as bebidas, os homens, as viagens, as danças, as quecas, as gargalhadas, o dinheiro contado ao fim do mês porque desististe de estudar, porque nunca quiseste trabalhar, mas que te importava? tinhas sempre o dia de amanhã, e um amigo qualquer para te dar a mão. Talvez por isso tenhas sorvido a juventude dos teus 28 anos de vida num ápice, sem saberes o que querias, sem saberes de onde vinhas, para onde ias, ou sequer onde vivias. Filha da rua, filha do vento, abandonando o berço de ouro pelo que achaste ser liberdade. Assim te libertaste das amarras e da saúde. Veio a droga, veio o vício, veio o corpo a degradar-se e o fim da alegria, veio a ressaca, o corpo ardendo que tinhas que acalmar, o dinheiro afinal importava-te por que sem ele não havia vida, essa viscosa que te corria pelas veias. Vieram os dias mais longos, mais escuros, mais dormentes, mais inseguros. Veio a raiva, veio o medo, o desespero. Veio a fome, a prisão, o dinheiro dos gajos que te comiam, as taras dos gajos, as sovas dos gajos, o medo dos gajos, a necessidade da massa dos gajos, a perseguição dos gajos. Veio o crepúsculo e nem o viste, e de repente era já noite e jurarias ser dia, ser sempre dia até à nova ressaca, e vem a nova dose, o novo dia (êxtase quase orgásmico, cabeça para cima, arfar de prazer, alma fora do corpo, alegria, e acabou. O desespero. Queres mais, sempre mais), que acaba depressa demais, cada vez mais fugaz, cada vez mais obsessivo.&lt;br /&gt;Nessa altura deixaste de esperar. A morte era essa noite obscura que te ficava depois da elevação, era essa vida de merda que tinhas, que tiveste, que te findou enquanto esperavas o novo dia, a nova vida, a nova dose que te salvaria...&lt;br /&gt;Encontrei-te, esperando, como sempre, numa casa de banho de bar, de um desses bares/taberna que eram a tua noite. Esperavas o novo dia que te cegou, e morreste nele, para não sentir mais, para que a alma tivesse finalmente o seu lugar, no eterno sono do nada, longe do corpo ferido, pesado, frio, violado. Esperavas, de cabelos muito pretos, olhos semicerrados, pele firme, embora amarelada pelos maus tratos do teu dia. Esperaste, aos vinte e oito anos, muito antes de saberes o que era viver, muito antes de vislumbrares a tua tão sonhada liberdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7469436548927326101?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7469436548927326101/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7469436548927326101&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7469436548927326101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7469436548927326101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/05/novo-dia.html' title='Brindar ao novo dia'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-1522475439886732107</id><published>2007-05-15T18:59:00.000-07:00</published><updated>2007-05-15T19:02:55.481-07:00</updated><title type='text'>Soneto da Fidelidade</title><content type='html'>De tudo, ao meu amor serei atento&lt;br /&gt;Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto&lt;br /&gt;Que mesmo em face do maior encanto&lt;br /&gt;Dele se encante mais meu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero vivê-lo em cada vão momento&lt;br /&gt;E em seu louvor hei de espalhar meu canto&lt;br /&gt;E rir meu riso e derramar meu pranto&lt;br /&gt;Ao seu pesar ou seu contentamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, quando mais tarde me procure&lt;br /&gt;Quem sabe a morte, angústia de quem vive&lt;br /&gt;Quem sabe a solidão, fim de quem ama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu possa me dizer do amor (que tive):&lt;br /&gt;Que não seja imortal, posto que é chama&lt;br /&gt;Mas que seja infinito enquanto dure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius de Moraes ----------posto que as palavras de outrém, magnânimo mestre da literatura, hoje descrevem melhor do que eu mesma o que foi e sempre será esse meu primeiro intenso e grande amor, bem como a forma como sinto amor, sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-1522475439886732107?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/1522475439886732107/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=1522475439886732107&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1522475439886732107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/1522475439886732107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/05/soneto-da-fidelidade.html' title='Soneto da Fidelidade'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-225087749498995677</id><published>2007-05-07T18:28:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T18:37:46.752-07:00</updated><title type='text'>Ausência</title><content type='html'>Parece que é nada, e sei que já veio para onde quero ficar, sei que voltou tudo o que já perdi. Parece que é nada o muito que abafa o sangue que escorre pela pele queimada. Parece que é nada o que me invade tão pesadamente, e tudo fica tão sufocado, tão escuro, tão vazio... Parece que nada se vislumbra em mim, nesse ser que pude ser e não fui. Nada sou sendo já morta, numa apatia que se abate como avalanche sobre mim. Parece que é nada porque tudo me fugiu. E por vezes no vislumbre amargurado de um suspiro pergunto, sem esperar uma resposta, onde fica afinal esse espaço que me sou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-225087749498995677?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/225087749498995677/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=225087749498995677&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/225087749498995677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/225087749498995677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/05/ausncia.html' title='Ausência'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-7441980571412113961</id><published>2007-04-17T01:56:00.000-07:00</published><updated>2007-04-17T02:04:58.474-07:00</updated><title type='text'>Embalo do mar</title><content type='html'>Brindo ao sol que raia o novo dia, desses dias que já canto porque sou. O júbilo de acordar, só mais um dia, é mais que a própria vida me deixou. A aurora das particulas sedimentadas, no pó dos anos que não quis viver, lança-me de novo o desafio de reconquistar tudo o que perdi , de novos dias vislumbrar, de novas almas em mim reencontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sol dedico a luz destes meus olhos, no brilho que o mar de ti me trouxe, e que hoje fica como memória dessas ondas que, em orlas de maresia e sal, um rastro de emoção explorada e por explorar em mim deixaram...nos pés que te dançaram e que hoje soltos, mas sempre junto a ti já como outros, seguirão...rumo ao dia que ainda não nasceu, embalado nas ondas desse mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-7441980571412113961?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/7441980571412113961/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=7441980571412113961&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7441980571412113961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/7441980571412113961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/04/embalo-do-mar.html' title='Embalo do mar'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-2250609899761785318</id><published>2007-03-17T10:08:00.000-07:00</published><updated>2007-03-17T10:32:54.264-07:00</updated><title type='text'>O que é perto e está tão longe   [Co-dependência]</title><content type='html'>Sete da manhã. Lisboa. Avenida Almirante Reis. Numa praça da qual não lembro o nome. Ela. Olhava os dedos de unhas delapidadas. O verniz fugira dos cantos ruídos. Parecia que naquelas mãos se concentrava todo o sentido da sua existência, fitando-as intensamente, como quem prende o que vê com o olhar.&lt;br /&gt;O sol brilhava novamente no céu indiciando a Primavera (que chega já tão mais depressa por entre as camadas corrompidas desse Ozono)...Os bancos de jardim povoados de aves migrantes e ervas daninhas crescendo por entre a calçada.&lt;br /&gt;Ela, contudo, não o via, absorta na descoloração das suas unhas outrora vermelhas. Ela que fora alegre, lutadora, defensora de todos. Ela que fora feliz e infeliz, mas sempre viva. As tardes no campo, petiscando junto ao Tejo; a adrenalina dos contratempos da filmagem; o concerto no festival e os risos entre cigarros e gritos; o entusiasmo da pesquisa e do debate; a defesa acérrima dos oprimidos de perto e de longe; o sorriso no rosto ofertado a todos, só porque já é manhã, só porque todos vivemos; o concerto da Orquestra Metropolitana na Igreja da Graça e as mãos entrelaçando-se emocionadas...&lt;br /&gt;Já de nada se lembra, ofuscada pela sombra da vermelhidão que lhe fugiu...As unhas roeu-as ao perseguir sem ser vista, ao quebrar limites e barreiras de privacidade e de decência, ao procurar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;inencontrável&lt;/span&gt; porque por vontade sozinho partiu...As unhas, desgastadas, estragadas, entristecidas, são a consciência que lhe pesa na emoção que não consegue controlar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-2250609899761785318?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/2250609899761785318/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=2250609899761785318&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2250609899761785318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/2250609899761785318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/03/o-que-perto-e-est-to-longe-co.html' title='O que é perto e está tão longe   [Co-dependência]'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-6851150409234277182</id><published>2007-02-21T07:54:00.000-08:00</published><updated>2007-02-21T08:02:17.712-08:00</updated><title type='text'>Recomeçar</title><content type='html'>Aurora boreal, espaço alado de mim. Nos raios do crepúsculo, nos sorrisos das ruas, nos cânticos das árvores esvoaçando sobre mim, em mim...No espaço dos sonhos que nos somos...&lt;br /&gt;Novos projectos a cada etapa. Novas quedas, novas vitórias. Ser feliz é saber olhar o mundo, vivê-lo em pleno. É inspirá-lo! É ri-lo! É chorá-lo! É amá-lo! É sorvê-lo! É senti-lo!&lt;br /&gt;Ser feliz é saber recomeçar...Guardar dentro de nós o que passou (num frasquinho especial sobre a estante) e partir do zero, olhar em frente. A vida é um mundo imenso de emoções.&lt;br /&gt;Ser feliz é olhar o mar sem que ele esteja à nossa frente. É olhá-lo atentamente quando invade nossos pensamentos e é somente uma miragem, enquanto suas suaves ondas ruidosas acompanham nossa respiração profunda, aliviante, sentida.&lt;br /&gt;A vida, tumulto eufórico de sensações, nasce, morre e renasce a cada instante...Aurora boreal no gélido glaciar do tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-6851150409234277182?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/6851150409234277182/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=6851150409234277182&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6851150409234277182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/6851150409234277182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/02/recomear.html' title='Recomeçar'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-489769261887873902</id><published>2007-02-21T07:30:00.000-08:00</published><updated>2007-02-21T07:53:35.598-08:00</updated><title type='text'>Matinal</title><content type='html'>Sempre me deixei fascinar por pequenas coisas. O suave estalido da colher pousando no pires da chávena de café (depois de mexê-lo, com o braço todo em movimento, como o meu pai faz, e não só a mão e o pulso refastelado sobre a mesa, como a maioria das pessoas); a espuma da "bica" a desfazer-se na minha boca, lembrando o mar rebentando contra os meus pés, olhos fechados saboreando o sal, o sol, o açúcar adoçando o palato e a alma em cinco segundos de êxtase.&lt;br /&gt;Lembro-me sempre das manhãs na Beira. Sete da manhã deitada na cama de madeira, a casa gelada, a braseira saturando o azulado do frio, contando as badaladas que me dizem o tempo que passou desde que acordei ( porque sempre tive insónias), a música sacra lembrando a serra que sempre me trouxe à mente imagens de vestidos oitocentistas e fotografias de cadáveres que ganham vida, mas sempre em tons de sépia ( porque em criança recriava o passado na tonalidade do papel em que o via retratado).&lt;br /&gt;Essas memórias tornam-me nostálgica...Saudades do arrepio calado pelo abraço das mantas, os pés procurando pernas mais quentes em noites mais frias...Tenho saudades do Inverno e das desculpas que ele nos permite. Subtis chantagens emocionais que são na verdade jogos de sedução.&lt;br /&gt;Como sempre tudo me traz de volta a ti...Relembro os velhotes felizes que nos imaginámos, passando o tempo devagar pelos corpos jovens. Revejo as horas que nos fomos (e algumas já nem lembrava! A dor da perda faz sempre renascer novas emoções). Revejo o mar que nos envolvia na sua bruma matinal enquanto apaixonadamente me observavas levantar de um mergulho, afastando as águas nas novas cores que à tua alma trazia.&lt;br /&gt;Ao longe hoje o mar...E a memória das palavras proibidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-489769261887873902?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/489769261887873902/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=489769261887873902&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/489769261887873902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/489769261887873902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/02/matinal.html' title='Matinal'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-117072556337235790</id><published>2007-02-05T17:22:00.000-08:00</published><updated>2007-02-06T18:39:11.613-08:00</updated><title type='text'>Carta para João</title><content type='html'>As vozes, os gritos, as cores que são tão baças, o chão que parece balançar, os ecos do que dizes, porque tudo me parece uma ilusão...Os tumultos que te ferem, a solidão que te corrompe, a culpa que te violenta, o medo que te treme, a insegurança que te move...Tanto em ti por explorar, tanto tão magnânimo, tanta essência pura, alma sublime...Há um mundo imenso que és tu, e que sorri a cada raio que me acorda...Memórias de sorrisos, de gargalhadas estúpidas, de olhares que tudo dizem, de olhares que emanam amor...Saudades de acordar abraçada a ti e adormecer sobre o teu peito...Saudades das conversas, das confissões, das tertúlias, das divagações, dos passeios, dos cappucinos, dos chás aquecendo os dedos frios, das sessões de home cinema, das massagens nos pés (you know what a footmassage means! Pulp Fiction)...Saudades de respirar o mesmo ar na mesma esfera onde só nós podiamos ser, no mundo que viamos com os mesmos olhos, no tudo que partilhávamos e que éramos...Despedi-me de ti. Ficas em mim como memória perfeita, como eterno amigo, sempre presente, como elemento crucial na minha vida...Meu primeiro amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-117072556337235790?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/117072556337235790/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=117072556337235790&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/117072556337235790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/117072556337235790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/02/carta-para-joo.html' title='Carta para João'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-117012446753701074</id><published>2007-01-29T18:31:00.000-08:00</published><updated>2007-02-04T12:36:08.196-08:00</updated><title type='text'>Nomenclaturas</title><content type='html'>Enquanto longe divagas e te espero, e te sei...Enquanto longe divagas e teus pés dançam em mim como ondas do mar e relembro ou anseio o teu regresso. E enquanto longe divagas (e perto o rapaz vasculha impacientemente o lixo) e a tua ausência me exaspera (e longe, porque está frio, o rapaz parece não encontrar o que freneticamente busca). Enquanto longe divagas e a aurora parece não mais querer clarear o espaço, o tempo, o nome que é das coisas e já não as sei (e o rapaz correu para o meio da estrada e gritou). Enquanto longe divagas e o meu corpo te procura tacteando a textura das cores que escolhi quentes e neutras – neutras de tão quentes – para me aconchegar (e o rapaz olhou o céu e gritou de novo). Enquanto longe divagas e a ti te buscas para a ti não te encontrares (e o rapaz encontrou algo no chão porque dele não sai, cravando os dedos no alcatrão). E enquanto longe divagas porque te perdeste, porque não sabes mais o nome que te é, o rapaz lá fora parece ter encontrado o seu nome no chão. O nome da pobreza, da miséria, da desgraça que carrega vagueando, quase morto, pela rua com uma moeda cravada na palma da mão. O seu nome hoje é vazio, sendo que nada lhe sobrou. Ele afasta-se, talvez do mundo, talvez da vida, talvez de si. E enquanto longe divagas o mundo não pára. E há sempre um novo nome para as coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-117012446753701074?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/117012446753701074/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=117012446753701074&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/117012446753701074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/117012446753701074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/01/nomenclaturas.html' title='Nomenclaturas'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-117012429599934227</id><published>2007-01-29T18:25:00.000-08:00</published><updated>2007-01-29T18:31:36.003-08:00</updated><title type='text'>Entrar</title><content type='html'>Ouvi-te chegar, por entre a chuva, numa tarde de Outono. Ouvi os teus passos, arrastados pela fadiga de mais um dia que não pediste, ecoarem no silêncio. Vi-te. nos momentos desta sombria mansidão. Vi-te num gesto claro pousar as mãos sobre a mesa do hall...o cigarro libertando o fumo encarcerado na podridão tua. Senti o asco do teu riso mecânico, sempre fingido, cuspido em recantos oblíquos com que constróis os dias. porque os odeias, como aos “filhos da puta desses chupistas” que te roubam todos os meses, “que é sempre o peixe miúdo que fica a arder, só o peixe miúdo”. porque todos te tiraram a liberdade cedo demais, e “isto só vai lá com mão de ferro”, e rezas aos teus deuses dionisíacos para que te devolvam a vida divina que perdeste nos sonhos. todos os dias...&lt;br /&gt;Revi, nesse momento, as lágrimas que por capricho te obrigaste a guardar para a escuridão (porque homem que é homem nunca chora). Senti, ao longe, o ranger da porta do quarto. Escutei o miar do gato por entre as fissuras do véu que envolve a minha incerta alcova de criança em mulher adormecida, mas nem o senti contra as minhas pernas calejadas, arranhando a carne que comia, tal como tu.&lt;br /&gt;Pensei, contudo, sentir-te entrar pela porta traseira... um ramo de flores na mão, um sorriso nos lábios... Uma gargalhada seca irrompeu o vácuo do quarto entregue à penumbra de cinzas latentes. e surpreendida calei o grito estridente que descobri vir ousadamente de mim. E se estivesses ali e não te visse? Ri, irónica, desgastada, nula. Uma mera utopia, concluí... Ou alívio. Olhares indefiníveis intimidaram-me de novo. Como todos os dias.&lt;br /&gt;Pensei na dobra da pasta de dentes no lavatório, no quarto de maçã sobre o prato cristalino cintilando ao luar, no esboço alegre que timidamente se formava no canto da tua boca... Um gélido calafrio percorreu-me o corpo de encontro ao sangue que escorria. E na descompressão da ansiedade em flecha, mas apática, imóvel, aos poucos adormeci...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei, estremunhada com passos que julguei serem os teus.&lt;br /&gt;Ao longe, no cruzamento de uma nova duna, sei que ainda sorris sobre o mar que de nós se afasta... Temos dezoito anos e fazemos planos para ultrapassar a meia idade...Via-te bem cuidado, levando os nossos filhos à escola...&lt;br /&gt;Desperto para as sombras do quarto e encontro os sapatos de domingo jazendo empoeirados no chão. Uma caneca de cerveja e uma lista de supermercado que nunca chegaste a levar.&lt;br /&gt;Abraçando o ventre, tento apartar de si uma década de submissão e sofrimento... Em vão, bem sei. Distante, vislumbro um traço teu naquele rosto angelical, e já nem sei se o quero lá. porque é pouco o que de ti hoje se tira, é muito pouco...O filho é meu, só meu. Era isso que queria dizer ao homem que entrasse pela porta, com o cinto segurando, ridiculamente, uma barriga de cerveja. Era isso que atiraria à tua cara em contas de luz e telefone que não pagas. Era tudo o que diria se a idade não me pesasse mais no ventre que o filho que carrego. Um filho meu. Um filho que balança na indefinição da vivência, esvaindo-se em sangue sobre lençóis de linho pálido...&lt;br /&gt;Uma vaga lembrança tua morre no fluido que em mim se esgota, com o meu filho na sua correnteza...&lt;br /&gt;Caio no chão, vazia, entre memórias que atropelam consciências. No rastro de um mar azul, na duna que me concedeste despejei meus poros de vida em tuas mãos... Prisão que, ainda agora, escolho. Já pálida, moribunda, submissa, mesquinha...&lt;br /&gt;O dia espreguiça-se, ao meu redor, entre janelas que se abrem implacavelmente, sem pestanejar. Embranquecida e sugada devoro as imagens deixadas com as lágrimas em tempos idos...&lt;br /&gt;Ainda ouço um ruído lá fora... Será que agora vais entrar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-117012429599934227?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/117012429599934227/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=117012429599934227&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/117012429599934227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/117012429599934227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/01/entrar.html' title='Entrar'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-117012378824888209</id><published>2007-01-29T18:22:00.000-08:00</published><updated>2007-01-29T18:56:54.376-08:00</updated><title type='text'>Já vou</title><content type='html'>e como se o vácuo fosse imenso, como se infinito o tempo fosse à nossa frente, e não parasse, deitaste-te só mais um pouco, porque está frio, porque tens sono, porque te dói o corpo e não dormiste nada, porque não te queres levantar porque te dói a alma, nada te espera lá fora, nada te espera cá dentro. e como se criança fosses agitas os braços e franzes o sobrolho quando te abano levemente e te digo para te ires vestir, porque tens que ir trabalhar, porque tens que reagir, porque assim nunca te curas, porque assim nunca queres ficar bem (porque assim ainda tenho que fingir que me quero levantar, porque assim ainda tenho que acordar para o frio que lá fora me gela mais que aqui onde sozinha fico em mim sem me ver). e como se não me ouvisses, porque me ouves alto demais, viras-te para o outro lado e tentas dormir, para ver se a dor passa; a da cabeça, e a da ausência que há em ti. fazes-te falta, porque te foges. e és ainda a criança que chora no escuro, ao fundo da escada, com os gritos que vêm lá da sala ecoando à tua volta como um grito de guerra...nessa guerra que, invadindo-te, os gritos lançaram em ti: porque nunca mais foram embora, nunca mais abriram espaço para que te visses ou para que visses que talvez haja hoje algo melhor. e matas o que é fraco nos jogos que te sufocam a raiva porque os choras. e chorando-os máta-los sempre. porque, afinal, não é essa a lei da selecção natural? fracos e fortes, fortes sobre fracos, fortes contra fracos, fracos em fortes...afinal não foi isso que aprendeste? não é isso que choras agora que criança ainda tens medo do escuro? agora que como criança te escondes entre as mantas para não ter que viver?&lt;br /&gt;e como se tudo estivesse bem acabas mesmo por dormir, entre os gritos cansados que te explodem na mente, entre os tumultos que lentamente se afastam com a consciência, e vem a calma, vem a calma, a calma...até que o dia há-de novamente surgir. para te comer. porque o dia volta sempre, tal como não queres. e nunca vai parar...mas como se isso não te importasse dormes, só mais um bocadinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-117012378824888209?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/117012378824888209/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=117012378824888209&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/117012378824888209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/117012378824888209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/01/j-vou.html' title='Já vou'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-116984557575907942</id><published>2007-01-26T12:39:00.000-08:00</published><updated>2007-01-27T09:18:30.900-08:00</updated><title type='text'>Coitadinhos</title><content type='html'>Achei piada quando alguém me disse (sei lá quem! Já tantos mo disseram!) que "deve ser giro trabalhar com loucos".&lt;br /&gt;Atendê-los, ouvi-los queixar-se do tempo, do preço, da memória que falha, de não saber porque os levaram para aquele lugar estranho. Isto nos dias bons, nesses em que ainda falam, em que fitam menos o branco cálido da parede que os gela e agita.&lt;br /&gt;Alguém me disse (não sei bem quem, não sei bem quando) que deve ser complicado "lidar com pessoas assim", e olhando-me como quem espera uma queixa, uma coscuvilhice qualquer, sorri desiludido com o silêncio dos meus lábios. Mudos e selados de estupefacção. E tal como essas "pessoas assim", o seu olhar perdido espera um alento, o seu rosto rompe em manchas de tempos que queria esquecer. Ao fundo, no lugar escuro que suplicamos para nunca mais ver, esse ente geme aflito nas mãos sórdidas que o seguram. Hoje só espera uma estória hilariante da qual se possa rir (e é com a desgraça dos outros que mais nos divertimos), gargalhadas soltas para afagar as mágoas que não passam. E eu, com ares de arrogante, passados cinco minutos, respondo que sim, que me aparece com cada um, e convenço-me de que o digo só para seu contentamento. Um alívio imenso espraia-se em mim com as mil perguntas emanadas do seu olhar radiante. As questões são subterfúgios a que simplesmente sorrio, porque nada mais tenho a dizer, enquanto acalmo a consciência com as mentiras que uso para me desculpar. Sorrio e pouco penso, já tão distante estou. Estou noutro espaço paralelo em que as memórias assaltam a mente... O choro da paciente que o ruído do ar condicionado não consegue abafar; a esperança que a senhora alta de cabelo preto muito longo deposita em mim no seu "só quero ser normal, voltar a ser feliz"; a lentidão com que a estrangeira assina o cheque, e anda, e sorri, e se despede com um "feliz ano nuovo, Ana", sempre muito devagar e quase em surdina. São loucas, são, e nós tão sãos, tão cheios de vida, tão iluminados e complacentes repetindo "coitadinhas"...&lt;br /&gt;A criança autista, coitadinha, o velhote com stress pós-traumático e amor de mãe tatuado no braço de pele já mole e músculo firme, coitadinho, a bipolar de vinte anos com os braços queimados e olhar vazio, coitadinha, a velhota que grita e já não sabe onde fica a casa de banho (o que é casa de banho?), coitadinha, o depressivo crónico que se apaixonou pela bipolar e o risco de suicídio (que afinal deve ser punido porque não se pode atentar contra a própria vida, fim em si mesmo, e Deus Nosso Senhor não perdoa e tem desígnios insondáveis AMEN), coitadinhos, a esquizofrénica que acha que sou a filha que lhe morreu, coitadinha...&lt;br /&gt;Coitadinhos porque são tontinhos, ai coitadinhos!, e vêm ao médico dos doidos, coitadinhos, porque estão senis, os pobrezinhos! E tu, como eu, tremendo num sorriso de dentes rangendo, julgando-nos amplos em conhecimento, tão lúcidos e sãos e inteligentes, e nós tão seguros de nós próprios e cientes da vida!&lt;br /&gt;A velha que anda de um lado para o outro, e não sabe o que é uma sanita e se mija perna abaixo chamando-me sem perceber que eu não sou a sua irmã Matilde, pára subitamente. Entrando-me olhos dentro declara, com um rasgo de clarividência surpreendente (como pode uma louca perceber tão bem a vida, coitadinha?), "eu sei que estou demente mas ainda não sou estúpida, e tu pensas que sabes mais que eu, mas é mentira. Eu salto deste mundo para aquele que não imaginas, que não existe. Eu posso voltar e então sentir-me livre. Tu nem saberás o que é a Liberdade. Não a sentir...não dar valor à vida...essa sim é a verdadeira Loucura".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-116984557575907942?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/116984557575907942/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=116984557575907942&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/116984557575907942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/116984557575907942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/01/coitadinhos.html' title='Coitadinhos'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-116946334662347056</id><published>2007-01-22T02:54:00.000-08:00</published><updated>2007-01-22T02:55:46.633-08:00</updated><title type='text'>Ser</title><content type='html'>A criança, quando criança, sente o vento bater-lhe na cara e pergunta-se não o que é ou como é, mas de onde vem? para onde vai? E ri alegre com a descoberta desse novo amigo que com porquês, mas sem respostas, é.&lt;br /&gt;O vento que lhe sacode o cabelo sabe-lhe bem. A criança, em criança, ri do vento porque lhe faz cócegas e não lhe deixa abrir os olhos que, impacientemente, esfrega para que possa ver as inúmeras cores que ele lhe mostra. Porque a criança, sendo criança, quer ver tudo o que é real e saber porque é assim: o céu azul e não verde, e ela com pele e o céu com nuvens.&lt;br /&gt;A criança, se criança, sonha brincando com as nozes que lhe caem em cima (por causa do vento? e porque é que o vento quis que elas caíssem?), olha-as extasiada, porque são castanhas como seus olhos, e não importa que nutrientes as formam, sabe-lhe bem trincá-las assim duras, depois de arranhar os dedos ao tirar-lhes a casca, para depois as cuspir porque amargas. E rir. E correr por entre o vento à procura de algo novo num mundo com anjos e animais que falam. Dentro de si.&lt;br /&gt; A criança, quando criança, porque criança, cai. E por isso chora. E logo se levanta. E ri.&lt;br /&gt; A criança, quando criança, ergue sem medo os olhos ao sol e fascinada constata o dourado do dia. &lt;br /&gt; A criança, que pode hoje ainda ser criança, é o homem, é a planta, é o cão, é o rio. A criança não é o sonho, não é também a esperança. A criança é o ser.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-116946334662347056?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/116946334662347056/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=116946334662347056&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/116946334662347056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/116946334662347056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/01/ser.html' title='Ser'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-116891931348412246</id><published>2007-01-15T19:46:00.000-08:00</published><updated>2007-01-24T12:26:07.683-08:00</updated><title type='text'>Puta</title><content type='html'>Ó noite vil a que me vendo&lt;br /&gt;No estupro da doença que hoje sou,&lt;br /&gt;Leva de mim a pena com que me humilhas&lt;br /&gt;E traz de volta a sombra em que vivia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó podre noite sórdida vádia&lt;br /&gt;Come a carne que me é faca&lt;br /&gt;E esconde o riso amargo em que me solto,&lt;br /&gt;Traz-me de volta a criança que morri&lt;br /&gt;E diz-me finalmente onde me sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó fria noite sem rosto e sem vontade&lt;br /&gt;Mata-me este corpo moribundo&lt;br /&gt;Que em recantos se entrega à cobardia,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traz-me de volta o sonho que não tive&lt;br /&gt;E leva de mim a dor que já não sinto,&lt;br /&gt;O peso da mortalha de me ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-116891931348412246?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/116891931348412246/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=116891931348412246&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/116891931348412246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/116891931348412246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2007/01/puta.html' title='Puta'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22928084.post-114074394200507583</id><published>2006-02-23T17:16:00.000-08:00</published><updated>2007-01-29T19:03:29.830-08:00</updated><title type='text'>Entre Campos</title><content type='html'>Se esta cidade fosse outra. Se esta gente fosse outra. Se este tempo fosse outro!&lt;br /&gt;Sim, seria deveras tudo igual, tudo exactamente o mesmo, monocordicamente repetido até ao limiar indefinido, quiçá inexistente, do Universo. &lt;br /&gt;Civilização é circular aqui, frenética e egoisticamente, como toupeiras cegas, activamente corrompidas na inércia de empatia. Civilização é caminhar para si e em si, sem ninguém, sozinho. E chorar a solidão. Civilização é comer o pão amaçado que cuspimos aos outros sem o saber. Civilização é correr e não chegar, é falar e não saber, é não gritar, não protestar, não quebrar o ciclo vicioso das vidas programadas que desprezamos, querendo-as.&lt;br /&gt;Civilização... O que é isso? “Já nada é como antigamente menina”... O velho, chamar-lhe-iam; “humilde e bondoso”, dizem os jornais como se um título honorífico lhe atribuíssem, como se o premiassem por ser uma espécie em vias de extinção, um bicho de zoo. Não sonham como ele sonha com o que viu, olhos brilhando de uma alegria descontrolada, não brindam à amabilidade como ele, nos 60 anos que dedica à família que escolheu para si, nos 80 em que vive e sobrevive, no desgosto e na amargura que não o secam, eternamente jovem, as pernas inchadas em cicatriz, as mãos enrugadas folheando os livros que “os pretos dizem que têm a técnica”, porque afinal eram “os pretos” que lhe davam valor, eles eram inteligentes, eles compreendiam a técnica de quem tem que lutar. no tempo em que os brancos lhe viraram as costas, escarraram o chão que pisou, quebraram o cristal do palácio da sua inocente utopia.&lt;br /&gt;“Os tempos mudaram menina...Já não se pode confiar em ninguém!”, e como visionário proclama as palavras reflectidas no vaivém da interminável gare. Circulando, circulando, circulando, até à extinção do ritmo, à anulação bafejada de um arfar sem dias, sem gentes, sem olhos, sem rosto, sem sonhos, sem vida. Circulando continuam pelos trilhos pré-definidos, previamente estabelecidos, por quem?, por todos, e por ninguém. Porque a sociedade brota hoje do mito que sendo nada é tudo, invertido, porque é um tudo que espremido dá nada. Não há fé, não há amor, não há vida. Há aqui, há agora, há eu, e nada mais. No circular interminável, no sumo que não se suga das fisionomias ausentes, na “explosão em Bagdade mata dois soldados norte-americanos e algumas centenas de iraquianos”, na voz impessoal que o anuncia, semi-inaudível, semi-distante, semi-electrónica, semi-fria, no distorcer da voz (in)soniaca anunciando a chegada da velocidade cromática que ainda antes de ela se dissipar me levitou. Circular, circular, circular. O dia é aqui noite. As faces são sombrias. A claridade de um espaço exíguo, delimitado, belo, preservando raízes de quem parece não mais existir, invade-me, sem que isso algo me diga. Autómato como todos os outros. Como nós, que somos eles. E eles nós. E assim sucessivamente, interminavelmente. Sem que o queiramos, sem que o mudemos...&lt;br /&gt;“Se eu não morresse nunca!”, está ali e está em nós. E estava nele que morreu como temia, tal como nós. “Todos temos o que merecemos”, será mesmo assim? Ele buscou a perfeição, essa que me atormenta, me limita, me exaspera, me mantém viva, sem que eu saiba, ou possa algum dia saber, o que ela é, desejando-a sempre, perpetuamente, fragmentando-me para a encontrar, naufragando em dúvidas e “depressões” pela evidência da sua superioridade ou inexistência. Eu, humana mas diferente, diferente dessa igualdade que os forma, os modela, outra, mais real, mais viva, mais pensante. Outra. &lt;br /&gt;   Essa que se julga diferente sendo igual...&lt;br /&gt;       Talvez um pouco mais só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo não é só hoje, não é agora. O mundo seria o combate que ignoramos, sentados a meia distância da meta final, a amarela, na etapa universitária, no caminho indefinido por outros decidido: por todos nós.&lt;br /&gt;“Próxima estação: Entre Campos.”&lt;br /&gt;Entre algo. Campos? Entre o verde, a infinita beleza, o sonho.&lt;br /&gt;Entre. Então porque me olham todos com desdém? Desconfiança? É verdade, quase me esquecia, “já não se pode confiar em ninguém.”&lt;br /&gt;Próxima (que futuro?)...Próxima estação. Ah, claro, &lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                           a autora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22928084-114074394200507583?l=olhandoonomedascoisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/feeds/114074394200507583/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22928084&amp;postID=114074394200507583&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/114074394200507583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22928084/posts/default/114074394200507583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhandoonomedascoisas.blogspot.com/2006/02/entre-campos.html' title='Entre Campos'/><author><name>PanÓptica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13954705753231123334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='23' src='http://www.nga.gov/feature/pollock/lm1024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
